icons.title signature.placeholder Marcio Porto
06/11/2013
16:48

Luiz Fernando Montoya poderia ser considerado uma persona non grata no São Paulo. Afinal, ele comandou o Once Caldas que tirou a equipe brasileira da final da Libertadores de 2004, após impor uma trágica derrota ao Tricolor no fim da partida na Colômbia. Foi um carrasco. No entanto, a história de superação do ex-treinador colombiano transcendeu a rivalidade futebolística e hoje há um carinho recíproco entre as partes.

Nesta quarta-feira, antes de encarar o Atlético Nacional pela Copa Sul-Americana, a delegação do Tricolor hospedada em Medellín recebeu a visita ilustre de Montoya. Muricy Ramalho, Rogério Ceni, o coordenador técnico Milton Cruz e os demais recepcionaram o colombiano com muito carinho. Ele sobreviveu a uma tentativa de assalto e exibe as marcas do tiro que sofreu em dezembro de 2004. A bala o deixou tetraplégico e com deficiência na voz.

Montoya viajou cerca de duas horas, saindo da cidade onde mora na Colômbia para ir ao encontro dos são-paulinos. Todo esforço é também uma retribuição ao carinho que já recebeu dos profissionais do clube brasileiro.

Em 2008, Milton Cruz aproveitou a passagem pela mesma Medellín, onde o São Paulo enfrentou o mesmo Atlético Nacional, pela primeira fase da Libertadores, e fez uma visita a Montoya no hospital onde ele estava internado.

Rogério Ceni, desta vez, pediu aos profissionais do Tricolor para ver o comandante. Queria, ele mesmo, fazer o percurso de duas horas de viagem e ir até o colombiano. Mas não foi preciso.

Com sorriso no rosto a maior parte do tempo, Montoya almoçou com os são-paulinos e reviveu um pouco da emoção que não pode ter mais por conta dos criminosos que o atacaram. Foi recompensado.

- Você bem que podia voltar, viu, professor, porque tem muito técnico ruim por aí - afirmou Muricy Ramalho, em tom de respeito com o agora ex-colega de profissão.

O Once Caldas foi o carrasco do São Paulo na Libertadores 2004, ano em que a equipe colombiana sagrou-se campeã. O primeiro jogo da semifinal, no Morumbi, terminou 0 a 0 e a decisão ficou para a volta, em Manizales. A equipe da casa saiu na frente, mas o Tricolor respondeu com Danilo, hoje no Corinthians, e levava a decisão para os pênaltis. Porém, a equipe de Montoya, bem armada, fez no fim do embate e garantiu a vaga na final, eliminando o time que tinha Luis Fabiano.

A equipe colombiana fez história ao bater o poderoso Boca Júniors na decisão e Montoya ganhou prestígio internacional. Foi freado, no entanto, em 22 de dezembro daquele ano, quando aconteceu o fatídico episódio. A trajetória do ex-técnico virou livro em 2010, com a publicação de "O Campeão da Vida", ressaltando a história de superação do colombiano.