David Nascimento
29/10/2016
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

O clima político do Vasco está rendendo nas mesmas proporções que a situação do time em campo na luta pelo retorno à elite do futebol brasileiro em 2017. O presidente Eurico Miranda vem sendo alvo de protestos seguidos dos torcedores e o clube tomou algumas atitudes. Entretanto, como não foram bem observadas, tendem a ser revistas em novembro.

Caso mais recente e polêmico foi a proibição do Vasco das organizadas entrarem em São Januário, desde o jogo diante do Avaí, quarta-feira passada, até o fim do ano com qualquer material alusivo às torcidas. Resultado foi o setor da arquibancada atrás do gol, local o qual normalmente os membros das organizadas ficam nos jogos, ficar vazio.

Vale lembrar, porém, que a atitude não evitou que o mandatário fosse alvo de mais protestos. Logo após o apito final, xingamentos foram ouvidos e teve até briga no setor social, com Eurico Brandão, filho do presidente e assessor especial do Vasco, se envolvendo em confusão que contou até com policiais militares usando spray de pimenta. Os envolvidos foram encaminhados ao Juizado Especial Criminal, mas ficou resolvido que queixa não fosse registrada.

Oficialmente, o Vasco alega que a proibição aconteceu por conta da reação da torcida diante dos árbitros na eliminação para o Santos na Copa do Brasil, quando já após o jogo objetos foram arremessados no gramado. No julgamento, o clube foi apenas multado pela atitude em R$ 5 mil. Entretanto, os protestos na derrota para o CRB, com Eurico Miranda inclusive fechando a janela da sala da presidência, influenciaram nos bastidores para a decisão tomada.

Este recuo, que deve valer já para a partida diante do Luverdense, dia 8 de novembro, é uma tentativa da cúpula de acalmar os ânimos até por conta do Vasco ter em 2017 nova eleição presidencial. Oposição, Roberto Dinamite começou a agir nos bastidores, conforme antecipou o Blog do Janca. Como os resultados em campo não estão agradando, este não seria o momento mais adequado para provocar os torcedores a jogarem contra a equipe, que precisa ganhar cinco em 15 pontos a serem disputados ainda nesta Série B.

Esta relação de amor e ódio dos torcedores com o presidente Eurico Miranda não é de hoje. Mas a hora é decisiva para o retorno à elite seja sacramentado. Precisa-se de todos unidos para o pesadelo da B acabar.

POLÊMICAS

Neste ano
No último mês, contra o CRB, a torcida protestou e Eurico fechou a janela da presidência. Diante do Paraná, notas de dinheiro com seu rosto foram jogadas no desembarque. Contra o Avaí, houve protestos, inclusive nas sociais.

Ano passado
Na goleada que o Vasco sofreu para o Palmeiras por 4 a 1, no BR-2015, um torcedor foi expulso da social em São Januário por ofensas à diretoria. Também no ano passado, na comemoração do título do Carioca, Eurico expulsou convidado que puxou grito de “Casaca!” fora de hora.