icons.title signature.placeholder Valdomiro Neto
15/06/2014
22:43

Lance do segundo gol da França, que requereu uso da nova tecnologia (FOTO: AFP)

O primeiro gol definido com uso da nova tecnologia da linha do gol (chamada de Goal Line) gerou reações curiosas oriundas das arquibancadas. No Beira-Rio, em Porto Alegre, a França vencia Honduras por 1 a 0 quando um chute de Benzema bateu na trave esquerda do goleiro Noel Valladares e, depois, o arqueiro hondurenho tentou tirar a bola. No ato, Sandro Meira Ricci, árbitro brasileiro, apontou o centro do campo, validando o gol. Foi aí que as reações da torcida caminharam como em uma montanha-russa. 

Logo após o lance, os telões do estádio do Internacional o repetiram puramente, sem a tecnologia, e a impressão imediata é de que a bola não havia entrado. Nesse instante, um forte coro dos torcedores, que em ampla maioria mostravam maior pendor por Honduras, foi ouvido. Em seguida, a tecnologia entrou em ação e aí que a situação ficou ainda mais confusa. 

Primeiro, tirou a dúvida do momento em que a bola bateu no lado interno da trave, deixando claro que não havia passado toda a linha, como determina a regra para que seja gol. Então, veio a inscrição sobre o desenho esquemático apontando "no goal", o que bastou para o público presente chiar em altíssimo som, como se a arbitragem estivesse prejudicando os hondurenhos. O técnico da equipe bicolor, Luis Suárez, foi no embalo e começou a gesticular.

Ato contínuo, entrou em cena a segunda parte, mostrando a outra metade do lance, quando a bola foi empurrada para trás pelo goleiro que, ao tentar retomá-la, foi infeliz. A imagem de computador mostrou claramente que ela passou totalmente a linha. A situação fez calar-se o estádio por alguns segundos, como se a massa tivesse ficado constrangida. 

A confusão causada pelo fato de o lance ter sido dividido em dois momentos afetou o treinador de Honduras, como dito anteriormente. Mas na entrevista pós-jogo, ele demonstrou não ter entendido que a Goal Line exibiu dois momentos diferentes do lance, não o mesmo. 

- Não fiquei incomodado porque se validou o gol, mas porque a primeira decisão da máquina foi "não foi" e a segunda foi "gol", não sei com qual ficar. Ao final é isso, se tecnologicamente está tudo claro, e que a princípio a bendita máquina tenha dito que não e depois sim, então qual é a verdade?

O fato é que a tecnologia pegou até mesmo a massa no contrapé, silenciando sua revolta.