Sheilla

Sheilla é uma das campeãs olímpicas insatisfeitas com o ranking da Superliga (Foto: Reprodução/Instagram)

Jonas Moura
12/04/2017
16:12
Rio de Janeiro (RJ)

A tentativa das principais estrelas do vôlei brasileiro de levar a discussão sobre o fim do ranking da Superliga feminina aos tribunais sofreu seu primeiro golpe. Na última segunda-feira, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) recebeu notificação de que a liminar pedida pelas atletas sobre o caso foi indeferida. Isto não quer dizer que a causa esteja perdida, uma vez que o mérito ainda será avaliado pela Justiça, com a apresentação de argumentos de ambas as partes.

Em março, oito jogadoras entraram com um mandado de segurança na 9ª vara da Justiça do Trabalho, no Rio de Janeiro, na expectativa de conseguirem a derrubada do sistema de pontos, em vigor desde a edição 1992/1993. São elas a centrais Thaisa e Fabiana, a oposto Sheilla, a levantadora Dani Lins, e as ponteiras Jaqueline, Natália, Gabi e Fernanda Garay.

"A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) recebeu na segunda-feira (11.04) notificação de decisão que indeferiu a liminar pretendida pelas atletas. Não obstante a judicialização do tema, a CBV continua aberta para discutir a questão com todas as partes, defendendo ser esta uma análise pautada não pelo interesse individual, mas pelo interesse da coletividade envolvida no desenvolvimento do voleibol brasileiro. A CBV segue confiante de que a Justiça brasileira dirimirá a questão de forma adequada e apresentará em Juízo todas as informações e argumentos pertinentes à questão", informou a CBV, ao L!.

No regulamento aprovado para a edição 2017/2018, cada equipe só pode ter duas atletas de sete pontos (pontuação máxima no modelo em vigor até este ano) e duas estrangeiras. Antes, elas eram classificadas de zero a sete, e cada elenco tinha um teto de 43 pontos. Na próxima temporada, não haverá limite.

Como há poucos times em condições de pagar os salários desejados pelas grandes estrelas, muitas ficam sem mercado e optam por ir para o exterior, como Thaisa, atualmente no Eczacibasi Vitra, da Turquia, e Garay, no Guangdong Evergrande, da China. Elas reclamam que não têm liberdade para escolher onde querem jogar, devido à limitação, e se dizem discriminadas, uma vez que só o seleto grupo é ranqueado.

O novo regulamento será adotado por uma temporada e reavaliado. Por enquanto, a CBV diz que não acabará com o ranking, já que os clubes, por maioria, decidiram pela sua manutenção.

Em reunião realizada no dia 14 de março, em São Paulo, oito dos 10 times garantidos na elite debateram o regulamento para montagem dos elencos da temporada 2017/2018. Como não enviaram representantes, Terracap/BRB/Brasília e Rio do Sul foram os únicos que não votaram.

Rexona-Sesc, Dentil/Praia Clube, Genter Bauru, Fluminense, Pinheiros e São Cristóvão Saúde/São Caetano, além do Minas, se posicionaram a favor do ranking, embora alguns tivessem propostas diferentes sobre sua utilização. O Vôlei Nestlé e a Comissão de Atletas, representada pelo ex-jogador Kid, se opuseram. Por decisão da maioria, a CBV manteve a regra, que visa equilibrar o campeonato.