icons.title signature.placeholder Fábio Aleixo
29/04/2014
08:00

Bicampeã olímpica, tricampeã mundial, nove vezes campeã da Liga Mundial. Estas são as principais conquistas da Seleção Brasileira masculina de vôlei ao longo das duas ultimas dácadas. Mas, parte deste sucesso deve-se a jogadores que possuem como láurea máxima em seus currículos pela equipe nacional duas medalhas de prata, uma em um Campeonato mundial (82) e uma na Olimpíada.

Há quase 30 anos, Bernard, Montanaro, William, Marcus Vinícius, Xandó e companhia ficavam com o vice-olímpico em Los Angeles (EUA), no dia 11 de agosto de 1984. O feito os eternizou como a Geração de Prata. Uma equipe que abriu as portas para gerações futuras e fez o vôlei brasileiro ser respeitado internacionalmente, após um longo período sem resultados expressivos.

– Não trocaria tudo o que fizemos por uma medalha de ouro na Olimpíada. Fomos desbravadores. Aquela geração abriu as portas do exterior para os jogadores que vieram depois. Até então, ninguém tinha jogado fora. Daquele time, praticamente todo mundo jogou na Itália – diz o ex-jogador Rui Campos Nascimento.

– A partir de 1981, começou a haver um maior nível de profissionalismo no vôlei brasileiro, com o Nuzman (Carlos Arthur) na presidência da CBV. Até então, jogávamos em troca de dois sanduíches e uma Coca-Cola. Aquela geração foi um marco. Ali, as coisas começaram a mudar de fato e dar resultados – diz o ex-atleta e atual diretor executivo de esportes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marcus Vinícius Freire.

Por ironia do destino, aquele que tornou a Geração de Prata famosa em todo o Brasil deu adeus poucos meses antes da celebração de 30 anos da medalha de prata: Luciano do Valle, ou Luciano do Vôlei, como gostavam de chamá-lo os jogadores.

E foi o ex-locutor um dos principais responsáveis por organizar o jogo que até hoje é muito mais lembrado do que a própria prata olímpica, o famoso Brasil 3 x 1 União Soviética, no Maracanã, em 1983. O duelo, sob chuva intensa, levou mais de 90 mil pessoas ao estádio e popularizou de vez a modalidade no país.

– Luciano nunca narrou tanto “gols” como naquela noite. Tinha tudo para dar errado por causa da chuva, das complicações. Para quem estava de longe, era como se fosse uma partida de tênis de mesa. Mas dali em diante tudo mudou. O esporte explodiu – resume Rui.

Medalha roubada e cópia

Apesar da medalha em 1984 ser a única sua em Olimpíadas, Marcus Vinícius Freire possui apenas uma réplica dela em sua casa, no Rio de Janeiro. A original foi roubada durante uma mudança em 1990, quando acabava de retornar da Itália, onde atuou por vários anos.

– Fui roubado. Alguém que fez esta mudança levou, assim como o pin que ganhamos do COI (Comitê Olímpico Internacional). Não tenho a menor ideia de onde foram parar – contou ao LANCE!.

A cópia foi feita graças a ajuda de Rui, que emprestou sua medalha. Já o pin, ele recuperou graças a uma ajuda do Comitê Olímpico Brasileiro, que lhe mandou um novo.

– Apesar de ser uma cópia, para mim ela tem o mesmo valor – disse.

Marcus Vinícius ainda tem a esperança que o COI consiga enviar uma nova medalha. O processo, porém, é complicado e pode levar diversos anos. É necessário fazer um requerimento e apresentar documentos que comprovem o furto ou o extravio. Quem o ajudará na empreitada será Bernard, que desde o ano passado é membro do Comitê Olímpico Internacional.



PRIMEIRA FASE

Brasil 3 x 1 Argentina
(15-8, 15-8, 16-18 e 15-13)
Brasil 3x0 Tunísia
(15-5, 15-9 e 15-12)
Brasil 1x3 Coreia do Sul
(4-15, 13-15, 15-13 e 8-15)
Brasil 3x0 EUA
(15-10, 15-11 e 15-2)

SEMIFINAL

Brasil 3 x 1 Itália
(12-15, 15-2, 15-3 e 15-5)

FINAL

Brasil 0 x 3 EUA
(6-15, 6-15 e 7-15)

O time da Olimpíada: Bernardinho, Xandó, badlhoca, Montanaro, Rui, Renan dal Zotto, William, Amauri, Marcus Vinícius, Maracanã, Bernard e Fernandão.