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24/11/2014
09:56

A Seleção Brasileira de futebol de cegos (futebol de 5) conquistou na manhã desta segunda-feira o seu quarto título mundial. Em Tóquio, no Japão, o time jogou a final da competição contra a arquirrival Argentina e venceu por 1 a 0, gol de Jefinho no início do segundo tempo da prorrogação. No tempo normal, a partida havia sido encerrada sem gols.

Com a vitória, a Seleção manteve a invencibilidade que já dura desde 2007. Há sete anos, jogadores brasileiros não sabem o que é perder uma competição da modalidade. Tricampeã paralímpica (Atenas-2004, Pequim-2008 e Londres-2012) e, agora, tetracampeã mundial, a equipe conseguiu cumprir o segundo objetivo rumo aos Jogos do Rio-2016.

No ano passado, sagrou-se pentacampeã da Copa América. Neste ano, veio o tetracampeonato mundial. Em 2015, a meta é conquistar, pela terceira vez, o títulos dos Jogos Parapan-Americanos. O Brasil foi ouro no Pan do Rio, em 2007, e em Guadalajara-2011.

Além do Brasil, apenas a Argentina carregou a taça de campeã em um Mundial. Os hermanos ficaram com o título nas edições de 2002 e de 2006, realizadas, respectivamente, no Rio de Janeiro e em Buenos Aires. Já a Seleção Brasileira atualizou a estante de troféus nesta segunda-feira e está com quatro títulos: venceu nos Mundiais de Campinas-1998, Jerez-2000, Hereford-2010 e Tóquio-2014. As duas equipes se enfrentaram em três destas decisões, além do encontro de hoje: 1998, 2000 e 2006.

O Mundial em Tóquio começou no dia 16 e reuniu 12 seleções (Japão, França, Paraguai, Marrocos, Brasil, Turquia, China, Colômbia, Argentina, Espanha, Coreia do Sul e Alemanha). Pela primeira vez, a competição organizada pela Federação Internacional de Esportes para Deficientes Visuais (IBSA, na sigla em inglês) foi realizada em um país asiático. A sétima e próxima edição do torneio será em 2018, ainda sem sede definida.

O jogo

Como já é costume quando se trata de um Brasil x Argentina, a partida foi bastante tensa, com chances de gol para ambas as partes. Enquanto os hermanos tentavam vazar a Seleção pela terceira vez neste Mundial (Colômbia e China também passaram pela defesa nacional), as principais oportunidades do Brasil estiveram nos pés de Ricardinho.

Mas o pivô parou em duas ocasiões naquele que foi seu grande algoz no duelo, o goleiro argentino Lencina. Foi ele o responsável por manter o zero no placar durante o tempo normal. A principal chegada ocorreu no fim da primeira metade, quando Ricardinho chutou forte de fora da área, mas Lencina esticou-se e conseguiu afastar o perigo.

Os argentinos também tiveram as suas chances. O momento de maior tensão para os brasileiros ocorreu no fim do tempo normal de jogo, quando o rival Lucas saiu cara a cara com o goleiro brasileiro Luan que, atento, conseguiu evitar o gol dos vizinhos sul-americanos.

Na prorrogação, o domínio foi verde e amarelo. Logo no início do tempo extra, Cássio poderia ter anotado em cobrança de tiro livre, que acabou outra vez defendido por Lencina. Contudo, minutos mais tarde, coube a Jefinho a tarefa de, enfim, vencer o goleiro rival. O melhor jogador do mundo de futebol de 5 invadiu a área argentina e bateu rasteiro, indefensável. Os argentinos ainda tentaram pressionar o Brasil e tiveram um tiro livre no segundo tempo da prorrogação, mas a cobrança foi desperdiçada.

Após o término da partida, a festa brasileira foi ainda maior em decorrência da premiação individual. O pivô Ricardinho foi eleito o melhor jogador da competição. O treinador Fábio Luiz Vasconcelos também foi bastante festejado, uma vez que já havia sido campeão como jogador e agora completa a sua galeria de títulos como técnico. Aos argentinos, fica como consolo a garantia de um lugar nos Jogos do Rio-2016. Como país-sede, o Brasil já havia se garantido, então, como vice-campeões, os hermanos também asseguraram um lugar na próxima Paralimpíada.