icons.title signature.placeholder Marcello Vieira
16/04/2014
06:34

Por enquanto, o Centro de Treinamento do Fluminense não é mais que um sonho. O terreno que o clube ganhou da prefeitura na Barra da Tijuca é pantanoso e de difícil construção. E o gasto previsto para fazer o projeto sair do papel é de cerca de R$ 40 milhões. A solução para um clube com dificuldades até mesmo para pagar salários está na torcida. O LANCE!Net apurou que a receita gerada pelo programa sócio-futebol será destinada à obra. Isto significa em torno de R$ 400 mil por mês. É um início.

O trunfo da diretoria tricolor é Pedro Antônio Ribeiro. Antigo dono do Banana Golf, ficou amigo do presidente Peter Siemsen e decidiu dedicar a vida ao projeto do CT. Milionário, aposentado, ele é voluntário e graças ao empenho, ganhou o cargo de vice-presidente de projetos especiais. Em entrevista exclusiva ao LANCE!Net, Pedro disse trabalhar oito horas por dia sem pedir nada em troca. Ele está convicto de que é possível cumprir o cronograma previsto de ter o CT pronto em 2016.

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– O projeto não está atrasado, estamos dentro do cronograma e o objetivo é ter o CT pronto até 2016. Pela minha experiência é possível. É um objetivo real – garantiu.

De acordo com Pedro, o clube agora está na fase de diminuir o custo da obra com possíveis doações.

– Queremos diminuir o custo do projeto com doações de material. Podemos conseguir que o aterramento saia sem custos. Já diminuímos o preço de um elevador também. É possível que o valor necessário para a construção do CT caia bastante. Ainda não estamos pensando muito em patrocínios. Naming rights é impossível porque o CT já tem nome, mas há estratégia de colaboradores em andamento.

A construção do CT é promessa da gestão de Peter Siemsen desde o primeiro mandato, em 2010.

Ação entre tricolores é uma possibilidade

Além da receita do programa de sócio-futebol, um dos grandes objetivos da diretoria do Fluminense é conseguir dinheiro para construir o CT por meio de ação entre tricolores que possam doar grandes verbas como pessoas físicas. Foi isso, por exemplo, que aconteceu na construção do Vale das Laranjeiras, em Xerém, que hoje é o centro de treinamentos das categorias da base do clube. Pedro Antônio garante que isso pode se repetir.

– Não posso pedir dinheiro ao Fluminense. O clube ainda tenta se organizar e cumprir com todos os seus compromissos. Patrocínio não é a principal alternativa. O foco é justamente o torcedor que tem capacidade de doar para a obra. Algumas pessoas já entraram em contato comigo. Aos poucos o projeto vai avançando. Confio nesta gestão do clube. São pessoas sérias e o negócio é limpo. A seriedade com que o tratamos a questão vai ajudar na captação de possíveis investidores.

Por enquanto, o Fluminense não tem uma campanha de marketing para viabilizar o projeto.

BATE BOLA
Pedro Antônio Ribeiro, vice-Presidente de Projetos Especiais

1- Você ganhará algo em troca com a construção do Centro de Treinamento? Pediu alguma coisa?
Meu trabalho é voluntário. Não quero nenhuma contrapartida. Zero. Faço isso por amor ao Fluminense e também porque gosto muito do Peter Siemsen. É uma pessoa que cativa. Você vê que ele quer fazer este Centro de Treinamento.

2- Há alguma forma de fazer o CT gerar receitas para o clube?
É difícil. Um Centro de Treinamento essencialmente não é uma fonte de captação de receitas. Serve para dar retorno técnico, títulos. Claro que indiretamente, se o time for bem, os jogadores serão valorizados, mas o CT, por si só, não é gerador de receitas. 

3 - Qual é seu maior desafio para ajudar o Fluminense a materializar este sonho?
O mais difícil neste tipo de trabalho é o compromisso. Não ganho nada do Fluminense e tenho que me manter motivado para trabalhar diariamente e fazer o CT sair do papel. E estou conseguindo isso. A cada dia trabalho cerca de oito horas. Até meus filhos reclamam, já que me aposentei e agora estou trabalhando de forma igual a antes, mas me comprometi.