Madson

Madson conversou com exclusividade com o LANCE! (Foto: Paulo Sergio/Lancepress!)

David Nascimento
08/05/2016
10:00
Rio de Janeiro (RJ)

A vida de Madson sempre foi corrida na carreira de jogador de futebol. Natural de Salvador, na Bahia, o lateral-direito já dedicou ao esporte 14 dos 24 anos de idade. Enfrentou dificuldades nas categorias de base do Vitória e do Bahia, até chegar ao Vasco no início do ano passado. Neste domingo, às 16h, ele entrará em campo no Maracanã pela segunda partida da final do Campeonato Carioca, onde pode empatar com o Botafogo para levantar mais um caneco no Cruz-Maltino.

Para comentar estes assuntos, Madson conversou com a reportagem do LANCE! em São Januário e abriu o coração. O lateral-direito lembrou da infância, de como era o relacionamento com familiares, até fazer em 2014 um gol justamente contra o Vasco pela Copa do Brasil. Na época, Madson defendia o ABC e viu neste gol como um divisor de águas para que começasse a ganhar destaque no cenário do futebol brasileiro. No Rio de Janeiro, contribui para a invencibilidade atual de mais de seis meses, ou 24 confrontos sem ser derrotado:

– Foi um divisor de águas. O dirigente do Vasco na época já tinha trabalhado comigo. Até chegar ao Rio de Janeiro, passei por alguns momentos no futebol da Bahia, tive algumas dificuldades normais de infância, mas agora estou feliz aqui no Vasco. Com pouca idade, tenho a oportunidade de já conquistar pela segunda vez o título do Campeonato Carioca e isso é muito significativo para mim. Vou batalhar em campo hoje para sairmos campeões do Maracanã. Garantindo mais uma vez o meu nome na épica história do Vasco.

A primeira partida de Madson com a camisa do Vasco foi disputada em 1º de fevereiro de 2015. Foi uma vitória por 2 a 0 sobre a Cabofriense. De lá até os dias atuais, o lateral-direito entrou em campo em 74 oportunidades. Destas, foram 38 vitórias, 20 empates e 16 derrotas. Madson ainda não conseguiu balançar as redes adversárias, mesmo sendo um jogador com características mais ofensivas. Esta história pode vir a mudar nesta tarde.

Confira a seguir a íntegra da entrevista exclusiva dada pelo lateral-direito Madson ao LANCE!:

Como foi a passagem do Madson no Bahia em 2011, quando subiu da base para os profissionais, para o Madson no Vasco neste 2016?
De lá até os dias de hoje, mudei praticamente tudo. Davam pouco por mim, saí do Bahia para o ABC, fiz aquele gol na Copa do Brasil justamente contra o Vasco em 2014, e daquele gol até hoje tudo mudou. A minha visibilidade no cenário do futebol brasileiro é outra, agradeço muito ao Vasco por ter me dado esta oportunidade. Não tenho o que reclamar neste meu início de vida.

No dia em que fez esse gol pelo ABC contra o Vasco em 2014, imaginava um dia defender o clube de São Januário?
Era um sonho, sim. Toda criança tem um sonho de jogar em um grande clube do futebol brasileiro, e eu tinha este sonho com o Vasco. Quando eu fiz o gol, na época o diretor do Vasco era o Paulo Angioni, ele já tinha trabalhado comigo no Bahia, e conhecia o meu trabalho. Pela Copa do Brasil daquele ano, a Série B do Campeonato Brasileiro, o Vasco e outras equipes grandes fizeram propostas por mim. E quando eu soube do Vasco, não pensei duas vezes. E isso me deixa bastante satisfeito até hoje em dia.

Como foi a sua infância? Tinha apoio dos familiares para seguir a carreira no futebol?
Como toda criança, passei a infância jogando bola. O famoso Baba lá na Bahia. Gostava de brincar de futebol diariamente. A minha trajetória no futebol começou muito cedo, eu tinha 10 anos quando entrei para as categorias de base do Vitória. Lembro que na época meus pais não apoiavam muito, era muito jovem, no alojamento tinham garotos de 20, 21 anos. Isso fez com que meus pais ficassem receosos. Mas pedi muito para deixarem eu ir por conta de ser meu sonho desde que me conheço por gente. Sempre pensando em dar um futuro melhor para eles. Graças a Deus eles aceitaram, fui para o Vitória e segui a trajetória que todos sabem.

Como foi ter se transferido do Vitória para o Bahia, os principais rivais de Salvador?
Joguei no Vitória dos 10 aos 15 anos, e nisso acabaram me dispensando. E o mesmo cara que me dispensou, assumiu o sub-15 do Bahia e me convidou. Eu aceitei, Bahia também é um grande clube do Nordeste, e lá fiquei até os 23 anos. Não teve nenhum caso das torcidas contra mim por ter jogado nos dois.

