icons.title signature.placeholder Jonas Moura
19/02/2015
08:00

Antes mesmo das primeiras tacadas na bola amarela, Andreas Haider-Maurer chama a atenção de quem acompanha o Aberto do Rio de tênis, no Jockey Club, no Rio de Janeiro. Em um esporte tão marcado por regras de etiqueta, o austríaco de 27 anos exibe com orgulho uma tendência pouco comum no meio: as tatuagens.

Elas bem que poderiam ser o único chamativo do atleta, que, com a atual 74ª colocação no ranking da ATP, nem mesmo se apresenta como o tenista mais bem posicionado do país (ele está atrás de Domimic Tiem, o 48º).

Mas na última quarta-feira Maurer surpreendeu ao público a até a si mesmo ao eliminar o espanhol Tommy Robredo (18º) por 2 sets a 0, parciais de 6-3 e 6-2, garantindo vaga nas quartas de final do torneio, de nível ATP 500.

Nascido em Zwettl, o tenista pegou cedo o gosto pelas quadras. Diz que não houve um dia em que não praticasse o esporte desde que passou a levar a modalidade a sério, aos dez anos. Mas sua carreira não é marcada por feitos de expressão.

Desde que se tornou profissional, em 2005, ele somou apenas 28 vitórias e 44 derrotas no circuito. O ápice foi a final do Torneio de Viena, em 2010. Na ocasião, a Áustria voltava a ter dois representantes na decisão após um hiato de 22 anos. Maurer perdeu para Jurgen Melzer (84º).

– Joguei bem contra um bom tenista, que é o Robredo. Agora, vou focar nas quartas, mas foi uma sensação incrível. Sou o 74º no ranking, então cada rodada é importante – disse Maurer, que vai enfrentar João Souza, o Feijão (88º), que passou pelo esloveno Blaz Rola (92º).

O jogador tem tatuagens nos dois braços. No esquerdo, diz que estão representados nomes de familiares e o horário exato em que nasceu. O direito evidencia um gosto por astrologia, com um símbolo que representa seu signo do zodíaco, áries.

– Gostaria de fazer outras, mas minha namorada não gosta (risos). Fiz a da direita há oito anos. A última, ano passado. Acham totalmente diferente por eu ser tenista. Algumas pessoas dizem que é legal, outras falam que tenho tatuagens demais. Mas eu gosto – afirmou.

Depois de derrotar o espanhol Albert Ramos-Vinolas (68º) na estreia, segunda-feira, e surpreender Robredo, Maurer volta a jogar nesta sexta-feira contra o brasileiro. E quer impressionar mais dentro de quadra do que fora dela.

BATE-BOLA

Andreas Haider-Maurer, em entrevista exclusiva ao LANCE!Net

‘Vi muitas pessoas festejando o Carnaval, mas só fiquei na quadra de tênis’

O que tem a dizer sobre o João Souza, o Feijão, seu possível adversário nas quartas? Ele vem de semifinal no Aberto do Brasil...

Conheço ele, já jogamos muitos Challengers e treinamos juntos na Colômbia. Acho que nunca enfrentei o Souza, mas o conheço bem e sei que terei que me preparar para enfrentá-lo. Ele se sentiu muito confiante de jogar com o público a favor em São Paulo. Aqui será igual.

Não é novidade para você jogar no Brasil. O que diz sobre o país?
Sim, jogo bastante no Brasil, em São Paulo. Gosto das condições, do clima. Mas acho que nunca havia atuado tão bem no país como hoje (quarta) aqui no Rio.

Conseguiu ver um pouco do Carnaval? Ficou curioso para conhecer melhor a festa de perto?
Estou o tempo todo nas quadras de tênis ou no hotel, então de forma alguma pude participar e ver de perto o Carnaval. No caminho para o hotel, vi muitas pessoas festejando, e me pareceu ser uma época bem especial aqui no Brasil. Mas eu realmente me limitei às quadras e ao quarto (risos).

Como foi o seu início no tênis e qual foi o momento mais marcante na carreira?
Comecei a praticar o esporte com sete anos, mas a coisa ficou séria a partir dos dez. Desde então não tem um dia em que fico sem jogar. Meu momento mais marcante foi a final do Torneio de Viena, em 2010, que considero especial.