Lucarelli (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Lucarelli foi um dos destaques do Brasil no saque na vitória sobre o Irã (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Jonas Moura
17/06/2016
06:00
Rio de Janeiro (RJ)

O desafio estava lançado. Para uma Seleção Brasileira que busca resgatar as glórias do passado, a receita era sacar bem. Foi a ordem de Bernardinho nos treinos desde que parte do grupo de apresentou em Saquarema (RJ), no final de abril. Na última quinta-feira, o time massacrou a linha de recepção do Irã em seu primeiro jogo oficial no ano. A vitória na estreia na Liga Mundial de vôlei por 3 a 0 foi costurada graças à eficiência no fundamento.

Das mãos do central Lucão, autor de quatro aces, do ponteiro Lucarelli, com três, e do levantador Bruninho, com três, os 3.950 espectadores que compareceram à Arena Carioca 1, no Rio de Janeiro, viram que a variação de saque pode ser arma preciosa contra as maiores forças do esporte nos Jogos. Foram 10 pontos no quesito ao todo.

– Uns 60% a 70% do sucesso da equipe se deve ao saque. Se quebrarmos o passe dos caras, facilita muito a nossa vida. Aumentamos bastante a carga neste ano. Temos treinado muito, e pelo menos vem dando resultado – afirmou oposto Wallace.

Após dois primeiros sets de total domínio sobre Mahmoudi e cia., e um leve susto na terceira parcial, que quase escapou, os jogadores revelaram uma brincadeira proposta pelo comandante nos treinamentos com o objetivo de melhorar a performance no saque e, ao mesmo tempo, de descontrair o ambiente.

A regra é elaborada: cada vez que um atleta saca, uma pontuação está em jogo.
O ace vale dois. Se quebrar a recepção do companheiro do outro lado, leva um. Só pode deixar a atividade e rumo ao vestiário quem somar oito pontos no desafio. Caso alguém alcance a velocidade de 109km/h no serviço, garante um bônus de um ponto para ajudar.

– Nós nos esforçamos mais durante os treinos de saque, para finalizarmos rápido e não ficarmos muito tempo lá (risos). Cria um desafio tanto no saque quanto no passe – contou Lucarelli, responsável por cravar a bola na quadra rival 16 vezes, uma a menos que Lucão.

– Quando o Escadinha está do outro lado, dificulta bastante – completou o atacante de 24 anos.

O próximo teste que o time terá para confirmar o sucesso acontece nesta sexta-feira, às 14h10, no mesmo local. Depois, a missão será contra os Estados Unidos, no sábado. A Seleção busca o décimo título do torneio.

– A variação de saques longos e curtos deu certo. Acho que podemos crescer em relação a entrosamento. É algo que requer tempo. Vimos mais pontos positivos do que negativos – disse Bruninho.

Jogadores esperam jogo ‘chato’ contra os argentinos

A Seleção Brasileira espera um confronto “chato” contra a Argentina, rival de hoje na Liga Mundial. Os brasileiros têm uma opinião bem formada sobre os oponentes, não apenas pelo conhecimento adquirido em anos anteriores, mas por já terem enfrentado o time em dois amistosos de preparação para a Liga.

– A Argentina é um time chato, 'jogueiro'. Não rifam bola, não tomam bloqueio direto. Conhecemos o estilo deles de muito tempo atrás. É continuar no bom ritmo que mostramos hoje (quinta) – declarou Wallace.

Os argentinos são comandados pelo ex-jogador Julio Velasco, que roubou a cena no cenário internacional ao comandar a Itália nos anos 1990.