icons.title signature.placeholder Matheus Babo e Vitor Pimenta
16/07/2014
09:37

Bruno já passou por muita coisa no Fluminense. O lateral-direito chegou ao clube em 2012, após ter feito um bom Campeonato Brasileiro pelo Figueirense, e desde então, não largou mais a titularidade da posição. No primeiro ano de Flu, dois títulos (Carioca e Brasileiro). O segundo, foi muito ruim. O time acabou entre os quatro últimos no Brasileirão. Mas o camisa 2 tem uma boa recordação da temporada passada: a partida contra o Criciúma, no Heriberto Hulse. O Flu venceu por 2 a 1, com dois gols de dele, que lembra bem daquele dia.

- Foi gostoso porque a minha família mora lá perto. É de Passos de Torres (sul de Santa Catarina). Ainda era aniversário do meu pai. Foi muito legal porque estavam a minha família, meus amigos e foi bom poder ajudar o Fluminense com dois gols naquele dia. Apesar da situação não ser muito boa no ano passado, é legal poder ajudar, ainda mais perto dos meus familiares. Vamos jogar na quarta lá, a galera vai estar presente de novo. Quando eu jogo em Porto Alegre também é assim. É importante ficar perto da família e das pessoas que te apoiam. O grupo do Fluminense é sensacional, todos te abraçam, brincam bastante - disse o jogador, em entrevista exclusiva ao LANCE!Net.

O jogador também conquistou a confiança do técnico Cristovão Borges rapidamente. No elenco atual, ele é o único lateral-direito com experiência. No banco, apenas o jovem Pablo Dyego, que é canhoto. Além dele, o volante Rafinha também tem sido improvisado em alguns treinamentos. Absoluto na posição? Para Bruno, a acomodação é algo que só pode prejudicá-lo.


Bruno conversou com a equipe do LANCE!Net nas Laranjeiras (Foto: Bruno de Lima/LANCEPRESS)

- Eu acredito que eu não. Não sou assim. Procuro sempre treinar forte, não me acomodo. Sempre converso com meus companheiros, o Wellington Silva era um que eu sempre conversava. Ele foi buscar o espaço dele lá no Inter. Quem tiver na posição pra ajudar, vai ser bem recebido. Não existe titularidade para sempre. Falo muito com os meninos da base, o Julião era um que eu também conversava muito. É importante brigar ali dentro de campo, nos treinos, mas nunca se acomodar - explicou.

CONFIRA A ENTREVISTA DE BRUNO AO LANCE!Net NA ÍNTEGRA:

CRISTOVÃO BORGES
É um cara realmente diferenciado. Não que os outros não sejam. Mas a gente absorveu os métodos dele de treinamento. As conversas que ele tem com a gente. É um cara justo. Estamos muito felizes com o Cristovão, é um cara que no dia a dia você pode chegar e conversar, seja um problema dentro de campo ou pessoal, isso é um diferencial. O grupo voltou a ser aquela família. Não que tenha deixado de ser, mas as trocas de treinador afetaram muito isso. Muda tudo. Esperamos dar sequência. Não podemos deixar cair.

ESTILO OFENSIVO DE CRISTOVÃO - COMO FICA O POSICIONAMENTO?
O que ele conversa com a gente é que quando um lateral está apoiando, o outro tem que dar uma segurada. Nada muito diferente, porque o diferencial da equipe está sendo que, desde o atacante, todos estão marcando. Estamos adiantando o time e isso está muito bom. Todos estão ajudando e isso faz com que não sobrecarregue lá atrás. Mostra que a equipe está evoluindo. Vamos tentar manter isso. Nós, laterais, temos a liberdade de atacar.


Cristovão foi elogiado pelo lateral Bruno (Foto: Bruno de Lima/LANCE!Press)

PLANOS COM A CAMISA DO FLUMINENSE
Eu pretendo ficar aqui no Fluminense e ajudar por muito tempo. Estou muito feliz aqui, desde quando cheguei. As pessoas criticam, as pessoas aplaudem, isso sempre vai ter. Serve de apoio e de lição. É lógico que às vezes nós ficamos chateados, estamos sempre treinando, nunca deixamos de desistir. Como há pessoas que criticam, há aqueles que apoiam. A torcida vê o nosso esforço. Estou feliz. Acredito que a torcida está abraçando o grupo inteiro para a gente buscar o Brasileirão de novo.

