Bernardinho

Bernardinho não se acalma à beira da quadra nem quando o Rexona lidera o placar (Foto: Divulgação)

Jonas Moura
04/04/2016
08:05
Rio de Janeiro (RJ)

Rotular Bernardinho de “desequilibrado” pelos “ataques” do técnico com as suas jogadoras soa como uma contradição diante da realidade dos fatos, se bem analisados.

Após o 11º título da Superliga, o Rexona-Ades deu nova prova de que é a equipe mais bem preparada do Brasil no aspecto emocional. Não é absurdo concluir que isso só acontece graças a uma boa cabeça do seu treinador.

Não é apenas a sequência de títulos e a hegemonia em nível nacional que surpreendem: o time se diferencia por quebrar um paradigma do vôlei feminino do Brasil.

O país das antes “amarelonas” e do “vexame” de Atenas-2004, ou dos “fracassos” dos Mundiais de 2006 e 2010 contra a Rússia, dá aula no quesito poder de reação nas mãos do treinador. A final contra o Dentil/Praia Clube é só um exemplo.

Em âmbito internacional, o primeiro a superar os clichês acima foi José Roberto Guimarães. Ao conduzir o Brasil ao bicampeonato olímpico, Zé pôs a Seleção em patamar de respeito frente às outras nações. Mas o fator psicológico ainda preocupa.

A Superliga mostrou que a maioria dos times tem dificuldade de lidar com cenários de pressão, mesmo em vantagem confortável no placar. Um contra-ataque perdido, um saque errado, um ace do rival e pronto. O que era jogo na mão vira o fardo mais pesado do mundo. Menos no Rexona.

Na semifinal, a equipe saiu atrás na série contra o Vôlei Nestlé. No segundo jogo, chegou a perder a segunda parcial por 21 a 16, ficando a quase um set de ser eliminada, mas reverteu e despachou o oponente no terceiro jogo.

Na decisão de domingo, deixou escapar o controle no segundo set e, na terceira etapa, perdia por 23 a 18. Mas virou de novo!

E não é de hoje que isso acontece. Em 2008/2009, o Rexona caiu no primeiro duelo da semi contra o extinto Brasil Telecom, de Brusque (SC), mas reverteu um 2 a 0 contra no confronto seguinte. Depois, virou a série e faturou a taça.

As peças em quadra mudaram, mas a competência fora dela é a mesma.

A capacidade de não se intimidar, mesmo quando tudo parece conspirar a favor do adversário, é uma das maiores lições que os times comandados por Bernardinho e sua comissão técnica deixam.

Que o exemplo sirva para inspirar os oponentes que tentam quebrar a hegemonia atual. O Praia Clube, com o competente Ricardo Picinin à frente de um projeto sério e de longo prazo, já deu o primeiro passo.

* Jonas Moura é repórter do LANCE!