icons.title signature.placeholder Raphael Martins
18/03/2014
09:00

Um problema que parece não ter fim, algo que expandiu suas raízes por todas as eferas de poder e que cobra novas vítimas a cada temporada. Este é o caso da violência ligada ao futebol argentino, que no último fim de semana vitimou Lucas Carrasco, de 22 anos, após a partida entre Independiente de Mendoza e Instituto de Córdoba, pela B Nacional.

O LANCE!Net inicia nesta terça-feira uma série de reportagens sobre casos relacionados à violência em diferentes países sul-americanos. Além da Argentina, a Colômbia é um país que assiste à uma assustadora escalada de conflitos entre torcidas rivais. Assim como o exemplo de dirigentes como Juan Pedro Damiani, presidente do Peñarol, que não quer mais a presença de barras-bravas nas arquibancadas do futuro estádio do clube.

Lucas foi a vítima de número 284 de uma barbárie que teve seu pior ano em 2013, quando 14 pessoas perderam suas vidas em episódios ligados ao futebol. Os números são da ONG Salvemos el Fútbol, que luta para erradicar a violência no futebol argentino.

Uma luta complexa, que mais parece uma causa perdida. No mesmo dia da morte de Lucas Carrasco, torcedores de Estudiantes e Gimnasia se enfrentaram no centro de La Plata. Fotos publicadas pelo diário "El Día" mostraram alguns dos violentos com armas de fogo.

No último dia 10 de março, Mario Becerra, integrante da barra-brava do Quilmes, foi agredido até perder a consciência em plena arquibancada do estádio do clube. Imagens que ficaram registradas pelas câmeras das emissoras de TV presentes no local, durante a partida contra o All Boys.

Como agravante, Becerra, que recebeu alta dois dias depois, terá de se explicar como fez para conseguir entrar no estádio com uma faca e com um engradado de cerveja, embora seja proibido o consumo de bebidas alcóolicas nas cercanias dos estádios argentinos.

Mario é filho de Osvaldo Becerra, ex-chefe da barra-brava conhecida como "Los Alamos" e que tenta retomar o poder na torcida. A briga interna, como ocorre em todas as demais torcidas organizadas na Argentina, é motivada pela disputa por dinheiro e ingressos.

- Há décadas que as barras-bravas administram todo tipo de comércio dentro e fora dos estádios em dias de jogos. Eles controlam desde a revenda de ingressos, cedidos pelos dirigentes, até a venda de produtos piratas, alimentos nos bares dos estádios, e a cobrança nos estacionamentos em seu entorno - explicou ao LANCE!Net o editor do Olé, Carlos Carpanetto.

Lutar contra tem o seu preço

Quem tenta remar contra a corrente sofre sérias consequências. Javier Cantero, presidente do Independiente, é um caso. Após expulsar os barras-bravas do clube e cortar uma série de privilégios dados aos violentos pelas diretorias anteriores, o dirigente passou a conviver com ameaças em estilo tipicamente mafioso.

Na última semana, dois cães que tomavam conta da sede do Rojo foram enforcados. Antes, quiosques que abrigavam as churrasqueiras da área social do clube foram incendiados. O Diablo de Avellaneda, como é conhecido o Independiente, arde em seu inferno.

Para piorar a situação de Cantero, o Independiente vive o drama de estar na Segunda Divisão. Faz campanha irregular, embora esteja em terceiro lugar na B Nacional. Um cenário negro, como todo o futebol argentino, e sem previsão de que surja uma luz no fim deste longo túnel.