O grande momento de Canobbio com a camisa do Fluminense reacendeu um tema que parecia enterrado desde a Copa América: a relação rompida com Marcelo Bielsa. Depois de marcar dois gols na goleada por 6 a 0 sobre o São Paulo e confirmar a classificação tricolor à Libertadores de 2026, o atacante afirmou que está pronto para voltar à seleção uruguaia e que "já perdoou" o treinador, responsável por seu afastamento das convocações desde 2024.

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— Estou disposto a perdoar, e já perdoei, por dentro e por fora, toda a situação. Inclusive o homem que manda ali, que é quem decide — disse Canobbio, ao ser perguntado sobre a possibilidade de voltar a vestir a camisa da Celeste, que reforçou:

— Quem tem que ver é quem manda lá. Sempre trabalho para estar à disposição do meu país. Nunca renunciei. Tenho muito para dar à minha seleção, sou muito jovem. Meu ciclo ainda não terminou.

A crise que afastou o atacante da Celeste começou na Copa América de 2024, marcada por um ambiente tenso entre Bielsa e parte do elenco. Na disputa pelo terceiro lugar, Canobbio, então jogador do Athletico-PR, foi flagrado chutando copos e garrafas após deixar o campo irritado. Poucas semanas depois, em entrevista ao programa Minuto 1, confirmou o descontentamento.

Na época, ele acusou Bielsa de "falta de respeito constante" e relatou um episódio de 2023 que teria sido decisivo: durante uma análise de vídeo, o treinador o responsabilizou por um resultado, embora o jogador considerasse que havia tido boa atuação.

— Sou respeitoso, mas chegou uma hora que eu explodi. Eu queria conversar e não foi o melhor. Fiquei calado para não manchar o grupo, que veio de um terceiro lugar. Respeitei cada decisão e segui com a minha, fui procurado, mas preferi ficar calado para seguir o meu caminho, mas agora tenho a possibilidade de me expressar — afirmou na ocasião.

Desde então, nunca mais foi convocado. O incômodo também atingiu nomes importantes, como Luis Suárez, que após se aposentar da seleção revelou o distanciamento total entre Bielsa e os atletas.

Em fala recente à imprensa, Bielsa reconheceu alguns dos seus problemas com os jogadores e assumiu a responsabilidade pelo momento da seleção do Uruguai.

— Eu sempre digo uma coisa: eu sou tóxico. Se relacionar comigo piora quem está comigo. Existem pessoas tóxicas, que só veem erro, que vivem corrigindo, que exigem, que nunca estão satisfeitas e que só falam de trabalho. Eu vivo isso como um karma. Esse comportamento tem base no medo. No medo porque a gente não desfruta de ganhar. A gente teme perder muito mais do que desfruta ganhar, pergunte a qualquer treinador.

Canobbio comemora seu gol no jogo do Fluminense contra o Lanús pela Sul-Americana no Maracanã (Foto: Mauro PIMENTEL / AFP)

Fase no Fluminense fortalece discurso por nova chance

Agora, mais de um ano após o rompimento, Canobbio vive seu melhor momento no Brasil. Titular absoluto com Zubeldía, virou peça-chave do time tanto na parte ofensiva, quanto na parte ofensiva. O desempenho elevou a confiança do jogador para defender que a ausência na seleção não tem relação com falta de rendimento.

— Nunca briguei com ninguém dentro do grupo. Nunca tive problema com ninguém. Sempre me concentrei no meu time e sempre torci pela seleção.

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O que vem por aí?

O Tricolor volta a campo na terça-feira, dia 2, contra o Grêmio. Fora de casa, a bola rola às 21h30 (de Brasília). Enquanto isso, o São Paulo joga na quarta-feira, dia 3, contra o Internacional. O jogo será mandado na Vila Belmiro, às 20h (de Brasília).

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