icons.title signature.placeholder Gabriela Abrunheiro
07/03/2014
15:19

Não existe chutão. Os jogadores trocam de posição a todo momento. A bola passa de pé em pé. Esse é o estilo de jogo proposto pelo técnico Fernando Diniz, do Osasco Audax, que foi goleado pelo São Paulo por 4 a 0, na última quarta-feira, em partida válida pela 12ª rodada do Campeonato Paulista. Em conversa com a reportagem do LANCE!Net, o jovem técnico do clube, Fernando Diniz, defendeu seu estilo de jogo, desmistificou a falta de chutão e disse acreditar que o modelo daria certo num time grande.

O jogo contra o São Paulo foi decidido no segundo tempo, quando o Tricolor acertou a marcação e achou espaços para as suas jogadas. Luis Fabiano marcou dois gols em dois minutos: um aos seis e outro aos oito da segunda etapa. Ambos com passe de Pabon. Sem dar chutão da defesa para o ataque, o Audax abusou dos erros. Em uma das falhas do goleiro Felipe Alves, Osvaldo marcou o terceiro gol são-paulino. Souza decretou o placar aos 31 minutos da etapa complementar, depois de mais uma saída de bola errada do time do técnico Fernando Diniz.

- Contra o São Paulo era pra ter tirado a bola. A gente treina para não dar chutão, mas ele pode ser dado como última alternativa. Quando a gente se vê sem opções, pode acontecer. O bonito e o eficiente não estão dissociados. Ganhar o jogo é sempre o primeiro passo. Não adianta jogar bonito só por jogar - explicou o treinador.

Coincidentemente, São Paulo e Audax são as duas equipes que mais trocaram passes no campeonato. Entretanto, o time de Muricy Ramalho errou mais. São 5.548 passes do Tricolor, dos quais 436 foram equivocados. Já o time osasquense tocou a bola 5.410 vezes e errou apenas 138.

A filosofia de jogo de Fernando Diniz não muda por conta do time adversário. Independente de contra quem seja, o esquema de jogo é o mesmo. Um "tiki-taka" parecido com o que os times europeus fazem. Durante as 12 rodadas do Paulistão 2014, deu certo quatro vezes, principalmente diante da Portuguesa, na vitória por 4 a 2. Os outros triunfos foram todos pelo placar de 1 a 0, contra São Bernardo, Bragantino e Oeste.

Diante de Palmeiras e do Santos, os meninos de Osasco conquistaram dois empates importantes. Ambos por 1 a 1. No total, a campanha do Audax conta com quatro vitórias, cinco empates e três derrotas. São 17 pontos e o quarto lugar do grupo B. Quatro pontos a menos que o Ituano, segundo colocado.

Na saída de campo, Rogério Ceni elogiou o técnico Fernando Diniz e lembrou ainda do jogo contra o Bayern de Monique, na Audi Cup, no meio do ano passado.

- Quando jogamos contra o Bayern, tivemos uma aula tática. É a primeira vez que vejo algo tão acentuado quanto esse aqui. Só deram chutão depois que perderam a confiança. É padrão de fora, com marcação pressão, rodar o tempo todo sem posição. Acho interessantíssimo. É claro que vão falar que perdeu de quatro, mas acho muito bom. Admiro o trabalho do Fernando Diniz - disse o goleiro.

Para o comandante, essa é a melhor forma de jogar futebol, unindo o resultado e um futebol esteticamente bonito. Ele acredita que o estilo tem tudo para dar certo em times de maior expressão.

- Com o passar do tempo, você fica mais convicto e mais experiente para passar sua filosofia para os jogadores. Eu não considero inovador, faço por que acredito ser a melhor forma de se ganhar, além de ser esteticamente bonito. Não tem por que não dar certo em um time maior. Em um time de maior expressão, você tem mais pressão pelo resultado, mas aqui no Audax a gente também tem. Fora que lá você tem mais estrutra e mais opções, pode perfeitamente dar certo - avaliou o treinador.

Faltando três rodadas para o final da primeira fase, o Osasco Audax ainda sonha com a classificação. O Tricolor, por sua vez, é o líder do grupo A com 21 pontos e está com a vaga garantida para a próxima fase do Paulistão Chevrolet 2014.

OPINIÃO DOS ESPECIALISTAS SOBRE O AUDAX

João Carlos Assumpção
Acho um pouco complicado. É pouco tempo. A proposta é ousada e arriscada. Deu certo contra Portuguesa e Palmeiras, mas você não pode fazer uma revolução no futebol. Chutão faz parte do jogo. Em time de maior expressão não daria certo.

Humberto Perón
Dentro de campo o time é bem postado. É um estilo de jogo bonito. A retomada do bom futebol. Acho que é uma tentativa válida. Mesmo perdendo. Às vezes falta qualidade aos jogadores. Talvez em um time maior, com jogadores de mais técnica, desse certo. O que não pode também é ficar tão preso à questão de não dar chutão. Certas vezes é necessário.