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14/06/2014
16:49

Apesar de ter nascido no Brasil, Wagner Lopes garantiu que está torcendo também pelo Japão nesta Copa do Mundo. E a escolha tem um motivo. O treinador do Criciúma é naturalizado japonês, viveu quase 20 dos seus 45 anos de vida no país e já chegou a defender a Seleção dos nipônicos no Mundial de 1998, na França.

- Vejo um time rápido, que tem tudo para fazer uma grande Copa. Estou muito esperançoso que conquiste uma boa colocação, que até hoje foi ficar entre os 16 (oitavas de final). Se conseguir passar disso vai ser a melhor colocação. Ficar entre os oito melhores (até as quartas de final) será um grande passo para a história do Japão e só assim vai o mundo vai respeitar o futebol japonês, que muitas vezes comete ingenuidades, visa o fair play, joga na bola e respeita o adversário, na educação nipônica dispensa comentários - afirmou Lopes.

Além de analisar o atual momento da equipe oriental, o técnico do Tigre comparou a realização da Copa no Brasil com a do Japão, em 2002. Segundo ele, não houve tamanha organização em terras brasileiras como aconteceu no país asiático:

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- Acredito que poderíamos ter aproveitado para nos organizarmos melhor, para deixar um legado, uma maior transparência na construção de estádios, com melhores estradas, linha férrea e aeroportos, uma logística melhor para que os estrangeiros possam se comunicar, com placas indicativas e localização. Acho que de 2007 até agora nos preparamos pouco e no final virou o que virou. A organização poderia ser melhor. Tive o prazer de participar e ver a realização de uma Copa do Mundo no Japão. Em 1989 iniciaram os preparativos para ser sede daquele mundial. Começou cedo, com educação do público e instalação de placas em idiomas diferentes ajudavam os estrangeiros. No Brasil não tivemos essa organização e a conscientização para receber bem os estrangeiros.

Lopes defendeu o Japão na Copa de 1998, na França (Foto: Arquivo LANCE!)

Wagner Lopes ainda afirmou que a situação política no Brasil não deve ser confundida com o evento futebolístico. Conforme o treinador, manifestações no período da Copa do Mundo não são exemplos de cidadania:

- É uma festa e não pode ser confundida com o momento político do país, com a organização disso. Você aproveitar a Copa para manifestar a insatisfação com seu governante não é um exemplo de cidadania, na minha visão. É lavar roupa suja diante de seus convidados. Concordo que precisamos mostrar a insatisfação, mas na hora de votar, quando se deposita a confiança, pelas urnas, nestas pessoas. Vejo com tristeza as manifestações de forma violenta e desrespeitosa, sem educação. O momento político não tem a ver o que foi feito de errado na Copa.

Apesar de apontar problemas, Lopes adiantou que a conquista do hexa poderá minimizar o sentimento de tristeza. Para o técnico tricolor, pode haver um saldo positivo para os torcedores brasileiros e os profissionais do futebol:

- Acho que a Seleção brasileira vai representar bem o povo. Tenho esperança que a Seleção conquiste o hexa, o que é muito importante para quem vive do futebol e para a representação do nosso esporte fora do país. Torço muito pelo título mundial por tudo que foi feito. Todas as construções vão deixar uma dívida grande para o povo pagar, que podem levar muitos anos para sanar isso. Porém, com um título para ser lembrado será muito melhor. Os estádios são modernos, bonitos e temos que pensar na melhor forma de usá-los para que não falte manutenção e espetáculos, para que a torcida prestigie e aproveite isso.