icons.title signature.placeholder Rodrigo Vessoni
12/07/2014
14:22

Carlos Bilardo se tornará neste domingo uma espécie de Zagallo argentino. Se o Velho Lobo participou dos cinco títulos brasileiros da Copa do Mundo, o hermano participará da terceira decisão da competição com a Alviceleste.

Gerente geral da atual seleção, Bilardo foi o treinador da equipe no título de 86, no México, e exerceu a mesma função na campanha do vice campeonato quatro anos depois, na Itália. Seleção argentina numa decisão de Mundial sem ele? Apenas em 1978. Na ocasião, ele comandava o América de Cali (COL) e viu seus compatriotas comemorarem o título em casa.

O dirigente apareceu pouco durante a campanha quase perfeita de Messi, Mascherano & Cia. em solo brasileiro. Entrevista coletiva? Nenhuma. Sua função foi administrativa, além de certamente ter ajudado Alejandro Sabella em algumas de suas decisões. Afinal, a parceria entre eles é bastante antiga.

Sabella foi comandado por Bilardo no Estudiantes La Plata na década de 70, onde conquistaram títulos juntos e entraram para a história do clube. Em 2009, de novo, estiveram juntos pelos Pinchas no Mineirão para a conquista da Libertadores em cima do Cruzeiro.

Em 1983, Bilardo escolheu Diego Maradona para comandar a Argentina, e três anos depois ganharia o segundo título mundial no México. Sabella deu a braçadeira a Lionel Messi assim que assumiu em 2011, numa atitude parecida.

Numa das poucas vezes que falou, ao diário “Olé”, Bilardo garantiu que estará no gramado do Maracanã em caso de novo título.

– Na volta (olímpica), me colo e entro (em campo). Entro na fila e tchau. Quem vai dizer ‘Sai daí, Bilardo?’ Desta vez quero tocá-la – afirmou o dirigente, sobre a taça.

Fim da ‘maldição’ da Virgem de Tilcara?

O título mundial no Maracanã findaria uma lenda que assombrou a Argentina nas últimas seis Copas. Lenda essa iniciada, sem culpa, por Carlos Bilardo. Trata-se de uma promessa religiosa feita por ele à “Virgem de Tilcara”, cuja capela está no vilarejo de Tilcara, na Cordilheira dos Andes, província de Jujuy, no México.

Antes da estreia na Copa de 86, ainda durante a preparação para o torneio, o então treinador levou Maradona e outros 13 jogadores à capela e prometeu que, em caso de título, todos voltariam com a taça em forma de agradecimento. A Argentina levantou a taça, mas Bilardo e seus jogadores não voltaram a Tilcara.

Em 2010, houve uma campanha na internet para que Maradona voltasse à capela, mas a visita não aconteceu. O certo é que, desde então, a Argentina não venceu mais. Amanhã acaba a suposta maldição ou o ‘calote regiloso’ não deixará?