icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena
20/11/2013
08:51


Dona Conceição, 77 anos, é figura conhecida entre os pontepretanos. Vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) há três anos, ela se locomove com a ajuda de uma cadeira de rodas e já não vai aos treinos da Macaca com tanta frequência, mas não perde um jogo no Moisés Lucarelli e segue tratando jogadores como seus filhos.

Luis Fabiano, revelado no clube de Campinas, é um dos mais queridos, o que explica a já conhecida frase do atacante: “fazer gol na Ponte é igual bater na mãe”. A mãe, no caso, é a torcedora símbolo do adversário desta quarta, na ida da semifinal da Sul-Americana, no Morumbi.

- Conheci a Dona Conceição logo que cheguei na Ponte. Ela ia quase todos os dias ao estádio, mesmo nos treinos, e todos os jogadores a conheciam. Os conselhos eram de mãe mesmo, era uma pessoa muito querida. Mesmo longe, estou sempre desejando que ela tenha muita saúde. Independentemente desses jogos, ela sabe o carinho que eu tenho - disse o camisa 9, ao LANCE!Net.

- O Luis Fabiano já me deu uma camisa, me abraçou da última vez que veio aqui. Eu gosto dele como se fosse meu filho, quero muito bem a ele, quero mesmo. Ele me chamava de mãe!  - lembrou Conceição, que recebeu a reportagem em sua casa, em Campinas.

A relação dos dois se fortaleceu no fim dos anos 90, quando Luis Fabiano, à época conhecido apenas pelo segundo nome, bateu a cabeça em campo e foi levado ao hospital.

Luis Fabiano jogou na Macaca de 1998 e 2000 (Foto: Ari Vicentini)

- A única que conseguiu vê-lo fui eu. Quando terminou o jogo, perguntei para a turma onde ele estava e corri para lá. O guarda não queria deixar eu entrar, mas o avô dele (Benedito Clemente, que faleceu em 2000) deixou - contou.

Conceição lamenta a má fase do camisa 9 são-paulino, que deve ficar na reserva pela primeira vez desde que retornou ao clube. No entanto, admite que não torce por um gol do “filho” diante da Ponte - ele já marcou sete vezes em nove jogos contra o clube que o revelou e onde deseja encerrar a carreira.

Brincalhona, Conceição abandona o sorriso ao falar sobre alguns assuntos. Ela chorou ao explicar sua difícil situação financeira - que não a impede de gastar R$ 60 com táxi a cada ida ao estádio - e fez careta ao ser questionada sobre o veto ao Moisés Lucarelli para o jogo de volta e o goleiro Rogério Ceni.

- O Rogério é feio, hein? E quer ser o tal! Eu não queria esse homem nem para chupar meu dedão.

Veja um bate-bola com a torcedora símbolo da Macaca:

LANCE!Net: Como é a relação da senhora com o Luis Fabiano?
Dona Conceição: O Luis Fabiano me adora. Rezo muito por ele, mas não vou deixar ele marcar um golzinho... Vou secar a perninha dele. Dessa vez vou rezar para o Baraka. Esse é feio que dói, mas joga muito.

Tem acompanhado o Luis?
Estou tão triste porque ele não está jogando muito... Acho que é inveja. Por que estão com essa implicância com ele? Não é todo dia que se faz gol, vá tomar banho!  Eu não gosto é do goleiro!

O Rogério Ceni?
Opa! O Felipão também não gosta, com muita razão. E não vai mesmo para a Seleção. Já enfrentei ele! Falei: “Bonitinho, né, senhor Rogério? Olha aqui esse jornal”. No jornal estava ele falando que o campo da Ponte parece um cortiço. Falei: “Ninguém roubou para fazer o Moisés Lucarelli, mas o Laudo Natel roubou o povo para construir o Morumbi”.

O que achou do veto ao Moisés Lucarelli? Irá aos jogos?
No Morumbi eu não quero ir, mas vou tentar uma carona para Mogi. O que fizeram de cachorrada com a Ponte é de chorar. Que vergonha! Se eu fosse presidente, não ia jogar, mas tudo bem.