icons.title signature.placeholder Bernardo Cruz
08/11/2014
08:04

Wellington Silva surgiu, em 2010, como uma grande revelação do Fluminense. E não durou muito para seu futebol despertar o interesse da Europa, mais precisamente o Arsenal (ING). O clube inglês pagou R$ 10 milhões pelo atacante e criou-se uma expectativa sobre como seria seus passos no futebol inglês. No entanto, para muitos, a jovem promessa sumiu. Não foi bem assim.

Por questões trabalhistas da Inglaterra, Wellington precisava cumprir certas exigências para poder seguir nos Gunners. Por isso, passou os últimos três anos atuando por diversas equipes da Espanha. No entanto, o "exílio" e o "anonimato" no Velho Continente estão perto do fim.

Convocado pelo técnico Alexandre Gallo para compromissos da Seleção sub-20 na China na próxima semana, o jogador, de 21 anos, falou em entrevista ao L!Net sobre os desafios que viveu nos últimos anos, do amadurecimento e do tão sonhado passaporte europeu, que vai permitir que atue pelo Arsenal. O clube inglês, inclusive, já avisou que conta com Wellington em breve. Além disso, revelou o sonho de conquistar o inédito ouro olímpico pelo Brasil nos Jogos do Rio em 2016.

Como avalia esse início de temporada no Almería?
Estou muito feliz. Tive a oportunidade de participar de todos os jogos, a maioria jogando os 90 minutos. Estou trabalhando muito forte e felizmente as coisas estão acontecendo da maneira como imaginava.

O que espera do jogo contra o Barcelona? Vai pegar algumas dicas com o Neymar sobre a Seleção Brasileira, mesmo não sendo uma novidade na sua carreira?
Enfrentar o Barcelona vai ser uma oportunidade especial, principalmente, por jogar contra um amigo que é o Neymar. Parceria que, começou em 2009 ainda nas categorias de base da Seleção Brasileira, e espero que possa ser mantida para jogar ao seu lado nos jogos do Rio.

Você falou que nunca teve um início de temporada e uma sequência tão boa durante os três anos em que está no futebol espanhol. Pensou em desistir em algum momento?
Tentei encarar da melhor maneira possível. É normal no momento em que senti dificuldade ficar perdido, ter vontade de voltar para casa, ficar perto da minha família. Mas nesse momento lembrava dos meus objetivos e sonhos. Aceitei o desafio de ficar aqui para conseguir o passaporte europeu. Hoje posso falar que a experiência foi boa para o meu crescimento, já que cheguei na Europa com apenas 18 anos.

Qual a principal diferença entre o futebol brasileiro e o europeu? Em que esse período no Velho Continente acrescentou no seu estilo de jogo?
O maior choque que senti no início foi na questão defensiva. No Brasil, até pela minha habilidade, não tinha muita responsabilidade em auxiliar na marcação. Aqui eles cobram muito isso, sobretudo em clubes onde jogam, na maioria das vezes, precisando se defender. Hoje felizmente já evoluí.

Como é seu contato com o Arsenal? Eles já falaram que contam com você na próxima temporada?
Tenho mais dois anos de contrato com o Arsenal e nesses três anos que o clube me emprestou para times da Espanha estão sempre de olho na minha evolução, sabem do meu desempenho mais do que eu (risos). Passei esse período aqui para ganhar experiência, ritmo de jogo e, principalmente, conseguir o passaporte europeu para permitir que eu atue na Inglaterra. Na semana passada tive a notícia que os documentos vão sair em breve e isso vai abrir novas portas para mim. É meu sonho jogar lá.



Wellington Silva tem contrato com o Arsenal até 2016 (FOTO: Divulgação)

Por seu contrato acabar em 2016, acredita que a pressão para mostrar serviço na Inglaterra será maior? Está preparado?
Acredito que terei dificuldades, o que é normal, sobretudo com o clima. Gostaria de já estar atuando lá, mas acredito que esse período na Espanha foi bom. Minha cabeça está boa e meu sonho continua o mesmo de quatro anos atrás, que é mostrar meu futebol no Arsenal. Ainda não sei se já volto na janela de janeiro, mas se for no início da próxima temporada sei que vou ficar e buscar o meu espaço.

Você tem passagem pela Seleção de base,mas está tendo agora a primeira oportunidade com a equipe olímpica. Qual sua expectativa para esse período na China? Já teve contato com o Gallo?
Não entendi muito bem quando me avisaram que eu tinha sido chamado, até porque já tinha saído a convocação. Depois, minha família me ligou e falaram sobre a reformulação na lista. Não estava esperando, e fiquei muito feliz. Agradeço ao Gallo pela oportunidade. Vou dar o meu melhor e ajudar a Seleção.

Mesmo faltando pouco menos de dois anos para a Olimpíada, o Gallo já quer montar a base da Seleção. Na sua avaliação, acredita que terá uma espécie de vestibular nesse período, até por atuar em um setor onde a concorrência é forte?
Jogar na Seleção é isso. Sempre vai existir uma concorrência grande, pois o Brasil forma grandes jogadores. Preciso fazer a minha parte, sem pensar nos outros. Todo mundo precisa ter uma oportunidade. Vou dar o meu melhor, ajudar o time e desfrutar deste momento.

Atualmente existe casos de jogadores brasileiros que decidem defender outras seleções. Você recebeu algum convite nesse período? Jogaria por outro país?
O meu caso é parecido com o de muitos jogadores, que saem cedo do Brasil. Em determinado momento, ficamos longe dos holofotes e existe a concorrência que é grande. Mas sempre batalhei em torno dos meus sonhos e agora surgiu essa oportunidade, que espero corresponder e voltar a ser chamado para defender a Seleção.

Você foi revelado pelo Fluminense e atuou no Maracanã, mas não chegou a disputar uma decisão. Em 2014 o Brasil, mais uma vez, não conseguiu conquistar a Copa como anfitrião. Na sua avaliação, qual vai ser o significado de ganhar a medalha de ouro no Rio?
Tive o prazer de poder atuar e fazer o meu primeiro gol como profissional no Maracanã. Foram poucos jogos, mas que ficaram na lembrança. Espero no futuro ter mais oportunidades de atuar lá, sobretudo na Olimpíada. Vamos jogar em casa, mas isso não é significa que vamos levar o ouro. A Copa mostrou isso. Não vamos ganhar sempre, mas em 2016 vamos ter uma nova chance e trabalharemos forte para conquistar a inédita medalha.