JOGADOR SOLIDÁRIO
Eu fico muito feliz com os elogios dos companheiros, porque eles estão no dia a dia. Eles sabem o que a gente vem treinando, a nossa força de vontade. É lógico que a gente quer aparecer, fazer boas jogadas, mas o importante é sempre estar jogando para a equipe. Muitas vezes, as pessoas não veem isso, só veem o cara que faz o gol. Para chegar até lá, temos que construir a jogada desde o Diego Cavalieri. Fico muito feliz quando isso acontece. Faz parte. Cada um tem a sua função. Sempre vai ter um ou outro que vai se destacar, mas sair com a vitória é o que importa.

LÍDER DE CRUZAMENTOS CERTOS NO BRASILEIRÃO (NÚMERO FOOTSTATS)
Sempre treino isso. Lógico que muitas vezes chega no jogo e acaba errando, porque o jogo é muito intenso e às vezes está meio cansado, com a perna cansada, e isso acontece. E aí você tem que ir poucas vezes, mas sempre com qualidade. Fico feliz de estar evoluindo, ajudando meus companheiros. Venho treinando bastante, porque é em um cruzamento que podemos definir as jogadas, definir um jogo. É treinamento, confiança e mesmo quando há o erro tem que estar novamente pronto para acertar.


Bruno é um dos destaques do Brasileirão em cruzamentos (Foto: Bruno de Lima/LANCE!Press)

CONFIANÇA - PARTE PSICOLÓGICA
Influencia muito. Estar confiante, com a torcida jogando ao lado... porque já tem o adversário, a torcida do adversário, então é importante mesmo nas derrotas a torcida estar do seu lado. Porque isso te dá uma força a mais. As vezes você está cansado, ou não está legal no jogo e escuta a torcida te apoiando, você tira força de onde não tem para ajudar os companheiros. É bom ter a torcida do lado para ganhar confiança. Porque com confiança as jogadas fluem e só assim vamos conquistando as vitórias.

JOGADORES QUE O INSPIRARAM NA COPA DO MUNDO
Me espelho em vários jogadores. O Luiz Gustavo é um deles. A dupla de zaga também. Mas um cara que precisa ser abraçado é o Fred. Nós ficamos em casa torcendo, é um cara que merece todo respeito. É um cara que tem sofrido com brincadeiras, mas as pessoas esquecem o que ele já fez na carreira. E o sucesso do Brasil não dependia só dele, dependia também do modo de jogar. Espero que ele possa voltar, estar com a gente novamente, pois vamos abraçá-lo. Muitas pessoas julgam e não conhecem o que é jogar futebol. Ele mostra nos treinos, no dia a dia que tem o valor dele. Lógico que ele deve estar abalado pelo o que aconteceu, mas acredito que ele vai dar a volta por cima. É um cara que me espelho muito. É um líder dentro do vestiário e só estando ali com ele para saber a pessoa humana que ele é. Além do mais, joga muito. A fase não foi boa para ele, o modo de jogar não o ajudou, aconteceu.


Bruno lamenta má fase de Fred na Copa do Mundo (Foto: Odd Andersen/AFP)

PENSA EM SELEÇÃO BRASILEIRA?
Primeiro penso no meu clube, no Fluminense. Estando bem aqui, conquistando título pode aparecer uma chance para mim. Lógico que é o sonho de todo jogador é estar em um grande e posteriormente representar o seu país. De repente um dia posso ter a oportunidade e vou poder mostrar ali dentro que tenho qualidade. É um sonho, sim, mas primeiro tem que manter os pés no chão, treinar firme e conquistas os títulos aqui no Fluminense.

TATUAGENS
Gosto de todas. É uma coisa que parece que vicia (risos). Meu tatuador é meu amigo pessoal e sempre trocamos ideia. Gosto de todas, pessoal costuma brincar bastante. O Rafa (Sobis) também tem bastante. E parece ser uma coisa estética, mas para mim é uma obra de arte e ao mesmo tempo é uma proteção. Eu gosto para caramba.

POUCAS LESÕES
Nos treinos, chagamos uma hora antes para fazer prevenção, fisioterapia e temos que nos cuidar. Ano passado fiquei dois meses praticamente parado e que eu me lembre foi a minha lesão mais grave. É saber dosar, de repente ficar fora de um ou dois jogos de vez quando porque o campeonato é muito intenso, é muito longo. Então tem que ser inteligente e ser poupado em um jogo, ficar fora melhor do que forçar e aí ficar dois meses sem jogar. Conversamos sempre com o pessoal da comissão e procuramos estar sempre inteiro e evitando as lesões.