Marcio Porto
04/07/2018
06:27
Enviado especial a Kazan (RUS)

Depois de superar os mexicanos nas oitavas de final da Copa do Mundo, chegou a vez de a Seleção Brasileira bater de frente com a Bélgica comandada por Hazardinho. Hazardinho? Sim, esse é a forma como o camisa 10 belga, um dos maiores astros do Mundial na Rússia, é chamado pelos brasileiros com quem já atuou no Chelsea (ING), seu clube desde 2012. O apelido abrasileirado simboliza a relação de Eden Michael Hazard com o Brasil, de cujo futebol é fã.

No vestiário do Chelsea, Hazard se aproximou muito dos jogadores brasileiros que passaram pelo clube. Oscar, David Luiz, Diego Costa (naturalizado espanhol) e principalmente Willian, ainda seu companheiro e adversário na próxima sexta-feira. Os dois são muito ligados, de frequentar a casa um do outro em Londres, trocar presentes de natal, fazer brincadeiras. Numa delas, o atacante brasileiro passou a chamar o colega belga pelo diminutivo, comum aos jogadores brasileiros a quem Hazard tanto admira. 

Em seu Instagram, Willian costuma registrar momentos de descontração com o amigo Hazard
Em seu Instagram, Willian costuma registrar momentos de descontração com o amigo Hazard no Chelsea

Em 2014, o belga escolheu seus cinco principais ídolos no futebol e colocou dois "inhos" brasileiros: Robinho e Ronaldinho Gaúcho. Os outros foram Zidane, Henry, que hoje é auxiliar técnico da seleção belga, e o argentino Riquelme. Admira também rivais, mas seu coração é do Brasil, onde debutou em Copas, embora com atuação discreta. 

Aos 27 anos, Hazard está no auge da carreira  na Rússia e tem a responsabilidade de usar a camisa 10 e a faixa de uma promissora geração que sofre pressão por títulos. Ele é um astro consagrado na Europa, mas sabe que ainda está devendo algo a seu país. Na Rússia, marcou duas vezes na goleada de 5 a 2 sobre A Tunísia na primeira fase. Agora, deve travar um duelo com o eficiente defesa brasileira que sofreu apenas um gol e, em particular, com Fagner, lateral-direito da Seleção Brasileira que terá seu primeiro teste de fogo na Copa.

Apesar de poder flutuar pela região central do campo, Hazard costuma atuar aberto pela esquerda, forçando o duelo 1 contra 1 com Fagner, que contará com a ajuda de Willian para tentar parar o belga. Nesta Copa, o lateral tem ido bem, mas ainda não encarou um superastro como o belga. Ele entrou na segunda rodada da fase de grupos contra a Costa Rica no lugar do lesionado Danilo e não saiu mais. Teve atuações seguras. O jogo em que mais sofreu foi nas oitavas de final contra o México, quando suou para frear o atacante Carlos Vela, que atua pelo Los Angeles FC dos Estados Unidos. Nada que se compare ao que terá pela frente na próxima sexta-feira em Kazan. É a chance de ele afastar de vez a desconfiança que o rodeio desde que foi convocado.

- Não me preocupo muito com isso (críticos), a resposta tem de ser dada dentro de campo. Procuro ajudar da melhor forma possível, e as coisas vem acontecendo, vem dando certo. A gente fica feliz de poder ajudar a Seleção - afirmou Fagner, que projeta o duelo mais duro da Copa contra a Bélgica de Hazard.

- Cada jogo é uma sensação nova. Hoje era oitavas, próxima é quartas, vai afunilando, responsabilidade também aumenta. Jogador tem essa ansiedade, frio na barriga, mas a gente tenta controlar da melhor forma - disse.

Na próxima sexta-feira, na Arena Kazan, Fagner terá a missão de segurar Hazardinho, que espera brilhar contra aquela que é sua fonte de inspiração.

O IMPERADOR LUKAKU
​Não é só Hazard na seleção da Bélgica que mantém admiração pelo futebol brasileiro. O centroavante Romero Lukaku já declarou sua idolatria por Adriano Imperador, hoje fora do futebol. O belga até se arrisca no português. Ele é o vice-artilheiro da Copa com quatro gols, dois a menos do que o inglês Harry Kane. 

Lukaku é mais uma atração da partida que terá uma série de duelos particulares. Depois da Copa, ele será companheiro do volante Fred no Manchester United (ING). O goleiro Courtois, assim como Hazard, atua com Willian no Chelsea. O zagueiro Kompany e o meia De Bruyne são companheiros de Ederson, Danilo, Fernandinho e Gabriel Jesus no Manchester City. Meunier atua com Neymar no PSG e nesta semana disse que não sabe como pará-lo. Tem ainda Thomas Vermaelen, do Barcelona, clubes de Paulinho e Philippe Coutinho. Um duelo muito particular e abrasileirado.