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22/06/2014
15:37

Quando Normando Bezerra tinha 12 anos, em 1965, seus pais se mudaram para o bairro do Alecrim, em Natal (RN), onde ele começou a nutrir uma paixão pelo Alecrim Futebol Clube. Sensação do futebol potiguar, o clube acabara de sagrar-se bicampeão estadual nos dois anos anteriores, superando o ABC. O América, o outro time tradicional da cidade, estava licenciado do futebol entre 1960 e 1965, para a construção de sua sede social.

A partir de então, a vida de Normando passou a se entrelaçar com a do Alecrim, que existe há 99 anos, sendo 49 deles tendo o professor de geografia como um dos mais fiéis torcedores. Tanto que, em 1977, ele se uniu a alguns amigos e fundou a Fiéis Esmeraldinos Radicais (Fera), uma das torcidas organizadas mais antigas do país. Como não havia outra no clube, todos os torcedores aderiram.

Hoje, Normando, que também é conselheiro do clube há 32 anos, tornou-se um elo de ligação entre a torcida e a diretoria e é respeitado pelos dois lados.

Esse respeito aumentou ainda mais quando sua primeira filha nasceu, em 1986, o último ano em que o clube disputou a primeira divisão do futebol nacional. Para homenagear o Alecrim, Normando registrou sua filha como Mircela, que é o nome do clube ao contrário. Se sua esposa reclamou?

- Minha mulher não reclamou porque queria o nome de Aline. Como a registrei como Mircela Aline, não houve objeção – explica o professor, afirmando que o nome já estava decidido mesmo antes de a filha nascer. Atualmente, a filha, que não gosta de futebol, enfatiza, mora no Acre.

- Quando minha filha começou a entender o motivo do nome, ela reagiu com naturalidade. Como o Alecrim é o clube mais simpático, não tem rivalidade. É como a Portuguesa em São Paulo e o Bangu no Rio – explica.

Mas essa não foi a maior loucura que o torcedor fez pelo clube.

- Em 1º de março de 2013, sofri um infarto e precisei fazer uma cirurgia cardíaca. No entanto, continuei indo aos jogos do clube mesmo antes de fazer a cirurgia. Em maio, fui operado e passei um tempo em recuperação, mas depois voltei a ir aos jogos - conta.

Como torcedor e como conselheiro, Normando já acompanhou o time em 929 jogos até hoje, conhecendo dez estados e mais de 300 cidades. A equipe, por sinal, soma 997 jogos em sua história.

Outra paixão do professor, que também é colunista do Portal JH, do “O Jornal de Hoje”, é o cantor Roberto Carlos. Além de criar o fã-clube Além do Horizonte para o Rei, há 22 anos, ele nomeou sua segunda filha como Roberta, em homenagem ao cantor. Mas se houvesse um jogo do Alecrim e um show de Roberto no mesmo horário, para qual ele iria?

- Para o jogo. Não teria nenhuma dúvida – esclarece Normando, que chegou a ir aos dois eventos no mesmo dia, em Natal. - No dia 19 de abril de 1998 foi o batizado da Roberta e teve show do Roberto Carlos e um jogo contra o ABC no mesmo dia. Mas deu para ir aos dois – relembra.

Como bom torcedor, Normando também gosta de Carnaval. Assim, em 2000, o jornalista Edmar Viana, que era o então presidente do Alecrim FC, convidou a Fera para levar o Bloco Cheiro de Alecrim, que brincava o carnaval apenas dentro do clube, para as ruas do bairro. E lá foi Normando e seus companheiros de torcida animar a região, com o som de uma orquestra de frevo. Fez tanto sucesso que desde então o bloco repete o roteiro.

Para 2015, Normando já se prepara para grandes festas envolvendo o Alecrim. Além de o clube comemorar o seu centenário e completar mil jogos, ele, Normando, chegará aos 50 anos como torcedor e às mil viagens com o clube. Em função do centenário, o time também conseguiu uma vaga para disputar a Copa do Brasil, outro motivo de festa no bairro.

- O bloco Cheiro de Alecrim vai abrir os festejos do centenário, juntamente com a Escola de Samba Imperatriz Alecrinense. O enredo será “100 anos do bairro do Alecrim” – conta Normando, que não vê a hora de 2015 chegar.