Henrique - Vasco (foto:Cleber Mendes/LANCE!Press)

Henrique (à direita) fez o gol que salvou o Vasco do rebaixamento em 2004 (foto:Cleber Mendes/LANCE!Press)

Felippe Rocha
15/11/2015
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

É quinta-feira, às 22h. Falta pouco para o Vasco, em São Januário, enfrentar o Corinthians. É um duelo importante da equipe que luta contra o rebaixamento contra o virtual campeão brasileiro. O desafio é grande? Sem dúvida. Mas a história é favorável ao Cruz-Maltino. Há onze anos, a situação era bem parecida, e o herói daquela tarde vestia a cruz de malta. Detalhe, o quase campeão acabou com o vice-campeonato - o título ficaria com o Santos, que venceria o próprio Vasco na última rodada. 

O visitante da vez era o Atlético-PR, e a rodada era a penúltima do Campeonato Brasileiro de 2004. O cabeceio de Henrique resultou no gol da vitória que livrou o Gigante da Colina da degola.

– O sentimento foi de raiva na comemoração. Foi uma semana de provocação e trabalho. Tensa. Não queríamos manchar o currículo e algumas coisas foram divulgadas nos provocando. Mas o cabeceio foi um tiro – lembra, ao LANCE!, o ex-zagueiro, que hoje trabalha como auxiliar técnico.

Henrique sabe que a situação do Vasco, em 2015, é difícil. Ao mesmo tempo, lembra que a pressão sobre os jogadores, na época em que ele jogava era bem maior. E o resultado, por isso mesmo, pode, sim, ser positivo para o Vasco.

– O cenário era bem parecido, mas a gente tinha uma quantidade de jogos menor a disputar (hoje faltam quatro jogos, enquanto 11 anos atrás, o jogo foi na penúltima rodada). Nossa pressão era muito maior. Ainda tem chance de escapar. São momentos parecidos e números de jogos diferentes.

A Colina Histórica estava lotada naquela partida decisiva, assim como a expectativa para a partida de quinta-feira, neste Brasileiro. Para quem acha difícil, Henrique esta aí para provar que, por maior que seja o desafio, a história está sempre disposta a conceber novos heróis.

ROTINA DE HERÓI

Por incrível que pareça, aquele gol de cabeça de Henrique, no Brasileiro de 2004, não foi o primeiro que livrou o Vasco de um rebaixamento. Na temporada anterior, o cabeceio foi na outra baliza do mesmo São Januário. O adversário era o Figueirense, que estava no meio da tabela naquela antepenúltima rodada.

– Eu estava acostumado a fazer gols. Em 2003 eu fiz também. Foi um momento de menos intensidade, porque era contra o Figueirense, que não lutava por nada – recorda o ex-zagueiro, decisivo, portanto, em dois anos consecutivos.

Na reta final desta temporada, a diretoria do Vasco, comandada por Eurico Miranda – que presidia o clube também no início da década passada –, conseguiu quitar os débitos pendentes. Jogadores e demais funcionários do Cruz-Maltino, estarão, até o fim do Brasileiro, com os salários em dia. Situação bem diferente da relatada por Henrique, ao LANCE:

– Na época, estava faltando pagamento. Fomos para o combate com dinheiro atrasado, mas acertaram no final. Palavra da diretoria se cumpriu. Todo mundo passou férias e vencimentos no banco – explicou.