icons.title signature.placeholder Aurino Leite e Daniel Guimarães
12/12/2013
08:02

A queda do Vasco foi sacramentada no último domingo. Porém, com o passar dos dias, a pressão sobre a atual diretoria vascaína só aumenta. Indignado com o segundo rebaixamento do Cruz-Maltino em cinco anos, Marcus Simonini Ferreira, sócio proprietário do clube desde 1984, divulgou uma carta pedindo a renúncia do presidente Roberto Dinamite e criou um abaixo assinado na internet.

A campanha, que está hospedada no site de petições “secure.avaaz.org”, leva o nome “Presidente do Clube de Regatas Vasco da Gama: Roberto Dinamite, RENUNCIE! Se você ama o Vasco, saia agora!”. Em dois dias, já foram colhidas mais de 5 mil assinaturas. O objetivo é chegar a 10 mil.

Em sua carta e na página do abaixo assinado, Marcus pontua os motivos pelo pedido de renúncia. De acordo com ele, o segundo rebaixamento do Gigante da Colina em um intervalo de cinco anos mostra “forte deficiência técnica e de planejamento, ao longo deste mandato, o que é incompatível com a grandeza desta Instituição, e que tal fato não é um tropeço (como foi erroneamente publicado no site oficial do clube), mas sim uma enorme mancha na história da Instituição”.

O sócio também destaca os graves problemas estruturais do clube, como o abandono do Parque Aquático, revelado pelo LANCE!, o “precário estado de conservação de todas as sedes do clube” e os problemas financeiros, que resultaram no atraso de salário de jogadores e funcionários durante toda a temporada.

Por fim, Marcus diz que Dinamite não deixará de ser ídolo do Vasco, por conta do que fez quando foi jogador do clube, mas volta a afirmar que ”não há mais condições políticas, nem técnicas e administrativas” para seguir no comando do Cruz-Maltino e que a decisão mais correta seria deixar o cargo de presidente de forma rápida e definitiva.

CUNHADO GANHA R$ 12 MIL POR MÊS

Uma das críticas dos conselheiros opositores do presidente Roberto Dinamite é o nepotismo no Vasco. O mandatário tem como secretário o cunhado Leonardo Marins, que, segundo alguns funcionários do Vasco, só aparece no clube quando o próprio Dinamite está presente. Além disso, os conselheiros contestam o alto salário para a função: R$ 12 mil.

Como a Alerj passou a combater o nepotismo dos deputados estaduais, Roberto Dinamite, que também é parlamentar pelo PMDB, teve de encontrar outra saída para empregar alguns parentes. 

CADÊ O PRESIDENTE?

Desde que o Vasco teve a sua queda para a Série B decretada, o presidente Roberto Dinamite fez apenas um breve pronunciamento após a partida, na Arena Joinville, e não apareceu mais para dar explicações sobre o rebaixamento.

Na edição da última sexta-feira, o LANCE! já havia publicado uma matéria com perguntas que não foram respondidas pelo mandatário. A reportagem fez contatos com Dinamite e sua assessoria de imprensa, encaminhou uma série de questões e, após esperar por mais de um mês, não obteve resposta.

Após o primeiro rebaixamento do Vasco, em 2008, apenas o então técnico Renato Gaúcho deu entrevistas e, na ocasião, chegou a questionar o fato do presidente do clube não prestar seus esclarecimentos. No dia seguinte, no entanto, Dinamite concedeu uma coletiva de imprensa, diferentemente desta vez.

Vale lembrar que no também rebaixado Fluminense, o presidente do clube, Peter Siemsen, já deu duas entrevistas coletivas após a partida que resultou na queda.