icons.title signature.placeholder Luis Fernando Coutinho
06/02/2015
16:43

O teste positivo de Anderson Silva para anabolizantes em exame realizado antes do UFC 183, onde bateu Nick Diaz na decisão, levantou uma série de questões. Um ponto a ser tocado é que embora as comissões atléticas do MMA tentem seguir o código de conduta e trabalhem junto a laboratórios licenciados pela Wada (Agência Mundial Antidoping), o UFC, por exemplo, não é uma organização filiada à agência. Por se tratar de uma empresa privada, o evento usa as leis como referência, mas adota de suas próprias regras. Como a agência é a maior referência mundial no assunto "antidoping", mesmo não adotando de ligações com o Ultimate, o LANCE!Net procurou Eduardo De Rose, membro do Comitê Executivo da Wada para comentar o assunto.    

Realizado no dia 9 de janeiro, período caracterizado como "fora de competição", o teste surpresa feito em Spider pela Comissão Atlética do Estado de Nevada apontou presença de drostanolone e androsterona, tipos de anabolizantes. De Rose se recusou a comentar epecificamente o caso de Spider e do UFC, mas ao ser perguntado sobre o tempo que tais substâncias ficam no organismo para descobrir se Spider pode ter atuado contra Diaz sob efeito ou não, o médico explica que a permanência no organismo varia de acordo com o método usado para a ingestão. 

- O efeito de um anabólico esteroide depende de vários fatores como o fato de ser usado intramuscular ou oral, a dose, a frequência, a absorção do indivíduo, e pode ser encontrado na urina por um ano, quando injetado, ou por três meses, quando usado via oral. Em termos de efeito no desempenho, isto é irrelevante. O atleta é punido pelo uso de uma substancia proibida, comprovada pelo fato de sua presença na urina. A discussão sobre um eventual aumento ou não do desempenho no jogo nunca é considerado - explicou o profissional, em contato feito por e-mail.

Sobre o pedido (que já foi negado) de Spider para realizar a contraprova do teste em um novo laboratório temendo a contaminação do mesmo, Eduardo confirmou que as leis da Wada não permitem tal movimento.

- A regra geral é de que a prova e a contraprova sejam sempre realizadas no mesmo laboratório. Mas não tenho conhecimento que o MMA tenha subscrito o Código Mundial Antidoping da Wada, embora o Laboratório referido seja um dos 32 centros credenciados pela WADA - ponderou.

Por fim, De Rose explicou qual poderia ser a punição ao ex-campeão dos médios caso o UFC fosse filiado à Wada e assima agência conduzisse o caso.

- Um atleta que apresentar uma Violação da Regra do Antidoping por anabólico esteroide terá uma pena inicial de quatro anos, segundo a orientação do Código Mundial Antidoping de 2015. Esta pena pode ser reduzida, a critério dos auditores, se houver algum tipo de colaboração do atleta informando quem indicou o ministrou a substancia, em uma espécie de delação premiada, ou ser sua culpabilidade e/ou negligencia for comprovada.