icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese
08/06/2014
19:52

Parte da população de Santo André, vilarejo de cerca de 800 habitantes ao sul da Bahia, não poupou a Fifa no dia em que a seleção da Alemanha chegou à região, onde foram construídos hotel e um campo que abrigarão a preparação germânica para a Copa do Mundo de 2014. Logo na saída da balsa, que liga Santa Cruz de Cabrália a Santo André, a casa da entrada da cidade foi pichada com os dizeres “Fifa máfia”.

A presença alemã na cidade, enquanto causa animação em alguns moradores, provoca transtornos para outros. A rua que dá acesso ao hotel da Alemanha está fechada e é guardada por um membro da Companhia da Mata Atlântica da Polícia Militar da Bahia, com um fuzil na mão, e um funcionário da Federação Alemã de Futebol, que faz a identificação de quem pode ou não passar. A imprensa não tem acesso. Moradores da rua e trabalhadores dos arredores precisam andar com uma identificação para poderem passar a barreira.

Um outro fator que causou transtorno foi a balsa. No fim da tarde, a espera foi de mais de 1h30 para os carros poderem atravessar o Rio João de Tiba, em direção a Cabrália. Até Porto Seguro, ao aeroporto de onde a delegação germânica partirá para os jogos da primeira fase (Salvador, no dia 16, contra Portugal, Fortaleza, no dia 21, contra Gana, e Recife, no dia 26, contra Estados Unidos), são mais cerca de 25 quilômetros de estrada.

Na pacata Santo André, pousadas e estabelecimentos estão com bandeiras da Alemanha. Até mesmo ambulantes vendendo sorvete têm camisas dividindo a bandeira do Brasil com a do atual “hóspede”. Um deles reclamou que foi imposição de sua empresa, mas garante que vai torcer para o Brasil e secar a Alemanha na Copa.

Fila da balsa para sair de Santo André rumo a Santa Cruz de Cabrália (Foto: Felipe Bolguese)