Eurico Pacífico em palestra no Maracanã

Eurico Pacífico, diretor executivo da Confederação Brasileira de Beach Soccer (Foto: Divulgação/Staff Images)

Bárbara Mendonça
07/12/2018
17:58
Rio de Janeiro (RJ)

Como inovar na hora de empreender no mercado esportivo do Brasil? Antes de se pensar em quaisquer respostas a essa pergunta, é preciso reconhecer a dificuldade de realizar eventos no país - e, então, surgir com alternativas às adversidades. Essa foi a grande reflexão proposta pela palestra "Empreendedorismo e Inovação em Eventos Esportivos", que fez parte do evento Sport Experience, nesta quinta-feira, no Maracanã.

No painel, estiveram presentes Eurico Pacífico, diretor executivo da Confederação Brasileira de Beach Soccer (CBSB), além de Filipe Rodrigues, da IGIE; a mediação foi de Marília Cintra, da EA. O beach soccer brasileiro foi o principal exemplo utilizado para debater a burocracia por trás dos grandes eventos no país.

Nas areias, o cenário é mais que positivo ao esporte do Brasil: a partir de 2015, o Brasil disputou 16 competições de beach soccer e venceu 15 delas. A única derrota foi na Copa Intercontinental neste ano, dando fim a uma invencibilidade de três anos. Mesmo assim, a modalidade está longe de viver seus dias de glória, especialmente por uma série de obstáculos na economia.

- Hoje, o beach soccer vive um momento bem diferente. O primeiro ponto é ligado às televisões, que hoje se preocupam com custo de produção dos eventos e precisam enxugar despesas. Com isso, não só o beach soccer como outras modalidades tiveram que se readequar. O momento é diferente porque o trabalho da CBSB é de fortalecer o trabalho na base, no feminino. Isso já é feito no vôlei, digo que a CBV é a confederação mais forte e todos sabem disso. Mas isso é com tempo, não se conquistado dia para a noite - disse Pacífico.

E engana-se quem pensa que será possível ver as areias de Copacabana ou Ipanema como casa da modalidade no país. A ideia é transformar o Parque Olímpico no principal local para prática do beach soccer, já que a burocracia impede a realização de eventos. 

- Para que se possa fazer eventos na praia, há uma série de restrições e custos. Precisamos nos readequar. Nossa intenção é, aos poucos, transformar o Parque Olímpico na casa do beach soccer no Rio de Janeiro. Quando houver grandes eventos, voltamos à praia - disse.

É preciso encontrar inovação em meio à escassez
Filipe Rodrigues, por sua vez, destacou a necessidade de se saber encontrar chances de inovação em meio à escassez de recursos. O executivo ainda falou sobre o fato - no mínimo, curioso - de a CBSB não receber repasses da Lei Agnelo/Piva, enquanto confederações de gelo recebem a verba.

- Fazer evento na praia é caro, burocrático, não sei porque acontece em um dos litorais mais prestigiados do mundo. é um absurdo. Por que burocratizar eventos na praia mais famosa do mundo? É caríssimo, difícil demais e inviabiliza o negócio. A CBSB não se tornou olímpica e eles não recebem repasses da lei Piva. As confederações de gelo e neve têm (esses recursos). Estamos em um país com 4 milhões de quilômetros de litoral - afirmou.

Outro ponto que chama a atenção do executivo é a falta de políticas públicas voltadas ao esporte no Brasil. Com o iminente fim do Ministério do Esporte no governo de Jair Bolsonaro, a perda de força do esporte na agenda pública - que já ocorre desde o fim das Olimpíadas Rio-2016 - pode chamar uma maior atuação do setor privado.

- Recursos escassos tornam necessário saber identificar uma oportunidade em meio a um ‘emaranhado de segmentos’ presentes no mercado brasileiro. O empreendedor precisa ter, como característica, o espírito criativo e inovador. Faltam políticas públicas. Em 2016, era R$1,7 bilhão, este ano caiu para metade. Ano que vem a gente não vai ter mais Ministério do Esporte. Nossas linhas na agenda pública só diminuem. E se a agenda do esporte diminui tanto, talvez a gente tenha que contrabalancear isso na agenda privada para equilibrar esse poder - completou Rodrigues.

Três áreas do esporte são vista por Filipe como as maiores oportunidades no campo do empreendedorismo. São elas os e-Sports (afinal, o Brasil tem 66 milhões de gamers, cerca de um terço da população), o futebol feminino e políticas de governança e identidade.

- O e-Sports nasce já tecnológico e como entretenimento. (...) Nossos dirigentes esportivos foram presos, processados, não podem sair do país etc. Isso abre uma grande oportunidade para ajudar essas entidades esportivas a adquirirem integridade. Quando a gente fala em futebol feminino, as pessoas torcem a cara. Dizem que ‘não dá dinheiro, não gera interesse’, mas a Fifa vê nisso um negócio, a Conmebol vê, a CBF passou a ver - finalizou.