icons.title signature.placeholder Luiz Carlos Ferreira
19/11/2013
16:46

Uma das surpresas do grupo que disputa a Copa dos Campeões com a Seleção Brasileira, o levantador Raphael, de 34 anos, vê a oportunidade dada pelo técnico Bernadinho como uma motivação para disputar a Olimpíada do Rio, em 2016, quando terá 38. O jogador, que é o mais experiente do time, acredita que sua posição o permite chegar em alto nível durante os Jogos, apesar da idade.

Raphael foi convocado no lugar de William Arjona, que em outubro se sagrou campeão mundial com o Sada Cruzeiro e é seu principal rival na busca pela vaga. O titular indiscutível é Bruninho, que é inclusive capitão da Seleção.

- Essa é a minha maior motivação hoje no vôlei. Tenho que trabalhar para não perder essa motivação para estar em alto nível até a Olimpíada. Penso e vou treinar para isso. A idade não pesa. Levantador é uma posição diferente. Vejo muitos jogadores atuando muito nessa posição com mais de 38 anos. Eu me sinto bem, melhor ainda do que quando tinha 20 anos, e quero lutar para ter a minha vaga, sim - afirmou o jogador.

O levantador deixou o Brasil em 2004. De lá para cá, passou pela Rússia, Itália e hoje está na Turquia, onde defende o Halkbank Ankara. Nesse período, conquistou títulos importantes na Europa, como quatro Mundiais e o tricampeonato da Liga dos Campeões. Apesar de ter feito a maior parte de sua carreira longe do Brasil, ele acredita que o fato de estar longe de seu país não o prejudicou na Seleção.

Os bons resultados, inclusive, fizeram com que ele, que tinha poucas aparições pelo Brasil até então, recebesse convites para naturalização. Todos negados. Apesar disso, ele não condena quem opta por defender outra seleção, como seu compatriota Bruno Zanuto, que se tornou cidadão italiano recentemente. Agora, com um ano de contrato com o Trentino, que o emprestou para a Turquia nesta temporada, ele cogita seu retorno ao país.

- Já recebi sim (propostas para naturalização), mas jamais pensei em aceitar. Nem de longe. O Brasil é tudo para mim. Mesmo que tivesse que ficar fora da Seleção, nunca jogaria contra o meu país. É difícil explicar, mas a sensação de vestir a camisa do Brasil e de estar em uma Seleção tão forte assim é inexplicável. Mas não julgo o Bruno Zanuto e nenhum outro jogador que queira fazer o mesmo. Falo por mim porque tenho isso comigo. O meu sonho sempre foi jogar na Seleção Brasileira. Desde que comecei a treinar e fiz a primeira peneira, o sonho era estar aqui. Mas, conheço muitas pessoas que trocaram e são felizes. Isso é muito particular. Cada um faz a escolha que acha que é melhor para a sua vida - disse o jogador.

Após a estreia na Copa nesta terça, com a vitória sobre o Irã, Raphael volta à quadra com a Seleção na Copa dos Campeões nesta quarta-feira, quando o Brasil pega os Estados Unidos às 8h10 (de Brasília), em Kyoto (JAP).

Bate-Bola

Raphael Vieira
Levantador da Seleção Brasileira em entrevista ao LANCE!Net por e-mail


L!Net: Você esperava ser convocado?

Raphael Vieira: Eu treino para isso. Sempre respeitei muito os levantadores que foram chamados, mas a vontade de estar aqui, o objetivo que tenho de estar sempre na Seleção, estar no grupo e representando o Brasil, não mudou nunca. Treino esperando ser chamado. Agora, foi uma ótima surpresa. Estive muitas vezes na Seleção, mas essa é a primeira em que posso dar minha contribuição da melhor maneira possível, estando bem, podendo ajudar o grupo e estou muito contente por isso.


L!Net: Como você vê a chance de entrar na vaga do William, que acabou de ser campeão mundial?

R.V.: Eu respeito muito o William, como respeito muito o Bruno, que são excelentes levantadores e excelentes pessoas. Tenho como filosofia sempre aprender, trocar ideias e crescer cada vez mais. Todas as vezes em que estive aqui com os dois pude aprender. Mas nunca pensei no sentido de substituir um ou outro. Venho para fazer o meu trabalho e procuro não me comparar muito a outro jogador. Todos têm sua oportunidade na Seleção, e acho que o Bernardo está sendo muito criterioso em relação a isso, então, não penso em estar aqui na vaga do William ou de qualquer outro levantador. Penso em contribuir da melhor maneira para a Seleção.


L!Net: Você acha que o fato de ter feito a maior parte de sua carreira fora do Brasil te atrapalhou ou ajudou?

R.V.: Acho muito positivo tudo que aconteceu na minha carreira. Poder ganhar quatro Mundiais, três edições de Champions League, três italianos, três Copa Itália, foimuito bom. Os primeiros anos de carreira no Brasil também foram muito bons. Então, tudo isso, junto, é importante. Estar fora, particularmente para mim, foi ótimo. E em relação a Seleção, a comissão técnica do Brasil está atenta a tudo, vê todos os campeonatos e, se a pessoa tiver méritos para estar aqui, vai ser chamada, independentemente de estar jogando no Brasil, no Japão, na Itália ou em qualquer outro país.

L!Net: Você disse que pensa em voltar ao Brasil. Já recebeu convite de algum time? Se sim, qual?

R.V.: Nos outros anos, recebi boas propostas de clubes que acredito que façam um bom trabalho, mas eu não podia sair. Tinha contrato e compromissos a honrar. Agora, quero focar ao máximo no meu último ano de contrato para depois poder ver as propostas e ver o que vai acontecer. Essa possível mudança não envolve só o jogador. Tem a família também. E tudo isso é muito delicado. Mas a vontade de voltar ao Brasil continua forte.

L!Net: Qual a comparação que você faz entre os campeonatos que você já disputou e a Superliga?

R.V.: São campeonatos diferentes. O Italiano nesse ano caiu um pouco de nível devido a saída de muitos jogadores, acredito que pela crise que a Itália está passando, mas até o ao passado era muito forte. É uma competição que tem muitos estrangeiros no mesmo time e isso gera uma troca de cultura e de voleibol que proporciona um nível altíssimo. Em uma mesma equipe podemos ter um jogador da Seleção Brasileira, da cubana, búlgara e russa, por exemplo. Cada um leva um pouquinho da sua experiência e o time fica muito forte mesmo. A Superliga é um campeonato muito difícil também e a chegada de estrangeiros também eleva o nível da competição. O Brasil tem muitos jogadores bons e consegue fazer uma liga com grande maioria de brasileiros, mas os estrangeiros enriquecem o campeonato. Entre todas que disputei, a Champions League é, sem dúvida, a competição mais difícil.