Ainda pequeno, Jaqueline já levava o filho para os treinos com a Seleção Brasileira de vôlei (Foto: Reprodução/Instagram)

Ainda pequeno, Jaqueline já levava o filho para os treinos com a Seleção Brasileira de vôlei (Foto: Reprodução/Instagram)

Felipe Domingues
04/06/2016
10:35
São Paulo (SP)

Jogar uma competição em casa, em frente à sua família e amigos, é uma pressão a mais para qualquer atleta. Para Jaqueline, ponteira da Seleção Brasileira de vôlei, o peso é ainda maior. Isso porque o termo "família" é duplo para a jogadora, já que seu marido, Murilo, também deve ir à Olimpíada do Rio de Janeiro com a equipe masculina.

Mas, se ambos vão aos Jogos, o mesmo não pode ser dito do pequeno Arthur, de 2 anos e seis meses. Mas não porque ele não queira ir, e sim por "impedimento" da mãe. Fruto do relacionamento de mais de 15 anos do casal, o filho de Jaqueline seria um fator a mais de pressão e preocupação para a ponteira.

- Eu e o Murilo preferimos que ele não esteja lá, mas, se ele for, ficaremos sabendo só na hora. Acho que esse é o nosso momento, meu e dele, é tão pouco tempo... Então, temos de nos dedicar de alma e coração para que esse momento tão sonhado seja conquistado. Temos de nos concentrar ao máximo. Temos de esquecer um pouco a família e, infelizmente, um pouco o filho. Precisamos nos entregar, porque são 15 dias nossos - disse a atleta.

Arthur não pode ver os pais disputarem uma Olimpíada, já que não havia nascido quando Jaqueline foi bicampeã olímpica, em Pequim-2008 e Londres-2012, ou quando seu pai recebeu as duas medalhas de prata nos mesmos Jogos. Agora, ele pode ter a chance de acompanhar in loco os "papais atletas".

- Ele estará acompanhando. Se estiver lá no Rio de Janeiro ou em casa, ele sabe que é para ele que vamos fazer isso. Mas quero pensar que vou estar em outro país e me concentrar para aquele momento.

Mas, mesmo que ele não vá ao Rio de Janeiro, segundo Jaqueline, essa não será a última chance de ver a mãe disputar uma edição dos Jogos Olímpicos. Aos 32 anos, a ponteira rechaça uma chance de adeus no Brasil, e ainda sonha com uma participação em Tóquio, no Japão, em 2020.

- A dele (Murilo) será a última, a minha eu não sei. Ainda sou nova, tenho 32 anos, então quero jogar e aproveitar. Ainda não tenho um Mundial, eu queria muito isso. Deixo a vida me levar. Não vou ficar me cobrando nada, mas não gosto de dizer que vou parar, porque vejo muitas atletas dizendo "parei" e no outro ano voltam. Não acho isso legal. Se eu tiver de parar, vou parar e acabou. Meu desejo é jogar mais, mas só Deus sabe - comentou.

Daqui quatro anos pelo menos, o jovem Arthur já terá ainda mais idade para entender o esporte, já que terá quase sete anos. Ainda que Jaqueline não faça mais parte da Seleção, a "família olímpica" pode ter outro membro na modalidade em um futuro próximo. Ao menos incentivo não falta:

- Ele (Arthur) faz toque, manchete, fica pedindo para jogar vôlei em casa (risos)... Mas é normal, até porque, quando ele pergunta onde estão o papai e a mamãe, a resposta é sempre: "Estão no vôlei, estão trabalhando no vôlei" - brincou.