Leandro Vissotto só marcou um ponto de ataque na partida contra Porto Rico (Foto: Thais Llorca/EFE)

Leandro Vissotto só marcou um ponto de ataque na partida contra Porto Rico (Foto: Thais Llorca/EFE)

LANCE!
05/02/2016
16:08

A atual gestão da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), liderada pelo presidente Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca, criou uma nova política na instituição que visa a beneficiar clubes e federações responsáveis pela descoberta e pelo desenvolvimento de atletas de quadra que se transferem para o exterior. Com a novidade, o valor arrecadado com a taxa de 10% das transferências passa a ser dividido e entidades filiadas à CBV já receberam os primeiros repasses.

O total arrecadado pela Confederação Brasileira com as transferências internacionais até 23 de dezembro de 2015 foi de R$ 1.911.513,08 - deste montante, foram 189 transferências, sendo 115 de atletas do naipe masculino e 74 do feminino. Desta verba, diz a regra que recebe o repasse em cada transferência internacional a primeira federação, o primeiro clube, a última federação e o último clube do atleta em questão - com exceção dos casos em que não haja vínculo com o último clube (quando o jogador se transfere após o término da vigência contratual ou já esteja jogando no exterior).

Alguns exemplos clássicos envolvem grandes nomes do voleibol brasileiro como Sheilla, atualmente na Turquia, e Leandro Vissotto, que joga no Japão. Mackenzie, de Belo Horizonte (MG), e Flamengo, do Rio de Janeiro (RJ), foram os clubes responsáveis pelo trabalho de iniciação desses atletas e receberam, assim como as federações de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, os devidos repasses.

A cada ano será verificado o valor total arrecadado com a janela de transferência internacional, que acontece entre outubro e maio, e os repasses serão realizados novamente. A divisão será sempre a mesma: 50% serão rateados pela cadeia produtiva da modalidade: 20% para o clube do primeiro registro do atleta transferido, 20% para a federação à qual o primeiro clube é filiado, 30% para o último clube do atleta transferido e 30% para a federação à qual o último clube é filiado; os outros 50% de receita para os projetos de desenvolvimento da CBV (Museu, Pós-Carreira, VivaVôlei, Universidade, Cursos de Desenvolvimento).

A ajuda vem sendo muito bem recebida por todos. Segundo o presidente da Federação Mineira de Voleibol, Carlos Rios, esta é uma forma justa de prestigiar os formadores de atletas.

- Esse sempre foi um problema para os clubes formadores. Afinal, eles faziam o atleta que, quando despontava, não trazia benefício algum para eles. Agora, essa política é o reconhecimento do voleibol aos clubes que ainda formam atletas, além de ser uma motivação, um incentivo, para que eles continuem com esse trabalho - opinou Carlão.

O presidente da Federação Mineira fez questão de destacar ainda mais a importância da nova política de transferência internacional criada pela CBV.

- A categoria de base tem que ser valorizada e, pela primeira vez na história do voleibol, há esse reconhecimento ao trabalho que é feito lá no primeiro degrau de uma carreira - complementou Carlão.

Os clubes também comemoram a ação. Segundo o Diretor Executivo de Esportes Olímpicos do Flamengo, Marcelo Vido, essa é uma notícia extremamente positiva.

- Em primeiro lugar, recebemos isso como um grande reconhecimento aos clubes formadores. Sentimos que há um número cada vez menor de clubes que investem nesse trabalho, por uma série de motivos, e essa política de transferência pode fazer muitos deles repensarem a possibilidade de formar atletas - comentou Marcelo Vido.

O dirigente do Flamengo ainda falou sobre o destino do repasse que seu clube receberá.

- Tudo isso é uma cadeia. Essa verba que entrará será toda destinada à formação e nós vamos continuar nessa luta, nesse trabalho de fazer surgir novos valores para o voleibol - concluiu Marcelo Vido.