icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese e Rodrigo Vessoni
07/12/2013
10:00

O Corinthians se despede da temporada contra o rebaixado Náutico, às 19h30, na Arena Pernambuco. Será o último jogo de Tite à frente da equipe. O técnico, que já recebeu várias homenagens da torcida e do clube, não sabe quando voltará. Mas nessa entrevista exclusiva ao LANCE!Net, deixou claro que um retorno terá de acontecer naturalmente, sem pressão, sem que ele ou alguém tenha de torcer contra o Timão para que algum treinador seja demitido. Veja trechos:

Que balanço você faz desses últimos dias de clube?
O torcedor está me dando uma lição que, no futebol, existem as cobranças, que não são poucas, mas que também reconhecem. Muito mais do que eu imaginava, do que eu pudesse supor que algum profissional pudesse ter. Está extrapolando qualquer patamar normal, tem me surpreendido.

Acha que essa despedida serve de exemplo para os jogadores?
Tenho essa consciência, está passando mensagem implícita. Não precisa ser malandro, dar porrada e cusparada para ganhar Libertadores, precisa ser mais competente. Não precisa jogar spray de pimenta...dá para ter auto-estima, orgulho próprio, ser melhor e qualidade para vencer.

Após o título brasileiro, em 2011, sua esposa Rose disse “Sim, o bem pode vencer no futebol”...
A gente erra como ser humano, mas temos a ideia do bem. Daqui a pouco eu magoo uma pessoa sem saber, mas é a ideia de fazer o bem, de ser justo. E tem o lado do amor. Ela está demonstrando amor, passando assim: meu marido é do bem. Senti um simbolismo do amor que ela sente por mim.

Como foi a reação dos familiares quando anunciou a saída?
A mãe sentiu mais. Ela se sentia parte integrante, ia gente lá na casa dela, vestia a camisa, entrevistava, ela entrou para o time. Ela sentiu, eu precisei falar calma.

Importância do técnico é mais tática ou de domar o ambiente?
Aprendi como atleta, como professor de educação física, e depois estudando, que bom ambiente de trabalho é pré-requisito para você desenvolver potencial. Eu só respeitava técnico se ele tinha senso de justiça, se dizia as coisas e se tinha conhecimentos técnico e tático. O campeão mundial teve um macro de condição física, técnica, tática e mentalidade altíssima. Bom ambiente é fundamental, mas precisa ter conhecimento.

Em 2005, você disse que voltaria. E agora? Garante que volta?
No sábado à noite (depois do jogo), eu respondo (risos). De gostar é uma coisa, de vir é outra. Tem de ser natural, tem de ser espontâneo, tem de ser boa para todo mundo, tem que tudo conspirar...

Você já havia sido convidado outras vezes para voltar ao Corinthians, antes de 2010, não?
Em 2007, ano em que o Corinthians caiu, fui convidado para assumir antes do Nelsinho. Pedi para sair e o diretor do Al Ain disse “Nem tenta, vocês acabaram de chegar, nem tem jogo ainda, se você falar com o xeque, cortará a confiança”. Eu queria vir, disse isso naquele ano. Depois, deu certo.

Como teria de ser para voltar?
Não pode ser é algo induzido, não quero ficar pensando assim “Ó lá, é agora, vou torcer contra, é agora!”. Não quero isso, quero entrar de forma limpa e tranquila, fiz me entender, né? Quero uma coisa que venha fluir normalmente. Vou até avisar já todo mundo: Não vem contratar o Tite achando que tem fórmula mágica para ganhar cinco títulos como foi! Não tem. É fruto de um trabalho. Não vem colocar esse orangotango nas minhas costas, não. Cinco títulos, torcida aplaudindo depois de uma desclassificação na Copa Libertadores, não vai ser fácil isso, esquece, não existe isso. Tomara que tenha, mas é muito difícil.