icons.title signature.placeholder João Matheus Ferreira
06/02/2015
08:00

Eurico Miranda ficou seis anos e meio sem assistir aos jogos do Vasco pela sala da presidência de São Januário, que fica situada ao lado da cadeira social e tem boa vista para o campo. Na noite da última quinta-feira, ele retornou ao local após voltar ao comando do clube no fim do ano passado. Do alto, assistiu à vitória sobre o Madureira, por 2 a 0. Um bom resultado, mas com um futebol que não empolgou tanto como a estreia, domingo, diante da Cabofriense.

Neste primeiro jogo de São Januário após a volta de Eurico, algumas mudanças foram percebidas. Além das que já eram esperadas (dimensão do gramado voltar a ser 110x75 metros, novo sistema de som e expansão da cadeira social), agora há um controle mais forte sobre a entrada e saída das pessoas no estádio, sobretudo da imprensa, que tem que ser previamente credenciada e precisa passar por diversas barreiras para chegar ao local destinado.

Antes de a bola rolar, Eurico foi ao gramado para colocar medalhas de ouro nos meninos do sub-9 do Vasco que venceram o estadual de futsal da categoria no fim do ano passado. A meninada do sub-8,que disputou a Talents Cup, também foi prestigiada pelo presidente. Quando voltou para a social, Eurico foi assediado por alguns torcedores, mas com forte aparato de segurança, teve caminho aberto para voltar à sala da presidência.

Enquanto distribuia as medalhas aos garotos, no intervalo entre o jogo dos juniores e o do profissional, o filho de Eurico, Eurico Brandão, o "Euriquinho", batia bola com os filhos atrás do gol que fica próximo aos vestiários de São Januário. Quando a garotada deu a volta olímpica, a torcida ensaiou o coro de "Casaca", que já havia sido cantado por diversas vezes do lado de fora do estádio, na concentração da torcida em bares. O tradicional coro também foi entoado no fim do jogo.

Os torcedores que foram a São Januário, aliás, puderam perceber que a divisão entre a principal torcida organizada do clube continua. Um cordão de isolamento da polícia militar separa a parte que se posiciona no tradicional local da arquibancada (de quina para o campo) e a dissidência que deseja tomar o poder, que agora fica encostada na social. Durante o jogo, sobretudo no intervalo, os dois grupos trocaram provocações.

Na parte "comum" da torcida, principalmente os que ficam na cadeira social, deu para perceber uma certa insatisfação com a atuação do time no fim do primeiro tempo, tanto que chegaram a ensaiar um coro de vaias e xingamentos à equipe que, naquela hora, levava um esboço de sufoco do Madureira.

Acabou que o Vasco venceu e se manteve com 100% de aproveitamento no Campeonato Carioca. Mas Eurico Miranda tão cedo não foi embora do estádio. Apesar de o apito final ter sido dado por volta das 23h, ele continuava na sala da presidência até 1h. Era o único foco de luz em um estádio que já dormia no escuro.

Eurico entrega medalha para garotada antes da partida (Foto: Carlos Gregório Jr/vasco.com.br)