icons.title signature.placeholder Marcelo Braga
28/11/2013
13:25

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon), Antônio de Sousa Ramalho visitou a Arena Corinthians no início da tarde desta quinta-feira, um dia depois da tragédia que causou duas mortes. Em Itaquera, Zona Leste de São Paulo, Ramalho disse que, antes do acidente, funcionários do canteiro de obras já sabiam do risco de um desastre no local.

- A partir das 8h de ontem (quarta) um técnico reportou a um engenheiro de segurança que a base não era suficiente para segurar o guindaste. O engenheiro de segurança se reportou ao engenheiro de produção, que respondeu que aquilo não era um problema de segurança de trabalho e se responsabilizou. Ele disse que os cálculos estavam feitos e que aquela base era suficiente. O técnico me disse que tem isso documentado. A perícia vai dizer, mas pode ter acontecido um erro de cálculo na base. Acidente é sempre erro humano.

Depois da ocorrência, trabalhadores relataram que o solo, irregular por conta das chuvas, cedeu sob o guindaste de 1,5 mil toneladas. O Timão e a Odebrecht, construtora responsável pelo estádio, aguardam resultado da perícia.

O presidente do sindicato alega ainda que a obra já havia recebido algumas denúncias por conta de irregularidades, mas que todas já haviam sido resolvidas pelo órgão, exceto o excesso de carga horária, já que havia um clima de confraternização na obra, e os funcionários recebiam um bom salário

- Não acho que tem de embargar a obra toda, mas é preciso interditar as áreas de risco - complementou Ramalho.

A Odebrecht, empreiteira responsável pela construção do estádio, afirmou que não recebeu nenhuma documentação do sindicato. Por conta disso, está realizando uma apuração interna dos fatos.

O representante do Sintracon prometeu ainda que, se o técnico que fez as denúncias for punido pela Odebrecht, ele fará um movimento para realizar uma greve e parar a obra.

As famílias de Fábio Luiz Pereira e Ronaldo Oliveira dos Santos, as vítimas, receberão indenização de R$ 50 mil, segundo o sindicato. Um ação de danos, no entanto, poderia fazer essa multa chegar a R$ 800 mil. Antônio de Sousa Ramalho coloca um advogado à disposição das famílias.