icons.title signature.placeholder Thiago Correia
11/02/2015
17:01

Mesmo sem ser tão conhecido assim no Brasil, um zagueiro nascido em Brasília é um dos jogadores mais vencedores na França nos últimos anos. Principalmente até o início da fase milionária e vitoriosa do Paris Saint-Germain. Hilton, hoje do Montpellier, ganhou títulos importantes por três clubes diferentes em praticamente uma década, e com os seus 37 anos, vive boa fase, e pela idade, é chamado de "vinho" no país.

- Eles fazem a comparação né... Quanto mais velho, melhor. E essa comparação é boa, prova que independente da idade, se o jogador se cuidar fora de campo, e dentro der o máximo, a recompensa vem no fim - disse Hilton, em entrevista ao LANCE!Net:

- Quando se chega aos 30, 32 anos, muitos estão no fim da carreira. Mas procuro mostrar aos jovens que eles ainda têm muito chão pela frente. Muitos pensam que para o futebol é idade avançada, mas estou conseguindo fazer uma boa campanha, uma das minhas melhores, independente da idade. É como se não tivesse chegado.

Hilton chegou ao clube em 2011 (Foto: Nicolas Tucat/AFP)

Nem todas dessas bebidas ficam boas com o tempo. Na verdade, a maioria acaba virando vinagre. Os que ficam realmente valorizados com a idade são o vinho do Porto, os de Sauternes, por exemplo, que podem durar até séculos. Porém, é justamente a distância do álcool um dos principais segredos de Hilton para chegar bem nesta idade.

- Não bebo álcool: atrapalha. Durmo as oito horas necessárias que o ser humano precisa, e depois a alimentação. Parei de beber refrigerante há alguns anos, tudo isso ajudou. E depois não vou falar que às vezes não como sanduíche mais caseiro, mas tipo "fast food", parei. Começa daí. Depois vem a recuperação em casa, ter a consciencia que, na minha idade, não vou sair à noite, não estaria me ajudando. Quando é hora de descansar, descanso do meu jeito, mas não me privo do que devo fazer, passear com a família, brincar com meu filho - revelou Hilton.

Hilton também viveu grande fase pelo Olympique (Foto: Charles Platiau)

O zagueiro foi revelado pela Chapecoense, e em 2000 se destacou pelo Paraná na Copa João Havelange. Apesar de propostas de clubes grande no Brasil, foi se aventurar na Suíça, aonde defendeu o Servette. Em 2004 foi para a França defender o Bastia, e não saiu mais do país.

Pelo Lens, venceu a extinta Copa Intertoto duas vezes, e acabou indo para o Olympique de Marselha, onde viveu grande momento. Lá, foi campeão francês, levou duas Copas da Liga, e um Troféu dos Campeões. Mas segundo ele próprio, o título da Ligue 1 pelo até então desconhecido Montpellier, em 2011/12 foi o que mais marcou.

- O mais importante foi esse, pelo Montpellier, que não é conhecido no mundo, só disputava para não cair. Foi uma temporada perfeita, e chegamos na frente do PSG, já com investimentos. Joguei 36 jogos, foi o auge como jogador - disse Hilton, que tenta explicar a "química" daquele time, que tinha o atacante Giroud, hoje do Arsenal:

- O time jogava junto há dois anos, chegamos só eu e mais, e encaixou, o time ficou certinho. Tudo que a gente tentava, conseguia, o time jogava sem preocupação, tinha prazer em jogar. E fora de campo o ambiente era muito bom. Toda quinta tinha o bobinho, quem ficasse no meio e levasse 20 toques, pagava pizza para todos.

Hilton foi revelado pela Chapecoense e jogou pelo Paraná (Foto: Valery Hache/ AFP)

E o jogador não pensa ainda em pendurar as chuteiras. Hilton revela muita admiração por Zé Roberto, "quarentão e bem" hoje no Palmeiras, e que pensa em jogar até pelo menos os 40. Ao ser questionado se voltaria para o Brasil, o zagueiro até diz que tem a vontade, mas demonstra ter o pé atrás.

- Quando cheguei ao Lens, sempre falava "só mais um ano". Já foram 10. Eu me adaptei bem, consegui um reconhecimento que talvez não teria no Brasil. Se voltar, muitos não me conhecem, saí numa época muito boa, ganhamos a o módulo amarelo da Copa JH, mas fui para a Suíça e fiquei esquecido, acabei sendo reconhecido aqui. Minha carreira toda foi aqui, sou muito feliz pela trajetória. Tem mais uns dois anos pra queimar, e até hoje, sou feliz, sou realizado no futebol - explica:

- Passar pela cabeça voltar, passa, encerrar a carreira no Brasil, na Chapecoense, onde fui formado. Mas voltar, sendo um jogador de idade, onde muitos iriam me ver como um jogador de idade, indo só pra ganhar dinheiro, teria que provar que fui para jogar mesmo. Jogar futebol não pode só pensar no dinheiro. Hoje com 37, quero jogar até os 40 porque é a minha paixão, jogo com amor, o resto é uma recompensa.