Thiago Salata
06/07/2018
17:10
Enviado especial a Kazan (RUS)

A torcida brasileira em Kazan ensaiou a mesma música que já teve Messi, Iniesta e outros como personagem para Hazard, nas ruas da cidade na véspera do jogo contra a Bélgica. "E o Hazard tchau, tchau, tchau" não deu certo e, se os rivais soubessem português, poderiam cantar "Neymar tchau". O atacante chegou ao seu décimo jogo em Copas do Mundo e, mais vez, se despede nas quartas de final, agora não por lesão, mas com a eliminação após colocar no ângulo uma bola que o goleiro Coutois defendeu já nos acréscimos.

Ao apito do árbitro, Neymar colocou o rosto dentro da camisa e agachou-se, desolado. O telão da Arena Kazan logo exibiu sua imagem. Parou por alguns segundos, olhando para o nada. Filipe Luis, saindo do banco, foi o primeiro a lhe dar um apoio. Kompany foi o primeiro adversário a abraçá-lo. Após a reunião com o time no centro do campo, ele foi o primeiro a ir aos vestiários.

Neymar não saiu de maca do estádio, como aconteceu nas quartas de 2014, em Fortaleza, onde levou uma joelhada nas costas de Zuñiga na vitória por 2 a 1 sobre a Colômbia. O adeus de 2018 veio com muita luta, transpiração e boas jogadas na derrota com mesmo placar para os belgas. Não foi o Neymar apagado dos primeiros dois jogos na Rússia, nem aquele de destaque dos duelos contra Sérvia e México. Foi um Neymar que não se escondeu, mas teve dificuldades para superar uma marcação belga que funcionou bem.

A estrela da Seleção tem agora no currículo seis gols, três assistências e dez partidas em duas Copas. Quatro gols saíram na primeira fase de 2014, os outros dois diante de Costa Rica e México, em 2018. Messi, que deu tchau mais cedo, fez os mesmos seis gols em quatro Copas, número idêntico ao de Cristiano Ronaldo, que deu tchau também nas oitavas, disputou: marcou sete vezes.

Aquele toque de aleatoriedade contribuiu para que Neymar não colocasse mais uma assistência em sua conta logo aos sete minutos, quando bateu escanteio da esquerda e Thiago Silva acertou a trave. Aos 13, saiu o gol contra de Fernandinho que abalou o Brasil. Sorte e azar que fazem parte do esporte. E foi num contra-ataque após escanteio cobrado pelo camisa 10 que De Bruyne deixou o sonho do hexa de Neymar e da Seleção ainda mais distante.

O atacante jogou em sua posição de sempre, na esquerda, no primeiro tempo. Bateu sempre de frente com Meunier, belga  que é seu parceiro de time no PSG que falou abertamente não saber marcar Neymar. Encarou também o zagueiro Alderweireld e o volante Fellaini pelo setor. Deu dribles, buscou tabelas, tentou criar, diante de uma boa marcação. No segundo tempo, com Firmino e Jesus juntos em campo, o camisa 10 atuou mais centralizado nos primeiros minutos. Voltou à esquerda, caiu pelo meio de novo, deu arrancadas, mais dribles, tentou arrumar um pênalti.

A sete minutos do fim, o craque entrou em velocidade na área pela esquerda e rolou para trás: faz Coutinho! Um dos melhores jogadores da Copa, ele não fez. Nos acréscimos, mandou da meia-lua uma bola no ângulo de Courtois. A enorme defesa do goleiro belga vai atormentar o brasileiro em pesadelos.

"Nós temos Neymar" é o refrão de outra música que embalou a animada torcida brasileira na Rússia. A Seleção Brasileira continuará tendo sua estrela, hoje com 26 anos. Terá 30 no Qatar em 2022 para a sua terceira Copa.