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03/07/2014
16:49

Os casos recorrentes de vendas ilegais de ingressos para as partidas da Copa do Mundo tem um grande culpado: a falta de cuidados da organização do evento e das autoridades competentes. Esta é a tese apresentada pelo especialista em Ciências da Comunicação na Unesp em Bauru, José Carlos Marques, que questiona a facilidade dos cambistas em burlar o sistema da Fifa e mesmo com ingressos nominais comercializar as entradas.

O último grande caso foi o da a quadrilha comandada pelo argelino Mohamadou Lamine. Onze pessoas foram detidas no Rio de Janeiro e em São Paulo. O Ministério Público e a Polícia civil do Rio de Janeiro suspeitam da participação de integrantes da Fifa, da CBF e das Federações de Futebol da Argentina e Espanha.

- Eu acho que há um descaso. Temos visto na imprensa inúmeras matérias que atestam a facilidade que há para se adquirir ingressos por meio de cambistas e por meio de agencias, que tem endereço e telefone. No último final de semana, por exemplo, havia um destaque para um cambista brasileiro que se vangloriava de conseguir burlar essa falta de cuidado dos organizadores com o ingresso nominal e que já tinha faturado alguns milhares de reais e que prometia faturar ainda mais na próxima Copa na Rússia, porque ele percebeu que o sistema é frágil. Eu acho que é contra essa fragilidade que os organizadores tem que trabalhar para evitar esse comércio e essa ilegalidade, que é lamentável - disse.    

Mexicano (à esq.) confere ingresso de 'cambista' (à dir.) para partida das oitavas de final (Foto: Caio Carrieri)

Marques ressalta que a Fifa buscou construir um sistema de vendas seguro e que evitasse fraudes, mas o especialista critica o fato de não ter sido dada a mesma dedicação das vendas para o combate ao cambismo.

- Um evento com a magnitude de uma Copa do Mundo dá margem há inúmeras possibilidades de atividades ilícitas. A venda ilegal de ingressos é uma coisa histórica, não só no futebol. O que se lamenta é que a Fifa tenha tido tantos cuidados para criar um sistema de venda de ingressos nominais e que a própria entidade e as autoridades não consigam coibir a venda ilegal desses ingressos - comentou.