LuAndrade

Por conta de uma queda, a segunda no ano, a joqueta Lu Andrade ficará mais alguns dias afastada das atividades (Sylvio Rondinelli)

LANCE!
12/07/2016
07:25
Rafael Cavalcanti

Ser leve, peso pluma, e ter muita coragem para montar um Puro Sangue Inglês de cerca de 450 quilos e que alcança até 70 quilômetros por hora são algumas qualidades de um bom profissional que sonha com a carreira de jóquei deve ter. Os riscos na raia, a rotina desgastante e a alta competitividade acompanham o dia a dia destes profissionais que escolheram seguir a dura profissão.

A carreira de um profissional das rédeas começa cedo, aos 14 anos, quando ingressa na Escola de Profissionais do Turfe. Internos na Gávea, os alunos aprendem com os ex-campeões José Machado e Marcelo Cardoso a difícil arte de montar um cavalo de corrida. Após aprovação nos testes, são liberados para montar, ainda como aprendizes. Pelo início difícil, começam descarregando peso, quatro quilos mais leves que os adversários, sendo preteridos pelos treinadores. Por tempo e vitórias (18 meses e 60 vitórias) perdem a descarga de peso progressivamente e passam à categoria de jóquei. Porém, nem todos completam este difícil percurso.

“Aqui na Escola ensinamos 70% da parte técnica, o resto eles aprendem na raia”, comenta Machadinho, que já preparou inúmeros campeões, como Leandro Henrique, que largou a família em Pernambuco com apenas 16 anos e já entrou para a história como o primeiro aprendiz a vencer uma estatística.

“A responsabilidade, o comprometimento, aprimoramento da parte técnica e até a alimentação junto ao nutricionista: todos estes fatores são trabalhados durante o tempo em que passam como aprendizes”, complementa o instrutor da Escola, o craque Marcelo Cardoso.

Rotina começa na madrugada e entra pelos finais de semana

São 4 horas da manhã no Rio de Janeiro. Faça chuva ou sol, é a hora do jóquei levantar e ir rumo aos matinais trabalhar os cavalos na raia, onde estão também as melhores oportunidades de montaria para o final de semana. Muitos jóqueis, durante a semana, sobem para os centros de treinamento, localizados nas serras, para exercitar os cavalos. Os melhores corredores são mantidos no clima ameno das serras. O trabalho matinal é chave para conquistar montarias.

Após o treino, que acaba às 8h, é hora de descansar. Mas, para muitos, não é possível relaxar. Antes das corridas, nos finais de semana, por exemplo, é preciso suar muito ainda para perder um, dois e até três quilos para chegar com o peso ideal.

Um trabalho que cansa só de assistir: corrida na raia vestido de camisa de manga comprida e gola alta e com o corpo coberto por um plástico; ou horas a fio na sauna, para perder líquido. Isso sem falar do uso de diurético por alguns. Tudo para cumprir o peso limite, conforme o nível técnico do páreo e do cavalo.

Nessa toada, muitos campeões perderam a luta contra a balança e penduraram de vez o chicote, como Juvenal Machado da Silva, um dos maiores de todos os tempos. José Ferreira dos Reis, o Reisinho, que ficou mais conhecido como jóquei do craque Itajara, venceu cerca de 100 provas clássicas, das 1.000 que levantou, mas perdeu esta batalha precocemente, ainda aos 33 anos.

“O jóquei precisa estar bem disposto, bem preparado fisicamente, com reflexo aguçado para tomar a decisão certa no páreo. Sem se alimentar bem ou cansado de tirar peso, essa tarefa fica muito mais difícil”, comenta.

Os jóqueis, que em geral em geral recebem 10% do prêmio pago ao proprietário (recebem até a quinta colocação), são pesados antes e depois de cada disputa.

Como se não bastassem todas as dificuldades da profissão, o perigo de um acidente é permanente, a cada vez que entram na raia. “É o único esporte em que uma ambulância vem atrás dos atletas. Todo profissional que monta um cavalo de 500 quilos a 80km por hora deve ser respeitado”, disse Luiz Rigoni, um dos maiores jóqueis de todos os tempos, falecido há alguns anos, em entrevista ao site JCB.

Diz o ditado que imagens valem mais que mil palavras. Confiram, então,  os vídeos postados no site do Jockey, sobre quedas impressionantes, ou reportagem do Marcelo Smigol sobre a profissão, uma das mais encantadoras do mundo turfístico, e que merece todo o nosso valor e admiração.