Jorginho no primeiro dia de coletiva do Vasco em 2016

Jorginho falou sobre os planos para 2016 (Foto: Wagner Meier/Lancepress)

David Nascimento e Matheus Babo
07/01/2016
11:53
Rio de Janeiro (RJ) 

O ano começou em São Januário. Depois de um primeiro dia de muita conversa, os jogadores iniciaram os exames médicos e testes físicos para 2016 e o técnico Jorginho atendeu a imprensa após o trabalho nesta quinta-feira e comemorou o fato de iniciar um trabalho desde a pré-temporada, coisa que só aconteceu na carreira dele em duas oportunidades: no América, em 2005, e no Figueirense, em 2011.

- É uma pressão diferente para 2016. Quando cheguei aqui, era uma situação muito diferente, totalmente difícil. Não podíamos perder e sem a possibilidade de dar uma cara ao time. Mesmo quando conseguimos usar um 4-4-2 num losango. Foi mais um trabalho motivacional. Esse ano posso iniciar um trabalho, montar algumas formações táticas para essa equipe. Precisamos ser protagonista. É uma situação diferente do Brasileiro do ano passado. Temos que treinar. É muito melhor começar um trabalho. Os dois únicos trabalhos que tive a oportunidade de iniciar foi no América-RJ em 2005, chegamos na final da Taça Guanabara e no Figueirense em 2011, onde fizemos uma excelente intertemporada e conseguimos um trabalho maravilhoso. É bom começar um trabalho - explicou o treinador.

O treinador ainda falou sobre a busca de um atacante de área para a temporada. A prioridade da diretoria é contratar um camisa 9 para fechar o elenco pelo menos neste início de preparação. Jorginho já indicou alguns nomes, mas a diretoria esbarrou na alta pedida salarial destes jogadores:

- Precisamos de um atacante de área. É um pedido meu. É uma necessidade do elenco. E de repente uma posição ou outra. Temos trabalhado com uma parceria muito forte com a diretoria. Entendemos o momento do clube, os problemas financeiros. Vamos seguir lado a lado nesse processo.

CONFIRA OUTROS TRECHOS DA COLETIVA

ELENCO - BASE MANTIDA - PIKACHU E MARCELO MATTOS
Estamos caminhando para manter boa parte da nossa base, vamos dizer assim e isso está sendo muito importante. Terminamos o campeonato com um grande possibilidade de permanecer na primeira divisão. Era importante manter a base e isso foi pedido a diretoria. Sabemos do assédio que muitos jogadores estão sofrendo e por um lado me alegra muito. Normalmente, uma equipe que desce para a segunda divisão, não sofre tanto assédio.

NENÊ
Conversei com ele antes de entrar de férias, ele falou muito da vontade de permanecer. Futebol é momento. Tem um acordo de cavalheiros, por uma saída só para o exterior. É maravilhoso para ele. Sabemos como está complicado o mercado, principalmente o da China, então vamos aguardar. Contamos com ele.

Jorginho coletiva Nenê
Mesmo com muito assédio, Jorginho comenta permanência de Nenê no Vasco


COPA DO BRASIL
Nossa obrigação é o acesso. Antes mesmo da Copa do Brasil, nossa prioridade é o Campeonato Carioca. O treinador precisa de resultado e o Carioca para mim é fundamental. Até para iniciar o trabalho de forma diferente. Agora estamos tendo a possibilidade de iniciar o trabalho. Entendemos o quanto foi importante o Mateus Pet subir. Nesse um mês e meio, o quanto ele cresceu tecnicamente, amadureceu. Isso nos motivou a pegar esses jogadores a fazer a pré-temporada e a manutenção no time depende deles. A escalação fica por conta do atleta. Se um atleta desse se destacar, utilizaremos ele. Se houver a necessidade, mesmo se destacando, de descer para o juniores ou sub-17, nós faremos.

MARCELO MATTOS
Existem momentos e acontece isso. Foi uma oportunidade que apareceu para a diretoria. Fui consultado em relação a isso. Normalmente traçamos um perfil para esas posições. É um nome experiente, jogador vencedor, com uma boa idade. É um cara guerreiro dentro de campo. Analisamos e vimos que estava dentro dos padrões que a gente queria.

CALENDÁRIO - COMO ESTÁ O ELENCO HOJE?
O ataque é a nossa prioridade. Precisamos mesmo desse nome. A diretoria está incansável em relação a isso. Já tivemos alguns nomes sondados, analisados, mas que estavam fora dos padrões financeiros do Vasco da Gama nesse ano. Acreditamos que algumas contratações vão acontecer. Como nós falamos, pontualmente. Acreditamos que temos uma boa base aqui e que alguns jogadores das categorias de base pode nos surpreender.

CARIOCA
Todo campeonato, o cara que tem o esporte na veia, a gente entra para ganhar. Sabemos quanto o Carioca é charmoso, importante, há uma rivalidade. A Copa do Brasil nos levaria a um outro patamar neste ano. Ninguém consegue subir só porque tem camisa. Tem time. Temos que trabalhar no dia a dia, forte e precisamos demonstrar com trabalho, seriedade e fazer com que essa equipe compreenda quem ela é, para realizar grandes jogos e conseguir os títulos.

