icons.title signature.placeholder Geovanne Esteves
29/07/2014
16:39

Um ponto que preocupa Federação Internacional de Vela (FIV), Comitê Olímpico Brasileiro (COB), governo e povo são as condições da Baía de Guanabara para as provas de Vela na Olimpíada, no Rio de Janeiro, em 2016. Porém, os atletas brasileiros não se mostraram muito preocupados com uma possível influência negativa pela poluição do local. Pelo contrário, alguns conseguem ver uma vantagem nisso.

– A situação pra gente é tranquila. Treinamos aqui tem tempo. Estamos acostumados e sabemos das condições. Nem é legal falar isso, mas, por mais que não seja uma coisa boa, sabemos melhor como nos livrar do lixo do que os competidores estrangeiros. Estamos acostumados. Pelo que tenho visto durante essa semana, está um pouco melhor do que nos últimos tempos. Acho que não teremos problemas – disse o campeão mundial, Jorge Zarif.

A situação é tão ruim que, há alguns meses, o jornal de americano "The New York Times" publicou uma matéria com declarações de alguns velejador. Um deles, o austríaco, Nico Delle Karth, falando sobre as condições do local. Segundo ele, foi um dos lugares mais sujos onde já treinou, encontrando desde pneus de carro até colchões flutuando.

– Acho que dois anos não vai mudar muita coisa. São sempre milhões gastos e muitas promessas, mas o lixo ainda esta lá. Talvez não seja prioridade do governo limpar a Baía de Guanabara. Em termos de competição, não é uma grande surpresa porque a situação daqui já é assim há 20 anos. Pelo menos já sabemos como fazer a limpeza das áreas afetadas do barco. A grande vantagem daqui é que conhecemos o regime de corrente que é muito complexo. Você tem uma boca muito estreita na entrada de água, ela entra muito forte em certos pontos e depois distribui de outro jeito. Estamos fazendo estudos sobre isso. Esse sim será um fator de vantagem contra os estrangeiros – disse o medalhista olímpico, Bruno Prada.

Mas, para o bicampeão olímpico Robert Scheidt, a situação não é o caos que se mostra. Ele esperava encontrar algo pior pelo que vinha vendo pelos meios de comunicação. De acordo com o velejador, a equipe deve se preocupar com outro fator: o clima. As chuvas e os fortes ventos podem trazer a sujeira para superfície atrapalhando o rendimento de todos.

– É um benefício conhecermos a casa, mas é uma coisa que tende a reduzir daqui até os jogos. Por isso temos, normalmente, esses eventos, que são organizados pelo próprio comitê e pela federação internacional, que é para dar uma condição mais justa, de mais igualadde para todas as equipes que vem participar dos jogos. Vários países já tem sua base de treinamento nos clubes da baía para aumentar o conhecimento da raia, o que é normal. Nós fazemos isso quando vamos para outro país, mas, mesmo assim, isso pode nos ajudar um pouco – frisou o treinador chefe Torben Grael.

Para Martine Grael, o problema da poluição é uma questão cultural. A velejadora acredita que falta consciências dos cidadãos da cidade para entender a importância de se manter a limpeza, não só da Baía de Guanabara, mas de qualquer lugar, além de achar que falta um interesse do governo em investir um pouco mais em saneamento.

Todas essas dúvidas serão sanadas a partir deste final de semana, quando terá início o Aquece Rio International Sailing Regatta, evento-teste para avaliação da água e também dos atletas para os Jogos Olímpicos Rio-2016.