icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena e Luiz Felipe Fogaça
06/07/2014
08:00

O telefone de Amarildo tocou assim que o corte de Neymar foi confirmado. E tocou de novo. E de novo. Eram jornalistas de diversas partes do Brasil querendo saber o que o ex-jogador tinha a dizer sobre o futuro da Seleção no Mundial. Pudera: foi ele quem substituiu o Rei Pelé, lesionado, na Copa do Mundo de 1962. Não só jogou bem como foi destaque do bi, no Chile. E em 2014?

- Quem entrar não pode tentar imitar o Neymar, não existe um igual. Tem de jogar como sabe, sem medo. O importante é fazer o dever, com confiança - ensina o Possesso, hoje com 74 anos, antigo ponta-esquerda que marcou época pelo Botafogo nas décadas de 50 e 60.

Ao contrário de Neymar, que estreou em Copas neste ano, Pelé chegou ao torneio de 1962 já consagrado pelo desempenho brilhante no título de quatro anos antes. Estreou marcando um dos gols na vitória por 2 a 0 sobre o México, mas sofreu um estiramento na coxa no empate sem gols com a Tchecoslováquia, na segunda rodada. Como agora, a Seleção perdia sua referência e gerava tensão na torcida. O final foi feliz.

É verdade que aquele time tinha outros craques, sobretudo Garrincha, que assumiu o protagonismo na ausência do camisa 10. Mas foi Amarildo, o substituto de Pelé, quem marcou os gols da vitória por 2 a 1 sobre a Espanha, que levou o Brasil às quartas. E ainda fez mais um na final, contra a Tchecoslováquia: 4 a 1.

- Tirei a dúvida quando fiz dois gols contra a Espanha. Foi tranquilo, eles confiavam em mim - lembra.

Amarildo receita união e força coletiva para suprir a baixa já contra a Alemanha, na semifinal de terça, às 17h, no Mineirão:

- Tem que ser unido para superar essa falta do Neymar. Não um só, mais todos juntos - completou ele.

Pepe, companheiro de Pelé no Santos e parte daquela seleção, lembra que o bom rendimento de Amarildo minimizou o clima de tristeza pelo corte do Rei, que ficou no Chile com a delegação:

- A lesão do Pelé foi muito triste, era um jogador que desequilibrava. Foi um abatimento geral. Eu mesmo ia todos os dias no departamento médico falar com ele, ver como estava. Sorte que o Amarildo entrou e jogou bem, ele acreditava muito nele mesmo, tinha muita confiança e substituiu o Pelé muito bem - disse.

Confira um bate-bola exclusivo com Amarildo:

LANCE!Net: Como foi quando ficaram sabendo da contusão do Pelé?
Amarildo: Lógico que o grupo sentiu a contusão do Pelé, que era uma peça importante, mas ninguém chorou ou se lamentou, pois me conheciam. Sabiam que seria eu o substituto.

Como foi entrar e jogar no lugar do Pelé?
Eu já jogava na Seleção desde 1961.  Eu não senti, todos confiavam em mim. Até o Pelé falou: "Garoto, não se preocupe e jogue como se fosse no Botafogo". Eu não tive nenhum problema, joguei com a maior tranquilidade, confiando no meu jogo. Confiavam em mim, jogamos dois anos na Seleção antes da Copa.

Pela sua experiência, o que recomenda nesse momento?
Tem que apoiar ainda mais de perto quem o substituir, incentivar em campo mesmo que erre, que ele vai render e vai dar certo.