NOMES NA CABEÇA PARA A CAMISA 9
Tenho. Sempre tive. A diretoria também. Temos um perfil, passamos para a diretoria, temos os analistas de desempenho, mas esbarramos até agora na questão financeira.

Jorginho coletiva centroavante
Jorginho comenta planos do Vasco para ter um centroavante em 2016


YAGO PIKACHU
É um jogador que já venho acompanhando há algum tempo, por ser da minha posição, apesar de ter características diferentes. É um lateral que pode fazer várias funções. Jogar mais no meio, até aberto pela ponto.

MONTAR O TIME DE FORMA DIFERENTE
Tem que manter o espiríto que tinha ano passado. Não podemos andar para trás. Se conseguimos nos mobilizar daquela forma e acreditar que era possível, temos que manter. Vamos disputar três campeonatos e temos o objetivo de chegar na frente em todos. Não vou mudar a forma de jogar, mas precisamos ter o nosso padrão, para poder ter alterações táticas, até no mesmo jogo. Jogar em algumas formações como 4-4-2, 4-2-3-1, 4-1-4-1. Esse período em Pinheiral vai ter como prioridade a parte técnica e tática. Vamos treinar muito a parte tática.

PRIMEIRO CONTATO COM OS JOGADORES
Normal. Todos se abraçando, desejando um feliz ano novo, momento mais descontraído, todo mundo motivado. Isso é muito bom. É um momento que eu gostaria muito de trabalhar já. Existe um protocolo a ser seguido, principalmente os exames a serem feitos, então não dá para acelerar muito.

MEDO DE PERDER O NENÊ?
Medo não. Por outro lado ficamos muito felizes pelo jogador. Era um cara pouco conhecido no Brasil, conhecemos a história dele fora. Fazer parte desse sucesso dele é muito legal. As oportunidades aparecem, mas ele está entendendo o que ele hoje representa para o Vasco dentro do futebol brasileiro. A saída dele pode acarretar na diferença da forma dele de jogar, tudo que nós fizemos para que ele pudesse ter esse tipo de atuação. Ele é um grande profissional. É bom ter o Nenê aqui. Se por acaso, acontecer essa situação, vamos trabalhar para reinventar o time.

GUIÑAZÚ
Todo jogador que está aqui e tem contrato vigente com o clube, ele vai fazer parte do meu planejamento. Segunda-feira, quando decidirmos quem vai para Pinheiral, nós vamos ver quem vai estar conosco para a temporada.

ANÁLISE FUTEBOL CARIOCA
É o momento. Já aconteceu em outros momentos não ter nenhum paulista na Libertadores, tivemos momentos seguidos em 2009/10 que foram os Cariocas que ganharam o Brasileiro. Eu tenho que analisar o Vasco, estar preocupado com o Vasco. É muito de momento. Em termos de estrutura física, não apenas o paulista, o mineiro, o gaúcho, já se estruturaram. Alguns clubes aqui do Rio estão em busca disso. O Vasco está em busca disso, mas isso não impede a realização de um bom trabalho.

ELENCO INCHADO - MUITAS CONTRATAÇÕES EM 2015
Ideal, ideal mesmo é trabalhar com 30 jogadores, incluindo o goleiro, mas sabemos que pode acontecer a uma variação. Não quero permitir que isso aconteça, porque acho que foge do controle. Fica difícil trabalhar. Eu vi quanto foi trabalhoso manter 43 atletas focados. Eu tenho a felicidade de ter um auxiliar como o Zinho e ele contribuiu muito.

CONTATO COM A MOLECADA
Primeiro de tudo é a questão da fidelidade. Temos que entender o quanto devemos honrá-la. Precisamos ter fidelidade e compromisso aonde nós estamos. No dia a dia, tem que ser essa troca de ideias, que vamos ter com esses atletas. Eles tem que ver o profissional dedicado, como o Rodrigo, com 35 anos, que é o primeiro a chegar, último a sair, é o capitão da equipe. É isso que queremos passar para esses atletas. O Branco, que era nosso filósofo na Seleção, dizia que o futebol era como um viaduto, um dia está em cima, outro lá embaixo.

Já vou começar o ano falando um pouquinho do Thalles. Quer investir na vida dos seus familiares. Investe na educação. Se eu tivesse investido na educação, todos os meus irmãos estariam formados. Com certeza hoje a vida deles seria diferente. Invistam nas suas famílias. Invistam na educação.

EXISTE PRAZO PARA CHEGADA DE REFORÇOS
Tem o ideal e a realidade. O ideal seria que eles chegassem antes da segunda-feira, mas nem sempre trabalhamos com o ideal. Aí a gente aprende a se virar nos 30. Nossa experiência de vida, eu citei o América aqui. Fiz peneira. Tive que contar com jogadores quase que parados, como Válber, Robert. O Márcio Santos, zagueiro, chegou a treinar, mas viu a situação e desistiu. Estamos em busca desse atacante de área, mas se não acontecer, podemos fazer um grande campeonato carioca mesmo assim.