icons.title signature.placeholder Jonas Moura e Thiago Fernandes
12/04/2014
23:43

Chama atenção o fato de um atleta considerado o melhor do mundo e dono de inúmeras medalhas conquistadas com a camisa do Brasil ter apenas um título do maior torneio nacional que disputa. É o caso do líbero Serginho, do Sesi-SP. Uma vitória sobre o Sada Cruzeiro neste domingo, a partir das 10h, no Mineirinho, em Belo Horizonte, selará apenas a sua segunda conquista para a galeria de Superligas.

Os troféus levantados pelo paranaense, de 39 anos, sob a batuta de Bernardinho no time verde-e-amarelo são os mais expressivos. Ele faturou nada menos que três medalhas olímpicas, sendo uma delas o ouro em Atenas (2004), dois títulos de Campeonato Mundial (2002 e 2006), um Pan-Americano (2007) e sete edições da Liga Mundial.

Já na Superliga, sua única conquista veio na temporada 2010/2011, com o Sesi-SP, diante do mesmo Sada que estará do outro lado da quadra no próximo duelo.

– Vou jogar para ganhar. A quantidade de Superligas é algo que não me importa. O relevante é que, em todos os times que joguei, defendi com unhas e dentes – afirmou.

Uma das razões que ajuda a explicar o número inexpressivo de títulos de Serginho na liga é o fato de o atleta ter passado boa parte de sua carreira no Piacenza, da Itália, onde ficou durante quatro temporadas. No Brasil, além do Sesi-SP, ele defendeu o Banespa (SP) entre 2000 e 2004, e retornou ao clube em 2008, logo após a prata na Olimpíada de Pequim.

Embora já tenha deixado o posto na Seleção Brasileira para a nova geração, o veterano segue motivado a aumentar sua lista de troféus. No entanto, ele reconhece que não terá vida fácil diante do Sada na decisão.

– Respeitamos eles, pois vêm ganhando tudo que disputam nos últimos anos. É uma equipe bem montada e com um padrão de jogo legal. Acho que é uma final forte e digna de Superliga – disse o líbero, de 1,85m.

Dentre as qualidades do Sada Cruzeiro apontadas pelo jogador do Sesi-SP, uma delas também atende pelo apelido de Serginho. O líbero do time mineiro irá jogar a sua 11 final de Superliga, feito que nenhum outro atleta já conseguiu. No entanto, ele vive situação oposta à do rival. Embora tenha uma carreira consolidada nos clubes, só foi convocado para a Seleção uma única vez.

Aos 35 anos, o mineiro de Belo Horizonte, revelado pelo Minas Tênis Clube, guarda a medalha de prata conquistada na Copa América de 2001 como única lembrança com o uniforme verde-e-amarelo. Mas nem por isso ele se mostra incomodado.

– Não fico frustrado por não chegar à Seleção Brasileira mais vezes. Eu estou na seleção, na seleção azul. É o time que mais ganhou nos últimos quatro anos. Eu estou feliz aqui e é aqui que eu quero permanecer.

O currículo de Serginho em clubes inclui quatro títulos de Superliga, sendo três deles pelo Minas, nas temporadas 2000/2001, 2001/2002 e 2006/2007, e outro pelo Sada Cruzeiro, em 2011/2012. Na equipe do argentino Marcelo Mendez, a lista aumenta com as conquistas do Mundial de Clubes do ano passado. Toda a bagagem adquirida nesses anos é encarada por ele como um trunfo.

– Depois de jogar tantas partidas, consigo evitar ansiedade e refletir melhor sobre o que tenho que fazer. No início, eu era mais jovem e contava com o suporte dos atletas mais experientes. Tinha gente que estava mais habituado às finais do que eu.

Conhecido pela vibração intensa dentro de quadra, Serginho diz que colocar a energia para fora é importante, já que o líbero é o único jogador que não pode marcar pontos. Ele só lamenta que não possa compartilhar a vibração de cada ponto com um número maior de torcedores.

– Extravasar faz parte, já que eu não consigo pontuar. Tenho que dar uns gritos e botar a energia para fora. São 14.300 pessoas, infelizmente. Já joguei aqui com 25 mil. O Mineirinho está encolhendo – lamentou.

Bate-Bola

Sérgio Dutra Santos
Líbero do Sesi-SP, em entrevista coletiva no mineirinho

Como encara o fato de ter só um título de Superliga até hoje?
A quantidade de títulos é algo que não me importa. O relevante é que, em todos os times que joguei, defendi com unhas e dentes. Joguei duas finais de Superliga, perdi uma pelo Banespa, e ganhei outra pelo Sesi.

Há alguma rivalidade com o Serginho do Sada Cruzeiro?
O jogo é na quadra, não tem duelo nenhum. Ele vai defender a equipe dele e eu vou defender a minha. Espero que façamos um bom jogo.

O que espera da decisão?
As duas equipes têm um padrão de jogo forte. É difícil apostar, mas posso dizer que espero uma partida muito dura, sem favoritismos. Quem for assistir vai achar bom.

Bate-Bola

Sérgio Luiz Nogueira
Líbero do Sada Cruzeiro, em entrevista no mineirinho

Fica a frustração por não ter tido muitas chances na Seleção?
Não fico frustrado por causa isso. Estou na seleção, a seleção azul. É o time que mais ganhou nos últimos quatro anos. Estou feliz aqui e é aqui que eu quero permanecer.

O que achou da redução da capacidade do Mineirinho este ano?
Serão 14.300. É uma pena. Já joguei aqui com 25 mil pessoas. O Mineirinho está encolhendo. Estou com medo de jogar aqui no próximo ano, porque eles podem colocar apenas 5 mil ingressos à venda.

Aquela derrota de 2011 para o Sesi na final ficou engasgada?
Não ficou. O orçamento do Sesi era infinitamente maior. Eles tinham de ganhar. Nosso time era franco atirador do início ao fim.