icons.title signature.placeholder Felippe Rocha
11/12/2013
07:02

Acompanhar um jogo de seu time foi mais problemático do que Diogo Cordeiro da Costa Ferreira poderia imaginar. Diogo é o torcedor vascaíno que foi agredido por atleticanos da facção organizada Fanáticos fora do estádio. Ele também foi atendido no Hospital São José, em Joinville (SC), assim como os brigões da partida entre o Cruz-Maltino e o Furacão, neste domingo, mas levou socos e até uma pancada por trás e não pôde assistir o jogo.

- Sou carioca, mas passei num concurso da Receita Federal e, por isso, moro em Manaus (AM) há seis meses. Na quinta-feira, um amigo que está passando férias em Curitiba foi até a Arena da Baixada e comprou dois ingressos: um para mim e para minha namorada, que mora em Porto Alegre (RS). Assim que ele comprou os ingressos, comprei a passagem de avião - disse.

O INÍCIO DA SAGA

Diogo, então saiu de Manaus, de avião, para Curitiba, onde pegou os ingressos, alugou um carro e rumou à cidade catarinense, distante 131 km, onde encontrou sua namorada, que saiu de Porto Alegre (RS), já no hotel onde haviam feito reserva, no sábado de manhã.

- Durante todo o dia (sábado), parecia só haver vascaínos na cidade, inclusive no hotel onde estávamos. E o clima era bom, tranquilo até então. Já no domingo, saímos de carro do hotel por volta das 14h e demos uma volta no estádio, para vermos por onde as torcidas entrariam. Não havia polícia nenhuma. Zero. E, pelo que eu achava que era a entrada principal, vi boa parte da torcida do Atlético - lembrou.

O torcedor, em seguida, passou por um viaduto (o mesmo no qual seria agredido mais tarde), estacionou o carro próximo a um bar e lá almoçou. Fechou a conta às 16h e foi, andando, para o estádio. Sempre com sua companheira. Até que um grupo de integrantes da facção organizada Fanáticos, do Atlético-PR, apareceu no viaduto.

- Quando estava almoçando, vi os torcedores do Vasco se dirigindo à direção contrária a que estavam os atleticanos, então, quando deixei o bar, os segui. Quando cheguei no viaduto, de volta, cerca de 15 torcedores com camisas da Fanáticos estavam gritando cantos de guerra, xingando até idosos e mulheres com camisa do vasco e impedindo passagem dos carros em dois sentidos de um cruzamento. Eu, que estava com a camisa preta do Vasco, fiquei ressabiado de correr - afirmou, antes de prosseguir:

A AGRESSÃO

- Neste momento me acuaram, me xingaram e eu tive que brigar com eles. Foi um drama de cerca de dois minutos. Consegui aguentar em pé por cerca de um minuto, dando soco e tomando. Eram uns quinze e como se fosse um "corredor polonês". Dando soco e tomando. Foi quando um covarde me atingiu pelas costas. Acho que perdi a conciência, porque bati com o rosto num no muro baixo do viaduto, já que, neste momento, eu estava ajoelhado - comentou.

Diogo lembrou ainda a preocupação com a namorada durante o ocorrido, as tentativas de se proteger quando já estava no chão e acreditou que os baderneiros pararam de agredi-lo porque viram algum policial.

- Eu falava para ela se cuidar, ficar atrás de mim. E não via polícia. Lembro de pensar "não posso perder a consciência", defendendo o rosto, mesmo de barriga para cima, de chutes. Acredito que de uma barra de ferro também, pela marca que ficou no meu corpo. Acredito que a polícia tenha chegado, sim, porque eu acho que seria o único motivo para terem parado. Ela pediu para pararem de bater. Lembro de ouvir "pega a camisa dele"... - disse Diogo.

O vascaíno, finalmente, pôde levantar. E, apesar de muito machucado, desceu o viaduto rumo ao estádio. Quando viu um policial algemando alguns dos seus agressores:

- Quando levantei tinha um já virando de costas. Vi um policial quando desci o viaduto. Ele estava algemando três dos que me agrediram. Então ele me perguntou: "Quer representar?" Eu respondi: "Vou ter que perder o jogo?". Quando ele disse "sim", eu disse que não queria, já que tinha saído de tão longe - afirmou.

ATENDIMENTO MÉDICO

No mesmo local, Diogo precisou ser atendido por um veículo da polícia equipado para primeiros socorros. Foi quando soube que não poderia cumprir seu objetivo principal na cidade:

- Recebi os primeiros socorros e passaram até álcool, pois estava com a perna ralada... seria liberado, mas senti um inchaço no rosto. Um policial disse que eu estava com suspeita de TCE (Traumatismo craniano encefálico) e que, a partir daquele momento, o jogo já era para mim. Então eu mudei de ideia, disse que queria sim representar, mas já era tarde, os três já haviam sido liberados - lamentou.

Restou a Diogo ser encaminhado, no veículo, para o hospital São José, onde deu entrada às 17h03. Segundo ele, o atendimento dos policiais e dos funcionários do hospital foi bom e todo o procedimento foi feito de maneira rápida:

- Os policiais me atenderam bem. Os poucos que havia lá foram bem. No São José fui bem atendido. Estava lúcido. Lá tomei os quatro pontos, fiz a sutura e depois fui encaminhado para a radiografia e tomografia da região torácica. O resultado saiu e, como não havia nenhuma fratura (o TCE estava descartado) ou nada mais grave, fui liberado. Quando cheguei no hotel o jogo ainda estava no segundo tempo (por volta das 19h) - lembrou.

O AINDA DOLOROSO CAMINHO INVERSO

O vascaíno então foi para o hotel, tomou banho e foi pegar seu carro. Eram quase 22h, quando, com o carro, jantou na cidade e retornou ao hotel. No dia seguinte, deixou a namorada no aeroporto da cidade e voltou para Curitiba, de onde pegou um avião rumo a Manaus. Mas na terça-feira, novas dores:

- Acordei muito dolorido, cheguei a ir para o trabalho, mas meu chefe me liberou, pois eu estava sem condições. Muitas dores na costela. Passei das 9h30 às 15h30 no hospital fazendo novos exames, que constataram uma fissura na costela. Tenho dificuldade para respirar até agora - concluiu.

Diogo recebeu licença médica de 15 dias, mas, apesar das más lembranças de Joinville, afirmou que não deixará de acompanhar o clube. Sua namorada também não, apesar de ainda chorar ao lembrar do ocorrido.