icons.title signature.placeholder Eduardo Mendes
10/11/2014
09:04

As cinco assistências na atual temporada e o título de melhor lateral direito do campeonato passado colocaram Cicinho, hoje absoluto no Sivasspor, na mira do Besikitas. Mais do que a evidência, o jogador reencontrou na Turquia o foco para jogar futebol. Em meio a um reduto muçulmano - 99% da população do país - ele consegue tempo para se dedicar às pregações e tem uma vida restrita a passeios com a esposa e filha recém nascida, especialmente para conhecer a culinária local.

Religião e família tidas como prioridade e que fazem o lateral, que está com 34 anos, sequer pensar em aposentadoria. Pelo contrário, ele quer postergar o fim da carreira e, de preferência, neste momento, em território turco.

- Sou apaixonado pela Turquia. Imaginava algo totalmente diferente. É um país acolhedor e o brasileiro é muito bem quisto. Talvez pelo sucesso do Alex no futebol aqui. Isso abriu as portas para outros brasileiros - destacou.

A despeito de estar somente há pouco mais de um ano na fria Sivas - há registro de temperaturas inferiores a -20 graus no inverno - Cicinho queixa-se apenas do fator idioma.

- Cumprimentar, pedir comida, dá para arriscar. Mas é muito difícil, precisa estudar. E Sivas não é uma cidade turística, então quase ninguém fala inglês. Não se consegue encontrar professor que fale inglês e português. Fazer inglês com turco é complicado. No clube tenho um tradutor que ajuda muito - contou o jogador.

Enquanto tenta tornar a comunicação tão eficiente quanto ao desempenho dentro de campo, o lateral comemora a recuperação da boa conduta. Depois de superar problemas extracampo que o atrapalharam na passagem pelo Sport no ano passado, Cicinho, hoje, é referência no grupo.

- O presidente gosta muito do meu estilo de vida. Quando vou aos programas de TV, também falam da minha postura, que é exemplar. Isso serve para ajudar outros jogadores - comentou.

Bom exemplo que também é visto pelo técnico da equipe, o ex-lateral Roberto Carlos. Ele, inclusive, foi o grande entusiasta para que Cicinho não recusasse a proposta dos turcos no meio do ano passado.

Pelo Sivasspor, eles reeditam a parceria dos tempos de Real Madrid (ESP).

- Não foi a proposta financeira. Roberto me ligou e disse que precisava de um jogador brasileiro de confiança dele. A proposta de trabalho foi muito boa e tem dado muito certo - disse.

Apesar do encanto pela Turquia e do bom desempenho em campo, Cicinho não descarta um retorno ao Brasil, onde já defendeu, além do Sport, Atlético-MG, Botafogo e São Paulo.

A crise financeira do futebol nacional, entretanto, é uma questão que faz o jogador resistir a um possível contato de interessados. O lateral usou a palavra "responsabilidade" - no caso, falta dela - para comparar o atual momento na Turquia com uma realidade comum que poderia encontrar no país.

- É claro que voltar a jogar no Brasil seria um sonho realizado. Mas, hoje, são raros os clubes que assumem a responsabilidade e pagam em dia. Não é questão de ser mercenário. É ter uma tranquilidade para trabalhar. Assim você consegue render e tem vontade de jogar. Tenho mais dois de contrato e vou trabalhar. O futuro a Deus pertence - ponderou.

Cicinho aproveitará a folga nos próximos dias para acompanhar o amistoso entre Brasil e Turquia, na quarta-feira. Mas antes, passará alguns dias na Itália, de onde sente saudades dos tempos em que defendia a Roma.

- De todos os lugares que já morei e que falo até hoje que tenho vontade de morar é Roma. Morei cinco anos e foi lá que conheci minha esposa - lembrou.