No dia 1º de fevereiro de 2015 você vestiu a camisa do Vasco pela primeira vez. Como foi a sensação ao entrar em campo?
Sensação muito boa. De estar em um grande clube. Lá no Nordeste, enquanto estava no Bahia, sabia da grandeza do Vasco, mas não tinha noção da dimensão. Isso tive apenas quando cheguei aqui. Os torcedores apaixonados, em qualquer lugar do Brasil os aeroportos e estádios estão sempre cheios, o apoio é enorme... Com tudo isso tive a melhor dimensão. Me sinto bem vestindo a camisa do Vasco e espero ficar por muitos anos.

Teve alguma dificuldade assim que chegou ao Vasco? Como por exemplo para se adaptar?
A dificuldade tem de você chegar, o novo sempre se assusta um pouco. Mas eu consegui ter tranquilidade, alguns jogadores do elenco na época me deram isso, consegui conversar. Com o tempo, você consegue ir se acostumando e acaba se adaptando rapidamente, conseguindo corresponder às expectativas de todos por você. Isso me deixa feliz.

Você estava no título do Vasco no Campeonato Carioca do ano passado. E já pode ganhar o segundo caneco na tarde deste domingo diante do Botafogo. Como é ter essa chance com 24 anos?
É um período muito importante para a minha carreira. Todo jogador é marcado no clube conquistando títulos, e eu tenho esta possibilidade de em um ano e cinco meses de clube conquistar duas vezes o Campeonato Carioca, um dos mais importantes do Brasil, com a camisa do Vasco. Vou dar minha vida para ajudar o clube a sair de campo com o bicampeonato.

No Brasileiro de 2015, antes do Jorginho chegar, quando o Vasco começou a sofrer com o risco de rebaixamento, passou o que em sua cabeça?
Depois do Campeonato Carioca do ano passado foi muito complicado, principalmente no primeiro turno do Brasileiro. Foi muito, muito ruim... Acho que fomos rebaixados durante este primeiro turno. E quando o Jorginho assumiu, ele reacendeu esta possibilidade de que poderíamos escapar da queda, colocou na cabeça do elenco a confiança que não tínhamos para jogar, resgatou a gente. Ainda chegamos no fim com chance real de se livrar, mas infelizmente não foi o que aconteceu. Agora é um novo ano, novo projeto, esperamos ir com tudo para a Série B para retornar à elite do futebol nacional e com título.

Falando no Jorginho, qual a importância dele para o Vasco? Ele te dá conselhos em separado?
Para o grupo, Jorginho é querido por todos. Nós ficamos com medo de sair para o Cruzeiro, que fez uma proposta por ele. Mas graças a Deus ele ficou. É um cara muito coerente, todos enxergam isso nele. Se você estiver bem, joga. Se não, ele explica e não te coloca em campo para dar a chance a outro que esteja com um melhor momento. Trata todos igualmente, sem vaidade. É muito importante para todos. Em relação a mim, foi um dos maiores laterais que teve no futebol brasileiro e procuro sempre me espelhar. Me dá alguns conselhos para eu evoluir e conseguir jogar melhor as nossas partidas.

Os torcedores do Vasco e a opinião pública te considera titular incontestável na lateral direita, apesar de ter a concorrência de Yago Pikachu. Como você vê esta situação? Se considera também?
Jamais. Você não pode acomodar nunca. Lógico que já me firmei, são 74 jogos seguidos como titular, mas em clube grande você tem que manter o alto nível sempre. Agora tenho uma concorrência, o Yago Pikachu é um jogador de muita qualidade, provou o seu valor no Paysandu. Sempre procuro evoluir e melhorar para ajudar os meus companheiros.

Como é ter um jogador como o Nenê jogando ao seu lado?
Nenê é um jogador muito importante. Dentro de campo está em uma fase excepcional, é uma pessoa muito experiente, tem o tempo do jogo, sabe a hora certa de acelerar a partida, de controlar a bola, é fundamental para o Vasco. É um dos pilares da equipe. Ele saiu muito cedo aqui do Brasil, lembro que assisti a alguns jogos dele no PSG, da França, acompanhei também a passagem no West Ham, da Inglaterra, antes de ele vir para o Vasco, é diferenciado. Ainda bem que está aqui do nosso lado. Tenho o prazer de jogar ao lado dele.

