Volei GrandPrix2016 - Brasil x Italia (foto:FIVB/Divulgação)

Brasileiras comemoram ponto na estreia contra a Itália. FIVB quer encurtar o tempo da 'festa' (Foto: FIVB/Divulgação)

Jonas Moura
10/06/2016
06:00
Rio de Janeiro (RJ)

A pressa é inimiga da perfeição. E talvez tenha sido este um dos fatores prejudiciais para a Seleção Brasileira feminina de vôlei na última quinta-feira, na estreia no Grand Prix, ainda que a vitória sobre a Itália por 3 a 1, parciais de 23-25, 25-15, 25-15 e 27-25, na Arena Carioca 1, não tenha escapado.

Concentradas no vestiário do Parque Olímpico da Barra poucas horas antes de a bola subir, as brasileiras foram pegas de surpresa com uma recomendação da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), que não foi bem recebida.

A jogadora que fosse sacar não deveria, após o ponto conquistado pela equipe, comemorar o feito com suas companheiras. A ideia vem sendo debatida há meses e já foi até adotada em outros torneios, mas, para as atuais bicampeãs olímpicas, jogar desta maneira era novidade.

A entidade quer testar partidas mais rápidas para satisfazer a um desejo antigo das televisões, prejudicadas pela imprevisibilidade de duração do esporte. No início, o time seguiu a orientação rigorosamente, mas, aos poucos, retomou a tradição do abraço no centro da quadra, ainda que com certa pressa.

– Não foi fácil. Começamos muito aceleradas para atender ao que foi pedido. Nós temos uma rotina do saque e agora será preciso adaptá-la. Para mim, foi a primeira experiência assim. Ainda não encontramos o timing certo – afirmou a ponteira Fernanda Garay.

"É chato. Fica um jogo muito corrido. Eu não gostei e espero que não vingue. Perdemos o momento de vibração com o grupo, ainda mais depois de um grande rali" Dani Lins

– É chato. Fica um jogo muito corrido. Eu não gostei e espero que não vingue. Falaram assim: "Quando fizer o ponto, já corre para o saque, não vai comemorar". Perdemos o momento de vibração com o grupo, ainda mais depois de um grande rali, quando é bom termos aquele descanso – lamentou a levantadora Dani Lins.

Para uma partida de quatro sets e com boa dose de nervosismo, que quase foi para o tie-break, o objetivo dos organizadores foi cumprido. O "espetáculo" durou 1h43. A meta é que as partidas não ultrapassem 1h50. A recomendação também será feita entre os homens, na Liga Mundial.

O técnico José Roberto Guimarães é a favor da medida e garante que a necessidade de adaptação a um jogo mais corrido não pode servir de desculpa para o desempenho da Seleção, que, para ele, foi abaixo da média.

– A adequação é algo que nós temos de fazer. Podem dar todas as desculpas do mundo, mas temos de jogar com mais atitude se quisermos chegar bem aos Jogos – afirmou Zé Roberto, após o jogo.

"Eu não senti diferença. Para mim, elas comemoram o quanto quiserem. Mas (a mudança) é uma tendência mundial. Temos de nos adaptar" - Zé Roberto

– Elas, por estarem participando do jogo, podem ter achado ruim. Eu não senti diferença. Para mim, elas comemoram o quanto quiserem. Mas (a mudança) é uma tendência mundial. Temos de nos adaptar – completou o comandante.

Após um primeiro set complicado, em que a Itália deu trabalho com a jovem oposto Egonu, de 17 anos, o Brasil acordou. Empatou a partida em seguida e parecia até encaminhar a vitória.

Na última parcial, um susto. A reserva Diouf, que havia saído do banco, foi arma poderosa para quase levar a disputa ao tie-break. Uma reação no bloqueio, que rendeu 17 pontos às brasileiras no total, fez as donas da casa selarem a virada.

Nesta sexta-feira, a Seleção encara o Japão, às 14h10, no mesmo local, que será palco do basquete masculino na Rio-2016. As asiáticas estrearam com triunfo por 3 a 0 sobre a Sérvia. E Zé Roberto espera uma mudança de postura.

– Antes, só tínhamos disputado amistosos. O time tem muito a melhorar, tanto em bloqueio, como defesa, saque e passe. Iremos nos adaptando ao longo do torneio – disse a ponteira Natália, maior pontuadora na estreia, com 16 acertos.

O último compromisso do time na capital fluminense será contra a Sérvia, domingo. Depois, o grupo viaja para Macau (CHN) e Ancara (TUR), na sequência da primeira fase. Para o Grand Prix, Zé pode inscrever 14 atletas em cada etapa. Na Olimpíada, ele terá apenas 12 à disposição.

Contra o Japão, time terá mudança

Para o duelo contra o Japão, Zé Roberto afirmou que mudará a escalação da equipe, como parte da estratégia de testar todas as jogadoras com foco na Olimpíada do Rio. A central Fabiana dará lugar a Thaisa. Juciely, que briga por uma das vagas da posição na Rio-2016, seguirá no time por enquanto.

As ponteiras Natália e Fernanda Garay devem seguir na equipe principal, mas a jovem Gabi entrará aos poucos no decorrer da competição, assim como Jaqueline, que só estreia na semana que vem.

– O Japão não tem tanta exuberância de ataque nas bolas altas como a Itália, mas essas escolas são importantes para termos uma ideia do que serão os Jogos – afirmou Zé.