icons.title signature.placeholder Pedro Redig, especial para o LANCE!Net
17/02/2015
16:31

A Liga dos Campeões da Europa já produziu muitas finais épicas mas poucas podem ser comaparadas à decisão da temporada 1998/1999, quando o Manchester United arrasou o Bayern de Munique com dois gols na prorrogação numa improvável vitória por 2 a 1.

Eu estava lá no Camp Nou lotado, trabalhando para o serviço de televisão da maior agência de notícias do mundo e vi como tudo aconteceu. Os alemães começaram como sempre. Organizados e eficientes, saíram na frente logo aos seis minutos com um gol de falta de Mario Basler.

Sob o comando do meio-campo Lothar Matthaüs, o Bayern controlava o jogo e neutralizava todas as tentativas de reação do Manchester. Sentando na última fila do setor de imprensa e convidados, pude admirar a classe com que o ex-técnico do Atlético Paranaense comandava as ações no meio de campo.

Lá do alto, era como se estivesse num drone, olhando o movimento do Matthaüs entre as duas áreas – ou ‘box-to-box’, para usar uma boa expressão em inglês. Ia tudo bem para o Bayern que segurava a vantagem e estava perto do título.

Faltando 10 minutos, Matthaüs foi substituído. O maestro do time tinha 38 anos na época e devia estar cansado mas a saída dele desmoronou a barreira alemã e devolveu a iniciativa para o Manchester United.

O tinhoso técnico Alex Ferguson fez o time sufocar o adversário e acreditar até o fim. Quando o jogo chegava perto dos 90 minutos, o então presidente da UEFA Lennart Johansson pegava o elevador do Camp Nou com o troféu decorado com as cores do Bayern.

Ao mesmo tempo, eu descia as arquibancadas sem acreditar no que estava para acontecer. Chegando ao nível inferior, estico o pescoço na boca de acesso e vejo o goleiro Peter Schmeichel na área do Bayern. Escanteio para o Manchester United, Schneichel pula perto da bola, Giggs pega a sobra e o substituto Teddy Sheringham desvia para o gol. 91 minutos, 1 a 1.

Desço mais um lance de arquibancada. Beckham bate mais um córner, outro reserva, Solskjaer, marca de cabeça. 93 minutos, 2 a 1, fim de jogo, Manchester United campeão da Europa.

Na saída do vestiário, carregando a taça, pergunto a Beckham se é melhor do que vencer a Copa do Mundo. “Eu não sei, nunca ganhei a Copa”, ele exclama. Quando tento falar com Schmeichel, sou barrado pelo filho dele Kasper, atual goleiro do Leicester: “Voce não pode chegar perto dele,” protesta o filho de Shmeichel que era um garoto de 13 anos na época.

Olho para os alemães incrédulos e eles começam a chorar. Viro para os ingleses igualmente espantados e eles derramam lágrimas de alegria… é como se o impossível tivesse acontecido