icons.title signature.placeholder Leo Burlá
24/06/2014
17:09

Em 41 minutos de entrevista coletiva, Carlos Queiroz, técnico do Irã, falou sobre quase tudo, e muito pouco sobre a Bósnia, rival iraniano desta quarta-feira em Salvador.

Com a língua afiada, o treinador de origem portuguesa detonou a qualidade das arbitragens na Copa, mas defendeu os juízes ao levantar a bandeira do uso da tecnologia no futebol.

- Com a velocidade do jogo, não é possivel que não haja ajuda tecnológica. Não é um problema dos árbitros, mas é o ritmo e velocidade das decisões que subiu muito. Esses erros grosseiros continuarão a existir, é não possível que isso se sustente quando milhões de pessoas estão vendo o contrário em suas casas - opinou.

Ele teve ainda de dar explicações sobre o cancelamento do treino na Fonte Nova e seu remanejamento para o Barradão, em um horário mais cedo do que o anteriormente definido pela organização. Em sua justificativa, além de classificar o gramado do estádio baiano como '10 vezes pior do que o do Mineirão', o treinador ainda alfinetou a Fifa.

- Todos os treinadores sabem, mas talvez a organização não saiba, que um treino a menos de 24 horas o jogo perturba o ciclo biológico dos jogadores. Talvez daqui uns anos eles aprendam um pouco. A prioridade deveria ser a lógica técnica que favorece jogadores e treinadores, não as vantagens administrativas.

Sobre o duelo contra os bósnios, Queiroz disse que o Irã continuará a jogar de forma 'realista', segundo sua própria avaliação.

- Acho que nada deve ser mudado na nossa forma de jogar. Defenderemos com 11 se precisarmos, e atacaremos com todos se assim for necessário.

Confira os principais pontos da entrevista do técnico:

Duelo contra a Bósnia

'É nossa partida crucial e a que mais suscita expectativas. Temos ainda uma possibilidade de classificação, mas não é asssim que estamos pensando, estamos pensando em dar o melhor de nós contra um excelente adversário. Eles já estão eliminados, mas sabemos que será um jogo fabuloso'.

Pênalti não marcado contra a Argentina

'Quando o árbitro não faz a sua parte, fica dificil para nós. Este grupo vai ser jogado com uma mentira em cima da mesa, pois devíamos ter as quatro equipes disputando o primeiro lugar, mas os juizes interferiram com erros grosseiros e graves nos jogos. Espero que o trio desta quarta esteja a altura de uma Copa, e que não interfiram grosseiramente nos resultados como tem feito até aqui'.

Arbitragem e tecnologia

'Queremos que a verdade esportiva prevaleça. Não temos conhecimento de nenhuma consequência de árbitros que perdem seus empregos, e seria bom que também sentissem as consequências. Com a velocidade do jogo, não é possível que não haja ajuda tecnológica. Não é um problema dos árbitros, mas o ritmo e velocidade das decisões subiu muito. Esses erros grosseiros continuarão a existir, e não é possível que isso se sustente quando milhões de pessoas estão vendo o contrário em suas casas. O futuro do futebol passa por isso. É completamente absurdo pensar em contrariar a evolução natural da humanidade. Na minha honesta e humilde opinião, não é um problema dos árbitros, a questão é que é humanamente impossível acompanhar a velocidade do jogo'.

Argentina x Nigéria

'Acho que Argentina ganha. Naturalmente a viória deles coloca nossa equipe em uma posição favorável. Temos de fazer o nosso jogo, tentar ganhar o jogo. O resto está nas mãos de Deus, não podemos controlar. Deus escreve certo por linhas tortas, mas um poderoso da Argentina conseguiu escrever torto por linhas certas, que foi o caso de Messi contra nós. Amanhã (quarta) julgo que as coisas vão ser mais elas por elas'.

Mudança de horário e local de treino

'Não é favorável treinar com menos de 24 horas para o jogo, todos treinadores sabem disso, mas talvez a organização não saiba que isso perturba o ciclo biológico dos jogadores. Talvez daqui uns anos eles aprendam um pouco. A prioridade deveria ser a lógica técnica que favorece jogadores e treinadores, não as vantagens administrativas. Além disso, o campo da Fonte Nova está em muito piores condições que o de Belo Horizonte. Neste campo que está 10 vezes pior do que o do Mineirão acharam que seria possível treinar'.