icons.title signature.placeholder Eduardo Moura
18/06/2014
17:02

Mais um capítulo dos protestos contra a Copa do Mundo aconteceu no início da tarde desta quarta-feira, em Porto Alegre. Mas não acabou da melhor maneira. Os estilhaços de uma bomba de efeito moral jogada pela polícia atingiram três jornalistas. O LANCE!Net conseguiu contato com um deles, Cristiano Soares, da Rádio Guaíba, e estranhou o comportamento da Brigada Militar.

Soares foi atingido no polegar esquerdo, enquanto estava ao vivo em sua rádio. Outro jornalista, Daniel Fávero, repórter do Terra, teve um estilhaço de 2cm perfurando o braço. Ambos, com ferimentos considerados leves, foram levados ao Hospital de Pronto Socorro - Soares levou 12 pontos no dedo. Foi de uma maca no local que o jornalista da Rádio Guaíba conversou com o L!Net. O outro profissional foi um jornalista chileno, ainda não identificado.

- Estava no ar no momento da explosão. Podia ter pego no meu rosto, foi na mão que estava segurando o celular. O celular e minha mão acabaram me protegendo - contou Soares.

O protesto contou com poucas pessoas, cerca de 100 manifestantes. Soares, que cobre as manifestações desde junho do ano passado, estava com outros colegas na Praça Argentina, na esquina das avenidas João Pessoa e Osvaldo Aranha. O grupo resolveu se movimentar pela João Pessoa. Tomariam o rumo do centro da cidade. A Brigada Militar bloqueou o caminho e o grupo rumou em direção aos policiais. Foi nesse momento que duas bombas de efeito moral foram jogadas na direção do aglomerado de pessoas. Segundo Soares, em situações semelhantes em protestos anteriores, a escolha era por bombas de gás lacrimogênio.

- Achei estranho o comportamento, fazer o cordão de isolamento, sendo que a manifestação ia para o centro, não era para o estádio nem para a Fan Fest. E de jogar a bomba de efeito moral, sabendo que tem estilhaços. E foi perto também do cordão de isolamento da Brigada, porque eles estavam perto também. Jogaram uma na frente e uma mais para a esquerda, nos pés das pessoas - relatou Soares ao L!Net.

O principal protesto até o momento contra a Copa do Mundo aconteceu no dia da abertura do evento, dia 12 de junho. Nos dias de jogos em Porto Alegre, caso desta quarta e no último domingo, as manifestações reuniram um número menor de pessoas. A insatisfação com a Fifa é a principal bandeira dos gritos de guerra do movimento.

Ainda segundo o relato de Soares, lideranças mais conhecidas da organização das manifestações passaram a não ser vistas nos últimos protestos organizados pelo Bloco de Lutas pelo Transporte Público, que centraliza as ações.

SEGURANÇA PÚBLICA SOLTA NOTA

Na tarde desta quarta-feira, a Secretaria de Segurança Pública publicou uma nota em seu site confirmando o lançamento de quatro granadas de efeito moral para conter os manifestantes que avançavam na direção da tropa postada no local. Explicaram o uso deste artifício para não usar gás lacrimogênio e atingir transeuntes. Segundo a nota, os dois jornalistas brasileiros foram atendidos por uma ambulância da Brigada Militar antes de ir ao HPS.

*Atualizado às 17h40