icons.title signature.placeholder Carlos Alberto Vieira
22/06/2014
16:15


Aos poucos os torcedores americanos tomaram Manaus. Chegando em voos regulares dos Estados Unidos ou de cidades brasileiras, eles fazem parte de uma tropa diferente. Em vez de grandes grupos, como croatas ou ingleses, são vistos sozinhos ou duas e três pessoas, em sua grande maioria.  Eles também gostam de andar pela cidade, fuçando qualquer parte dela. Sejam a região do porto, as áreas turísticas, o bairro de classe popular, shoppings, bares, mercearias. Estão, literalmente, por todos os lugares. A Secretaria de Turismo do Amazonas estima 35 mil. Parece exagerado, mas eles se destacam.

Muitos usam camisas com o logo da federação americana ou as camisas oficiais. Dempsey é o jogador com o nome mais usado às costas. E as mulheres também marcam presença, bem diferente de todas as outras seleções, com esmagadora predominância de homens.

- O futebol é bem difundido entre as mulheres. Lá, acompanhamos com interesse. Não estou aqui só para acompanhar o meu namorado. Estou aqui para curtir a competição e a cidade dos jogos - disse Corey, uma engenheira do Colorado que acompanhava Matt, também engenheiro.

- Nós americanos gostamos de viver estes grandes eventos. Por isso comparecemos em Olimpíadas e Copas do Mundo. É um prazer ver o time americano disputar um Mundial, mesmo sabendo que a  chance de sucesso é pequena, disse Jerry, que passeava na região do teatro Amazonas, ponto de encontro dos estrangeiros, com um visual capaz de deixar Raul Meireles e Beckerman com inveja: ele cortou o cabelo de forma a deixar tufos como se fossem gomos de uma bola.


- Mas nesta Copa vamos um pouco mais longe do que o normal. Contra Portugal vamos vencer por 2 a 0 ou 2 a 1 se o Cristiano Ronaldo jogar para o lados deles - concluiu.

Aliás, Cristiano Ronaldo é o assunto preferido. Francisco, que apesar do nome é americano e não fala uma linha de português ou espanhol, por duas vezes comentou que os Estados Unidos só venceriam "aquele time do Cristiano Ronaldo" se o craque não estivesse em campo.
Ao seu lado estava Chris. Ele chegou em Manaus na noite de sexta-feira, disse que não via o calor da cidade como um complicador.


- Pegue as partidas da MLS. Grande parte delas é realizada em estados com temperaturas extremas. Isso não será problema. Problemas é o Cristiano Ronaldo. Ele vai jogar mesmo? Então vou arriscar só um empate. E porque sou americano, disse, enquanto tirava fotos da praia de Ponta Negra, cartão-postal da cidade e a área da Fan Fest.

 David e Anne, marido e mulher, também tiravam fotos no local  e resumiam uma sensação que todos.

- Estamos acompanhando os Estados Unidos e alguns jogos da Copa. Estive em três cidades e não encontrei um clima tão feliz. Aqui a cidade parece gostar do Mundial. Por isso ficamos passeando pelas ruas, sem direção. Só para curtir essa sensação boa. Se não fosse esse calor, seria perfeito.