O Vasco chega neste domingo na final do Campeonato Carioca invicto há seis meses, ou para sermos exatos 24 partidas. Para você, a que se deve alcançar esta marca?
É por conta de muito trabalho de todos os jogadores, funcionários, comissão técnica e diretoria. Não deixar a peteca cair, o Jorginho sempre fala isso. Você chegar ao topo é fácil, difícil é você se manter jogando em alto nível. Graças a Deus estamos nos mantendo e jogando em alto nível há algum tempo, das últimas 35 partidas perdemos somente duas. Mas isso vale destacar não enche muito os nossos olhos, queremos conquistar sim os títulos, isto que é importante. Invencibilidade é bom, dá uma confiança dentro de campo, que a gente consiga manter mais tempo.

Neste domingo o Vasco pega o Botafogo e precisa apenas de um empate para garantir o bicampeonato do Carioca. Vocês avaliam qual ponto do adversário desta final como a maior dificuldade?
Dos três clássicos que temos aqui no Rio de Janeiro, com Flamengo, Fluminense e Botafogo, é justamente o Botafogo que temos a maior dificuldade. É o jogo mais chato (risos). É por jogarem totalmente diferente das outras duas equipes, ficam com duas linhas de quatro e dois atacantes bem enfiados nos nossos zagueiros, tentando não ter sobra. Sempre fica um jogo de risco, no “mano a mano”. Por terem jogadores não muito conhecidos, não tiveram grandes nomes contratados, e com isto quem está lá quer buscar o nome no cenário do futebol nacional e dão a vida em campo. Será difícil, mas o Vasco está ciente do que precisa fazer. Trabalhamos muito bem durante a semana. Esperamos no domingo entrarmos bem concentrados para levantar o bicampeonato.

Com o Campeonato Carioca chegando ao fim, o Vasco tem a partir de amanhã a sua atenção voltada para a Copa do Brasil e a Série B do Brasileiro. O Vasco chegará como favorito nestas duas competições?
A Copa do Brasil é um objetivo, a diretoria já nos passou isso e nós do elenco já entendemos. É uma chance boa de chegarmos no fim do ano em uma Copa Libertadores e o acesso para a Série A, a partir da nossa campanha na Série B. Na Segunda Divisão é mais do que obrigação conquistarmos o título, retornarmos à elite nacional com os pés nas costas, pelo tamanho do Vasco. Sabemos as dificuldades existentes na Série B, todos os times que vierem enfrentar a gente terão espírito para ganhar, sabem da vitrine que é jogar contra o Vasco. Temos a consciência de que podemos fazer um grande ano.

Como você define a relação com os torcedores do Vasco?
A torcida do Vasco é excepcional. É uma torcida que arrepia. Na última vez que fomos para Manaus, foi uma coisa de louco. Centenas de torcedores acamparam para ver a gente, ficaram na frente do nosso hotel, quando íamos jantar, víamos da janela. Quando vamos treinar, sempre com a torcida marcando presença. Torcida que dentro dos jogos incentiva do início ao fim. Admiro muito todo o pessoal.

Como você se vê daqui a dez anos? Ainda atuando como jogador de futebol no Brasil?
Daqui a dez anos, assim, falar do futuro é muito tempo (risos). Espero ficar muito tempo aqui no Vasco, tenho alguns objetivos, espero um dia ainda ser convocado para a Seleção Brasileira. Tenho um sonho de criança, que acho que todo pequeno tem esse sonho, que é de jogar um dia em um grande clube da Europa. Fazer a minha independência financeira também, é um ponto importante, para depois conseguir ter uma vida consolidada. É trabalhar e o resto que Deus possa me ajudar a conquistar os objetivos.

Na sala de imprensa de São Januário há uma linha do tempo contando a história do Vasco, desde o início no futebol, passando pelas conquistas e deixando registrado como é importante a história do clube. O que você tem a falar olhando para esta linha do tempo?
A história do Vasco. Apenas jogadores consagrados, todos conquistaram títulos importantes por este clube, aqui no estádio... Como falei anteriormente, o que marca jogador é título, eu já consegui entrar na história depois do título do Campeonato Carioca do ano passado, depois de mais de dez anos sem conquistar o Estadual, e tive esta oportunidade de estar no elenco que conquistou o título. Espero seguir assim, grandes nomes são lembrados por títulos. Vou lutar com todas as minhas forças para ter uma foto minha nesta linha do tempo.

Por fim, qual é o recado que você deixa aos torcedores do Vasco? O que podem esperar de você e do time nesta decisão?
A gigante torcida do Vasco pode esperar muita garra, concentração e determinação de todos os jogadores do Vasco. Vamos entrar em campo da mesma forma que entramos em todos os jogos disputados até aqui, visando conquistar o nosso primeiro objetivo em 2016, que é o título do Campeonato Carioca. Vamos dar as nossas vidas para recompensá-los por caminharem junto com o grupo. Vamos fazer de tudo para sair do Maracanã com mais este título.