icons.title signature.placeholder Eduardo Mendes, Maurício Oliveira e Thiago Salata
02/07/2014
07:15

Quase oito meses depois de dizer que “não tem pressão sobre o Brasil” e de falar que a Seleção seria campeã, Luiz Felipe Scolari recorre às últimas cartadas para fazer a equipe render o que se espera e chegar com força na semifinal da Copa do Mundo. As táticas são ao estilo do “velho Scolari”, algo que o próprio prometeu voltar a ser após a sofrida classificação.

O presidente da CBF, José Maria Marin, afirmou antes da Copa que só uma catástrofe tiraria o título do Brasil. O coordenador-técnico Carlos Alberto Parreira falou em “mão na taça” no dia da apresentação, em 26 de maio. Hoje, a leitura de Felipão é de que a antes “inexistente” pressão é grande, e os atletas sentem. A psicóloga Regina Brandão esteve na terça na Granja Comary para mais sessões de terapia com os atletas.

Ex-líderes da Seleção, como o capitão do Tri, Carlos Alberto Torres, consideram que a estratégia do “já ganhou” jogou ainda mais peso nas costas do time, ao invés de tirar. O técnico, que já fez de tudo para o time render mais, agora está agindo nos bastidores antes das quartas.

Felipão já deu broncas ao vivo na TV em treinos, usou discursos amenos para aliviar a pressão e, na última segunda, convidou parte da imprensa para pedir apoio contra a arbitragem. Admitiu que o time está devendo. Ao usar a tática do “vamos todos juntos” com jornalistas isentos, gerou reação contrária: Scolari passou a ser alvo de críticas em alguns veículos de comunicação, o que não é um problema. Pelo contrário. Internamente, Felipão, com o grupo na mão, “concentra” críticas externas e tenta aliviar para os atletas antes da decisão.

Na terça, além da conversa com Regina, houve reunião dos jogadores com a comissão técnica antes do treino. No campo, nada de trabalho dos titulares, pelo terceiro dia seguido. Os principais atletas só fizeram trabalhos físicos, apesar de Scolari reconhecer que a equipe está devendo: já foram disputados seis jogos (quatro pela Copa) desde a apresentação da Seleção.

– O que a gente passou contra o Chile vai servir de mais motivação para essa reta final agora. Se a gente passou é porque estávamos preparados – comentou Ramires.

‘VELHO’ FELIPÃO

Palmeiras
Na última passagem pelo clube, técnico muitas vezes fazia vazar informações de atletas que não estavam rendendo de acordo com o esperado. Objetivo era fazê-los reagir com críticas e, assim, ter ganho em campo. Na primeira passagem, em 2000, xingou o rival Edílson no vestiário do CT, com câmeras captando o som. Deixou o clima tenso, instigou os atletas e tirou o Corinthians com virada na semi da Copa Libertadores.

Grêmio
Antes de decisão do Brasileirão com o Grêmio, houve o famoso episódio em que o lateral Arce apareceu na frente da imprensa com a perna engessada. Mas o paraguaio não tinha nada: jogou e foi campeão contra a Portuguesa.

O QUE JÁ FOI FEITO POR FELIPÃO

Bronca geral
Dias antes da estreia contra a Croácia, o técnico encerrou um treino na Granja Comary aos berros porque o time titular estava muito frouxo na marcação. Os reservas tinham acabado de empatar o coletivo por 2 a 2. “Não sou eu que tenho de dizer para eles que a Copa vai começar”, disse na imprensa.

Troca-troca
Felipão mexeu duas vezes no time. No segundo jogo, sacou Hulk – que não tinha lesão muscular, mas reclamava de dores na coxa direita – e pôs Ramires. No terceiro, fez o atacante voltar para o time. Nas quartas de final, tirou Paulinho e lançou Fernandinho, que havia jogado bem contra Camarões. O time continuou carente tecnicamente.

Tática fantasma
Depois do primeiro jogo, Felipão disse que tinha planos B e C para qualquer eventualidade. Uma delas era usar Jô e Fred no ataque, caso a Seleção estivesse atrás no placar. Disse que orientava os jogadores “na lousa”, mas não precisava treinar no campo.

Outro discurso
Antes da Copa, o técnico e o coordenador Parreira insistiram no discurso de que a Seleção era favorita e que já havia colocado uma mão na taça porque sabia como lidar com assuntos extracampo. Às vésperas do jogo contra o Chile, porém, percebendo que os jogadores estavam tensos demais, Felipão disse que, em caso de derrota, ninguém precisava se jogar do barranco.

FRASES

"Não tem pressão sobre o Brasil para ser campeão. O Brasil vai ser campeão. Se eu não achasse que poderia ganhar, eu não iria dirigir a seleção do Brasil, eu ficaria em casa. Eu acredito 100% que vou ganhar o Mundial pelo Brasil"
Luiz Felipe Scolari, em 17 de novembro de 2013

"Só uma fatalidade nos tira o título de campeão"
José Maria Marin, em 9 de junho deste ano

"Já estamos com uma mão na taça. O campeão chegou. E bem chegado"
Carlos Alberto Parreira, na primeira entrevista da Seleção: Teresópolis, 26 de maio