icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese e Marcio Porto
16/02/2015
14:28

A torcida Tricolor Independente, maior organizada do São Paulo, ainda não sabe como voltará de Itaquera após o clássico desta quarta-feira entre Corinthians e São Paulo, pela Libertadores, e cogita fazer a pé o trajeto entre o bairro da Zona Leste e o centro, onde fica a sede da torcida. Isso desde que as autoridades não disponibilizem transporte público, o que, até o momento, não aconteceu.

A Independente já protocolou um ofício à Secretaria de Transportes, mas diz que até esta segunda-feira não recebeu resposta. Indignados, membros da torcida chegaram a entrar em contato com o presidente do Tricolor, Carlos Miguel Aidar, para encontrar uma solução. Eles dizem que o Ministério Público os apoiam na reclamação.

- Já tentamos falar com a Secretaria de Transportes, prefeitura, e nada, ninguém nos responde. Estamos tentando uma medida de prevenção, porque não nos responsabilizamos por eventuais confrontos. Sabemos que a Radial Leste é ponto de corintianos, mas é nossa única opção. Falamos com os promotes Paulo Castilho e Roberto Senise e eles estão do nosso lado, acham que é uma loucura não termos transporte para voltar - afirmou ao LANCE!Net Henrique Gomes, vice-presidente da Independente.

(Torcida Independente teme por problemas no clássico em Itaquera)

O impasse passa pelo horário do jogo, a estratégia da Polícia Militar para garantir a segurança dos visitantes (o Corinthians diz que recebeu pedido de 1.500 entradas, enquanto a Independente fala em 1.800 torcedores) e o horário de encerramento do transporte público na quarta-feira. O jogo está previsto para começar às 22h, e a PM já avisou que vai segurar os torcedores do São Paulo por mais uma hora. O Metrô está previsto para funcionar até à 00h30, enquanto a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) fecha à meia-noite. 

A estratégia de segurança do clássico foi definida na última sexta-feira, em reunião no 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar. Segundo os são-paulinos, a PM garantiu a escolta da ida, como é de praxe, partindo da estação da Luz, mas para a volta sugeriu apenas que eles fretem ônibus. A Independente alega que não será possível.

- Não tem como. Ninguém quer fretar ônibus para um jogo desses. As janelas voltam quebradas de Itaquera, e o cara já não consegue trabalhar quinta e sexta até arrumar. Precisamos do transporte público - afirmou Henrique.

O requisito da torcida está amparado em dois fatores. A primeira parte de uma brecha que já foi dada à torcida do Corinthians. Desde o ano passado, o Metrô funciona até 00h30 no dia de jogos às 22h por decisão do Governo do Estado primeiramente para auxiliar à torcida do Corinthians e depois estendida para jogos no Pacaembu e Allianz Parque, estádio do Palmeiras. Esta será a primeira vez que um clássico acontece desde que a medida foi adotada. Caso as autoridades não cedam, a Independente diz que pode haver problemas.

- Se fizeram para o Corinthians, precisam fazer pela gente. Estamos tentando evitar problemas. Imagina a indignação do cara que terá de andar 22 quilômetros para voltar do jogo, pagando R$ 150 no ingresso? Não dá para se responsabilizar por danos ao metrô - disse o vice-presidente da organizada.

A outra alegação é baseada no Estatuto do Torcedor, lei federal 10.671, de 2003. No artigo 26 da lei, está previsto que os torcedores têm direito assegurado aos meios de transporte, tanto na entrada quanto na saída.

O vereador Marco Aurélio Cunha (PSD), conselheiro vitalício do São Paulo, prestou apoio aos torcedores e reforçou que eles estão certos a exigir o transporte público.

- O poder público tem a obrigação de garantir o retorno da torcida do São Paulo com segurança através de trem ou metrô - declarou Marco.

Segundo o vice-presidente da Independente, uma alegação ouvida na reunião de sexta para não estender mais o horário do Metrô foi de que haveria protesto de demais partes da sociedade que não tem possuem o benefício.

O LANCE!Net entrou em contato com a PM, mas a assessoria de impresa limitou-se a dizer que todo o esquema foi definido na sexta-feira passada. A reportagem também ligou para a Secretaria de Transportes, mas não foi atendida.