icons.title signature.placeholder Lucas Faraldo Knopf
17/04/2014
17:24

São Paulo, Santos e Palmeiras necessitaram do jogo de volta neste mês de abril para buscar a classificação na segunda fase da Copa do Brasil. Se dentro de campo todos conseguiram, sem maiores problemas, espantar a zebra e manter-se vivos no torneio de mata-mata, fora das quatro linhas houve uma diferença considerável: o número de torcedores que compareceu aos estádios.

Durante a vitória por 3 a 0 diante do CSA-AL, na noite do último dia 9, o Tricolor não somente encheu boa parte do Morumbi, como também bateu seu recorde de público do ano como mandante até aqui, com 28.742 pagantes, somando R$ 309.043 de renda.

Santos e Palmeiras, por outro lado, amargaram seus piores públicos da temporada como mandantes justamente nas partidas válidas pela Copa do Brasil. Na última quarta-feira, o Peixe recebeu apenas 2.321 pagantes na Vila Belmiro, com renda de R$ 70.754, durante o triunfo de 3 a 0 para cima do Mixto-MT. O Verdão, no último dia 2, teve apenas 4.430 torcedores presentes no Pacaembu assistindo à vitória de 2 a 0 diante do Vilhena-RO, totalizando R$ 124.950 de renda.

O público que pagou para assistir ao jogo do Palmeiras equivale a 15,5% do total de torcedores que compareceu ao Morumbi na partida do São Paulo. O número é ainda mais chamativo se for comparado com a quantidade de santistas que foi à Vila Belmiro na última quarta: equivalente a 8,5% da torcida são-paulina.

FATORES

Um motivo óbvio para esperar superioridade do São Paulo em relação a seus arquirrivais no que diz respeito a média de público é o tamanho do Morumbi. O estádio tricolor tem capacidade para mais de 65 mil torcedores. Tal número é bem superior aos 37 mil lugares do Pacaembu e aos 16 mil da Vila Belmiro.

Mas somente a quantidade de assentos nos estádios não explica a diferença de público vista nos primeiros jogos de São Paulo, Santos e Palmeiras como mandantes nesta edição da Copa do Brasil. No caso do Tricolor, o time estava sem jogar havia duas semanas, já que no dia 27 de março foi eliminado do Paulistão pelo Penapolense. Além da "saudade", existiram fatores como a estreia de Alexandre Pato na capital paulista e os baixos preços dos ingressos (R$ 3 para sócios e R$ 10 para torcedores comuns).

Em relação aos quase 3 mil pagantes no jogo do Peixe contra o Mixto, as explicações giram em torno do duelo diante do Ituano, realizado no último domingo. Após ficar com o vice-campeonato estadual, perdendo a taça para o surpreendente time de Itu, o torcedor santista ainda sente o clima de "ressaca". As ausências de nomes como Leandro Damião e Cícero, que se recuperam de problemas físicos, também afastam a torcida. O salgado preço dos ingressos, que foram vendidos a um mínimo de R$ 40 (meia-entrada custando R$ 20), é mais um fator para entender o baixo público.

Acerca do decepcionante público do Verdão no duelo contra o Vilhena, os porquês são semelhantes aos do Santos. Cinco titulares foram vetados pelo departamento médico para aquele duelo (Fernando Prass, Juninho, Wesley, Valdívia e Alan Kardec). Três dias antes, o time havia sofrido um inesperado revés, sendo eliminado do Paulistão pelo Ituano, no mesmo Pacaembu, diante de quase 30 mil pagantes. Quanto aos ingressos, assistir à partida nas arquibancadas custou R$ 40 (meia-entrada custando R$ 20). A exceção foi o Tobogã, que tinha bilhetes a R$ 20 (meia-entrada custando R$ 10).

COM A PALAVRA

Márcio Porto, repórter do Núcleo São Paulo: "A boa presença de são-paulinos no jogo contra o CSA-AL, no Morumbi, se deve, principalmente, a duas razões. Primeiro é que era a estreia de Alexandre Pato no estádio. Foi a primeira oportunidade de o torcedor ver de perto o badalado jogador. E, segundo, o preço dos ingressos. Além da estreia de Pato, o duelo era o último do presidente Juvenal Juvêncio no comando do clube, um marco importante. Por isso, a diretoria colocou bilhetes com média de R$ 3 a R$ 10 e atingiu o objetivo, de receber um bom público."

Gabriel Carneiro, repórter do Núcleo Santos: "Ninguém esperava a Vila Belmiro lotada na partida desta quarta-feira, pela Copa do Brasil, contra o Mixto-MT. Mas o público de 2.321 pagantes para um jogo eliminatório de um torneio que vale vaga na Libertadores decepcionou o técnico Oswaldo de Oliveira e também o grupo de jogadores do Santos. A torcida, que fez uma festa incrível domingo, no Pacaembu, não adotou o time, desfalcado de Cícero e Leandro Damião, diante de um adversário mais modesto. Nos próximos jogos, aos poucos, os torcedores devem voltar ao estádio. Mas a marca de pior público do ano dificilmente será superada."

Fellipe Lucena, repórter do Núcleo Palmeiras: "O pequeno número de palmeirenses no jogo contra o Vilhena foi um ponto fora da curva. Afinal, aquela foi a primeira partida após a eliminação no Campeonato Paulista, que jogou um balde de água fria na antes empolgada torcida alviverde: basta lembrar que foram mais de 29 mil pessoas no fatídico jogo contra o Ituano, o recorde da temporada. É natural que, com o passar das fases, o Pacaembu receba públicos bem melhores nos jogos da equipe."